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Parto cesariano é indicado quando há risco vida da mãe e do bebê

Vanessa Bezerra, sonhava em ter um parto vaginal, mas teve pré-eclampse, e fez cesariana.

28/09/2019 15:11h - Atualizado em 28/09/2019 16:03h

Vanessa Bezerra, de 23 anos, sonhava em ter um parto normal após ser incentivada por profissionais da saúde e ter lido muito sobre parto vaginal e cesáreo. Quando ela soube da gravidez, estava tomando contraceptivo e, após fazer alguns exames, a gestação foi confirmada.

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Porém, a jovem teve pré-eclampse e o bebê nasceu com 38 semanas e 2 dias (hoje ele está com sete meses). “Eu li bastante, vi os benefícios e era o que eu queria. Não tinha medo das dores, eu estava rezando que elas chegassem. Mas não chegaram, eu comecei a perder líquido e, na minha cidade, só dão encaminhamento se tiver sentindo dor e eu fui fazer uma consulta com uma médica ginecologista e ela disse que eu não tinha mais condições de andar e montou a equipe para fazer o parto”, conta Vanessa Bezerra. 



Vanessa Bezerra, sonhava em ter um parto vaginal, mas teve pré-eclampse. Reprodução

E mesmo a jovem tendo feito a cirurgia em hospital particular, pois corria risco de vidae o bebê nasceu prematuro, ela ainda sofreuviolência obstétrica. Estava assustada com a situação e não teve assistência básica necessária para se sentir bem.

 “Tiveram duas enfermeiras que não me ajudaram a me levantar, e minha irmã estava com o bebê, pois ele estava abaixo do peso, então eu preferia que ela ficasse com a criança, e eu pedi 3 vezes que me ajudassem e não vieram. Pedi para avaliar o bebê e não fizeram, ele chorava muito e eu não podia me mexer demais. E o pediatra só voltou mais de 24h depois, e o bebê só chorando. No pós-parto, sentia muitas dores”, relembra Vanessa.

Tipos de parto

A polêmica envolvendo os tipos de parto inclui diversas vertentes, inclusive mitos e verdades. A enfermeira obstétrica Elaine Barbosa explica, por exemplo, que existem recomendações reais e fictícias quando o assunto é a cesariana. Segundo ela, este tipo de parto é cientificamente indicado nas seguintes situações:

 “O parto cesáreo deve ser feito quando a mãe possui algumas doenças infectocontagiosas, como herpes vaginalativa, condilomas e HIV positivo, para evitar o contágio do bebê; ou quando há desproporção céfalo-pélvica, quando a cabeça do bebê é desproporcional à vagina da mãe, impossibilitando o parto normal; ou ainda quando há colapso do cordão umbilical, descolamento prematuro de placenta, ou sofrimento fetal agudo, quando o bebê está em situação de risco e precisa ser removido rapidamente do útero. A cesárea também é indicada quando há placenta prévia total, que é quando a placenta recobre totalmente o colo do útero e dificulta a passagem do bebê no canal vaginal”, elenca. 

Por outro lado, foi difundido popularmente que o parto cesáreo é indicado em outras situações, mas sem nenhum embasamento científico. São exemplos destes casos: “quando há circular de cordão, se alega que é indicativo de cesariana, mas não é, pois os bebês nascem constantemente com circular de cordão e nascem bem. Outro caso é a da bolsa rota, da falta de dilatação, mas esta só ocorre porque a mulher não está em trabalho de parto ainda, ela está em pródromos ou pré-parto, que são ascontrações de treinamento; daí se interna essa mulher que não está efetivamente em trabalho de parto e alega-se a não dilatação para fazer a cesárea”. 

A enfermeira obstétrica destaca ainda que o parto cesariano é um recurso válido para salvar a vida da gestante e do bebê. Porém, não se pode deixar de considerar que o parto é um processo fisiológico e que, como qualquer procedimento cirúrgico, existe o risco de hemorragia, infecções e danos aos órgãos internos das gestantes. 

“Outro ponto importante a se considerar nas cesarianas ‘por conveniência’ é a prematuridade [do bebê], já que a idade gestacional não pode ser calculada com exatidão e [tirá-los antes do tempo] está associado a problemas respiratórios dos bebês”, alerta Elaine Barbosa. 

Edição: Virgiane Passos
Por: Sandy Swamy - Jornal O Dia

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