Sintetro diz que não recebeu ordem de serviço da Strans para frota mínima circular

A cidade amanheceu esta quinta-feira (28) em meio a uma greve dos transporte público. Moradores relatam dificuldade em sair de casa.

28/10/2021 09:34h - Atualizado em 28/10/2021 10:11h

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Atualizado às 10h05min

Em meio à greve geral do sistema de transporte coletivo de Teresina, o Sindicato dos Trabalhadores do setor (Sintetro) informou que não recebeu da Strans a ordem de serviço para rodar com pelo menos 30% dos ônibus durante o movimento. Estes 30% é o mínimo que a Lei de Greve exige para a paralisação de serviços essenciais como transporte, segurança e saúde: como se tratam de segmentos indispensáveis, até mesmo durante o movimento paredista dos trabalhadores, eles devem seguir operando com o mínimo. 


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A informação foi confirmada ao Portalodia.com pelo primeiro secretário do Sintetro, Miguel Arcanjo. Esta ordem de serviço da Strans serviria para que o sindicato se organizasse e garantisse que pelo menos o mínimo da frota seguisse circulando por Teresina durante a greve de modo a não deixar a população total desassistida. “Infelizmente a Strans não enviou e nós nem fomos para as garagens, porque quando vamos é para fiscalizar a ordem de serviço para ver se ela está sendo cumprida. Como a gente não tinha essa ordem de serviço em mãos, nós não fomos fazer essa fiscalização, então não sabemos quantos ônibus saíram nem se eles estão circulando no mínimo necessário”, explicou Miguel Arcanjo.


Miguel Arcanjo é representante do Sintetro e diz que a Strans não encaminhou ordem de serviço para garantir o mínimo da frota nas ruas - Foto: Assis Fernandes/O Dia

A greve, segundo ele, continuará por tempo indeterminado em Teresina até que o Sindicato Patronal (Setut) se reúna com a categoria e apresente uma proposta a ser negociada. O que os motoristas e cobradores de ônibus de reivindicam é a assinatura do acordo de convenção coletiva que restabeleça o pagamento conforme o piso salarial e garantias de benefícios como tíquete alimentação e plano de saúde. No momento, os trabalhadores do setor estão trabalhando por diárias, recebendo até R$ 200 por mês conforme as horas trabalhadas.

O que diz o Setut

Procurado, o Setut informou que segue com o mesmo posicionamento já afirmado antes: que as empresas efetivaram na semana passada o pagamento do acordo realizado em janeiro deste ano com a Prefeitura e o Sintetro no valor de R$ 720 mil, como também já iniciou o pagamento das folhas que estavam em atraso. A frota da ordem de serviço acordada com a PMT, segundo a entidade, tem sido cumprida. O Setut finaliza afirmando que “não vê quaisquer motivos para uma paralisação dos serviços por parte dos trabalhadores”.

O Portalodia.com entrou em contato com a Strans e aguarda retorno do órgão sobre a situação e a informação prestada pelo Sintetro.


Iniciada às 09h34min

Teresina amanheceu esta quinta-feira (28) em uma greve geral do sistema de transporte coletivo. No entanto uma breve volta pela cidade permite perceber que o movimento não atinge na mesma proporção toda a cidade. Segundo os fiscais da Strans que monitoram a passagem dos ônibus nas paradas do Centro, os veículos que rodam na Sul de Teresina (empresa Transcol) estão circulando dentro da normalidade para a situação, mas os das demais zonas, não. Os moradores das regiões Norte, Leste e Sudeste da capital são os mais penalizados pela greve do transporte coletivo.


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A reportagem do Portalodia.com percorreu algumas praças que concentram paradas de ônibus no Centro de Teresina e percebeu esta discrepância: na Praça da Bandeira, onde param os ônibus das faixas Azul, Vermelha e Verde (zonas Sudeste, Leste e Norte), o movimento de coletivos é quase nulo. Em comparação, na Praça João Luís Ferreira, onde param os da faixa Amarela (empresa Transcol, zona Sul), o movimento de veículos está mais regular. Mas mesmo nos locais onde em tese há ônibus circulando no dia de hoje, a dificuldade de ir e vir ainda se faz presente.


Foto: Isabela Lopes/O Dia

A moradora do bairro Saci, Zulmira Freitas, diz que não há ônibus circulando dentro do bairro e que, para conseguir chegar ao Centro, precisou caminhar até a Avenida Henry Wall de Carvalho para tentar a sorte. “Eu estou cansada. No Saci tem dois ônibus, o Pedro Freitas e o Miguel Rosa, mas ninguém sabe o horário e eles passam no dia que querem. Não lembro mais nem o dia em que peguei ônibus dentro do conjunto, preciso ir para a estação na BR para conseguir pegar um”, relata. 

A situação dela complica ainda mais, porque dona Zulmira depende única e exclusivamente do ônibus para ir e vir. “Eu não tenho carona, não sei pegar Uber, não gosto de pegar ligeirinho e acho chato, porque dependo do coletivo pra poder ir e vir de casa”, finaliza.

Outra moradora da zona Sul que comenta a situação é dona Elizabete Alves. Ela reside no bairro Esplanada e tenta chegar a Timon. Para conseguir ir até o Centro, ela precisou de uma carona do vizinho porque não havia ônibus circulando no bairro onde ela mora. “Está difícil demais pegar ônibus nessa cidade. Passei quase duas horas na parada e ele não veio, então eu peguei carona com um vizinho. Ontem foi do mesmo jeito, eu faço boa parte dos meus percursos a pé no sol quente, passando calor e agonia”, relata dona Elizabete.


Foto: Isabela Lopes/O Dia

E essa dificuldade de se pegar ônibus em Teresina acaba refletindo também no bolso: os teresinenses têm pagado mais para ir e vir dentro da cidade, investindo em transporte alternativo como carros de aplicativo e o chamados ligeirinhos, as caronas coletivas pagas. “É o jeito pagar ou você não anda. Eu, que vivo de aposentadoria, meu dinheiro todo vai para carro, ônibus, remédio e pagar as contas”, finaliza dona Elizabete.

O Portalodia.com entrou em contato com o Setut, a Strans e o Sintetro e aguarda retornos das entidades sobre a situação.

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