Um ambiente com falta de higienização e estrutura deficitária. Foi este o cenário encontrado pelo acompanhante de uma parturiente na Ala A da Maternidade Dona Evangelina Rosa (MDER) nesta quinta-feira (13). O homem, que preferiu não se identificar, registrou imagens em que mostra o banheiro do local com sujeira acumulada no chão e em uma cortina.
Paciente denuncia banheiro sujo e com infiltrações na Evangelina Rosa. (Foto: Reprodução)
Além disso, ele também se deparou com uma maca e um suporte para colocar medicação intravenosa enferrujados, e o pano que cobria o colchão de uma maca rasgado em alguns pontos. Em conversa com o Portal O Dia, ele relatou que a situação não se restringia somente à higienização do local.
“Havia pontos de infiltração no banheiro da ala, o que deixa o aspecto do lugar ainda mais ruim. Fora os riscos aos pacientes que ficam ali e para quem precisa acompanha-los”, pontua o acompanhante, que estava com a esposa em pré-natal.
Paciente denuncia banheiro sujo e com infiltrações na Evangelina Rosa. (Foto: Reprodução)
Este ano, a Maternidade Dona Evangelina Rosa, que é a única pública e de alta complexidade do Piauí, já esteve no centro de controvérsias e impasses entre a Secretaria de Estado da Saúde (Sesapi) e o Conselho Regional de Medicina (CRM-PI). Esta entidade fez uma fiscalização na unidade no mês de junho e encontrou uma série de irregularidades que tornavam o trabalho dos profissionais da saúde e o atendimento aos pacientes deficitários.
Paciente denuncia banheiro sujo e com infiltrações na Evangelina Rosa. (Foto: Reprodução)
Foi constatada a falta de insumos, de medicamentos e de material de higienização de leitos, enfermais e quartos de UTI, além da problemas infraestruturais, como o chão ameaçando ceder em alguns pontos e infiltrações. Por conta os problemas detectados, o CRM falou em abrir um indicativo de interdição ética na maternidade, caso não fossem tomadas medidas emergenciais pelo ente público.
Paciente denuncia banheiro sujo e com infiltrações na Evangelina Rosa. (Foto: Reprodução)
O Ministério Público Estadual entrou no caso após serem registradas mortes de parturientes na maternidade por conta de infecção hospitalar. O primeiro óbito foi registrado no dia 13 de junho e além das três vítimas fatais, uma terceira gestante se encontrava na UTI em estado grave, com suspeito de um quadro de infecção hospitalar.
No mês de julho, a Sesapi anunciou a liberação de recursos para a reposição do estoque de insumos, materiais de higiene e medicamentos, além da restauração da parte física da maternidade. No último dia 07 de agosto, o MPE e o Ministério Público Federal do Piauí (MPF-PI) ajuizaram ações civis públicas para apurar irregularidades no funcionamento da MDER.
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Nos processos, os órgãos ministeriais pediram à Justiça o bloqueio imediato e mensal de R$ 1,3 milhão da conta única do Estado do Piauí para que o montante seja repassado mensalmente à MDER, para aplicação exclusiva nas suas despesas.
Procurado hoje pela reportagem de O Dia, o CRM-PI disse que todas as providências emergenciais para que a maternidade voltasse a atender as pacientes a contento foram tomadas e que a estrutura deficitária, quando da deliberação sobre o indicativo de interdição ética, já havia sido reparada.
Por meio de nota, a maternidade informou que reconhece que as fotos são verdadeiras, mas garante que elas retratam um problema isolado, que não se repete na maioria dos leitos da unidade.
A MDER informa, ainda, que busca corrigir rapidamente todos os problemas assim que eles são identificados.
Leia a nota na íntegra:
Sobre as fotos denunciadas de um leito na Ala A, a Maternidade Dona Evangelina Rosa ( MDER) reconhece a veracidade das fotos, mas ressalta que trata-se de um problema eventual que não reflete a realidade das centenas de leitos da Instituição. A Mder informa que o problema foi localizado e a troca dos suportes e limpeza das cortinas já foi providenciada. O suporte de ferro será substituído por um gancho.
A Maternidade ressalta ainda que fatos pontuais acontecem e que a casa corrige constantemente sempre que detectado. A Evangelina passa sempre por reparos e reformas, inclusive atualmente está passando por uma.
Nenhuma unidade hospitalar do país, quer privada ou pública, sobrevive sem cuidados constantes, e essa é a regra da MDER, única no Estado no tratamento de gestantes e bebês de alto risco: fazer com que a instituição funcione bem, atendendo ao público de alta complexidade, sem superlotar suas dependências com baixo e médio risco, situações que seriam resolvidas nas bases.