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Com salário atrasado há um dia, motoristas de ônibus mantém greve

Atualizada às 11h19min

A greve dos trabalhadores do transporte coletivo de Teresina ganha mais um capítulo e ponto de indefinição. Os motoristas e cobradores de ônibus não receberam o salário referente ao mês de janeiro, que deveria ter sido depositado nas contas até esta terça-feira (05). Foi isso o que informou a diretoria do Sintetro. A categoria já vem reivindicando um reajuste no vencimento de 8,5%, valor que vem sendo rechaçado pelo empresariado, que ofereceu como contraproposta o reajuste de 4%. 

De acordo com o presidente do Sindicato, Fernando Feijão, não há nenhuma previsão para a realização de uma nova reunião. Ele diz que não haverá negociação enquanto o Setut não apresentar uma nova proposta maior que os os 4% postos na mesa inicialmente. "Estamos concentrados nas garagens garantindo que o movimento não perca força, mas enquanto não nos trazerem algo dentro das nossas expectativas e agora enquanto não pagarem o salário atrasado, manteremos o movimento", afirmou o presidente do Sintetro.

Iniciada às 09h55min

Os motoristas e cobradores do transporte coletivo da capital permanecem em greve nesta quarta-feira (6).  A categoria se reuniu na tarde de ontem com representantes do Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos (Setut), em um encontro intermediado pelo Tribunal Regional do Trabalho. Sem avanços nas negociações, a greve no sistema de transporte entra no seu terceiro dia.

De acordo com o vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Empresas do Transporte Rodoviário (Sintetro), Ajuri Dias, a proposta apresentada pela classe patronal, mais uma vez, não contemplou o anseio dos trabalhadores. “Infelizmente, a greve continua. A gente não chegou a nenhum entendimento, por que, na realidade, não houve uma proposta que viesse a ser aprovada”, destacou.


Foto: Arquivo O Dia

A categoria dos motoristas e cobradores quer um reajuste de 8,5%, no entanto, a proposta apresentada pela classe patronal nessa terça-feira foi de apenas 4%. De acordo com o vice-presidente do Sintetro, os motoristas chegaram a oferecer uma contraproposta, que não foi aceita pelos empresários. “A categoria deu até uma flexibilizada, e apresentou uma proposta de 5% linear, para motoristas e cobradores, que não foi aceita pelo Setut”, afirmou.

Os motoristas e cobradores do sistema de transporte público da capital estão em greve desde as 00h da última segunda-feira. Ainda não há previsão para o fim do movimento. Durante a greve, apenas 30% da frota está circulando, e, por conta disso, a Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (Strans) cadastrou veículos alternativos para atuarem no transporte de passageiros.

“Na realidade, não ficou marcada nenhuma  nova conversa, mas estamos abertos. na hora que eles quiserem estaremos à disposição para voltar a negociar”, informou o vice-presidente do Sintetro, Ajuri Dias.


Foto: Arquivo O Dia

Associação os Usuários de Transporte Coletivo faz apelo

Na falta de um acordo entre empresários e trabalhadores, quem mais sofre com a ausência dos ônibus nas ruas são os usuários do transporte coletivo, que ficam, muitas vezes, impossibilitados de exercer seu direito básico de ir e vir. É isso que pontua a Associação dos Usuários de Transporte Coletivo de Teresina.

A entidade, que tem acompanhado as negociações e os rumos do movimento, denuncia o descumprimento, por parte de alguns motoristas de transporte alternativos, da lei que determina o recebimento da meia passagem estudantil. Quando cadastrou os ônibus e vans para circularem durante a greve, a Strans determinou que a meia tarifa deveria ser aceita em dinheiro pelos motoristas, no entanto, a Associação diz que isso não está acontecendo.


Foto: Arquivo O Dia

“Hoje a meia passagem está custando R$ 1,28 e os motoristas alegam que não têm troco para esse valor e fica por isso mesmo. Ou seja, quem tem direito à meia passagem está pagando mais do que o que deveria e isso foge completamente do que a Strans determinou. Sem contar que no momento roda mais ônibus clandestino do que os cadastrados pela Prefeitura”, denuncia José. Até ontem, a Strans havia cadastrado 110 veículos alternativos para circular durante a greve.

A Associação dos Usuários de Transporte Coletivo faz um apelo: “ peço que [Setut e Sintetro] cheguem a um denominador comum porque enquanto ficar essa briga, a população mais carente é que paga. Sem contar que são os usuários que bancam o sistema, que pagam os salários de empresários, motoristas, cobradores, mecânicos e fiscais e nós temos o direito de pagar uma passagem e poder ir e vir sem dificuldades”, finaliza José Borges.

Procurada, a Strans informou que as denúncias de descumprimento dos cadastros de veículos e de cobrança indevida de passagem deverão ser feitas pelo número (96) 9 9460-2486.


Foto: Arquivo O Dia

Greve entra no terceiro dia e Setut aciona a Justiça

Ainda nesta quarta-feira (05), o Setut acionou a Justiça solicitando o aumento da frota de ônibus em circulação durante a greve. É que a lei determina que em casos de setores básicos, como o transporte coletivo, pelo menos 30% do serviço deve continuar funcionando mesmo com a paralisação. O que o Setut alega é que nem os 30% da frota esteja nas ruas e que o Sintetro (Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus) estaria impedindo que os veículos saíssem das garagens.

O Sintetro rebateu a entidade e disse que não há “formação de piquetes” como alegado no documento e que a categoria está apenas garantindo que somente os 30% da frota vá para as ruas durante o movimento.

Contraponto

Em nota, o Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros de Teresina (SETUT) alegou que o Sintetro teria feito "piquete na porta das garagens das empresas, impedindo que os motoristas saíssem com os ônibus, impossibilitando a circulação". Referente ao pagamento da categoria, o Setut informou que o empregador tem até o quinto dia útil para efetuá-lo e que empresas estão dentro do prazo estipulado por lei.



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