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Sem avanços, cadeirantes não comemoram Dia de Luta dos Deficientes

Associação afirma que sucateamento no Transporte Eficiente dificulta atividades simples. São

20/09/2019 17:21h - Atualizado em 20/09/2019 19:05h

Neste sábado (21) é comemorado o Dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiência Física, porém, pelo menos em Teresina, essa data será marcada mais pela denúncia da falta de direitos do que de benefícios conquistados.

Dentre os vários pontos que ainda não avançaram na luta dos deficientes, como acessibilidade de ruas e calçadas, estabelecimentos e órgãos públicos, está o Transporte Eficiente. 


De acordo com o presidente da Associação dos Cadeirantes do Município de Teresina (Ascamte), Wilson Gomes, de 2006 a 2019 o número de cadeirantes cadastrados para utilizar o sistema saltou de 800 para quase 3 mil, e a frota se mantém com o mesmo número de veículos, 14 vans de transporte . Destas, duas estão com problemas, ou seja, não funcionam.

“Temos tentado avançar nessa questão, mas até agora me aprece que está sendo bastante difícil. Essas imagens, vídeos, que foram mostrados aqui no Jornal O Dia são apenas um fragmento do que acontece no dia-a-dia, essa são as que são noticias, que viralizam nas redes sociais, as que são mostradas nas redes sociais, que são enviados pra nossa associação. E aquelas que não são?", questiona o presidente da associação.

Diante da falta de respostas do poder público, Wilson afirma que a associação não irá comemorar a data, mas deixará seus associados livres para procederem como quiserem.

Além disso, os carros que estão na ativa quebram na média de 2 a 4 constantemente. O próprio carro que Wilson utilizou para chegar até a redação do Sistema O Dia quebrou a caminho da entrevista.


Presidente da Ascamte em entrevista ao ODiaNews da ODiaTV. (Foto: Elias Fontenele/O Dia)

No mês de junho deste ano, Wilson caiu após o elevador de uma das vans quebrar, no centro de Teresina . O cadeirante passou por cirurgia e teve que implantar pinos de metal na clavícula. Wilson ficou internado por quatro meses e se diz indignado porque mesmo com o episódio não houve manifestação do poder público.

“Não é a primeira vez que eu caio do Transporte Eficiente, é a terceira vez, só que esta teve consequências mais graves. O que me deixa mais triste é o poder público, diante de tudo que aconteceu não ter tido nenhuma atitude, isso que me deixa triste. Porque que não foi feita nenhuma ação? Alguém poderia ter morrido naquele momento e esse alguém era eu”, desabafa Wilson.

A falta de interesse político é outro problema enfrentado pelos cadeirantes. Segundo o presidente da associação, os vereadores de Teresina chegaram a reunir os cadeirantes para propor ações que melhorassem os serviços  do Transporte Eficiente (que é gerenciado pela Strans), porém na votação para destinar R$ 2 milhões em emendas e garantir orçamento anual na LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) para renovação e manutenção da frota, somente 3 vereadores votaram a favor.

“Se o prefeito tivesse investido na melhoria do transporte eficiente todos esses problemas teriam, de certa forma, amenizado, porque o cadeirante está sofrendo nos dois lados, no sistema Inthegra e está sofrendo no transporte eficiente”, afirma.

O presidente da associação pede um diálogo com a Strans ou prefeitura para que o serviço tenha melhorias na capital.

A assessoria da Strans tentou contato com os diretores do órgão, mas, até o fechamento desta matéria, não conseguiu retorno. O Portal O Dia reitera que o espaço está aberto para esclarecimentos posteriores.

Por: Rodrigo Antunes

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