Teresina aplicou doses de lote suspenso da Coronavac, diz FMS; pacientes são monitorados

Laboratório que produziu vacinas não tinha selo da Anvisa. Quando vacinas foram aplicadas em Teresina, Ministério da Saúde ainda não havia dado ordem de suspensão de nenhum lote.

13/09/2021 12:16h - Atualizado em 13/09/2021 13:24h

Compartilhar no

No último dia 04 de setembro, o Ministério da Saúde encaminhou nota técnica para as secretarias estaduais e municipais de saúde informando da interdição cautelar (retenção) de lotes da vacina Coronavac que tinham sido fabricados em local não autorizado pela Anvisa e  que estavam em desacordo com o decreto de uso emergencial deliberado pelo Conselho da Agência.


Leia também: Coronavac: Piauí recebeu 23 mil doses de lotes interditados; vacinas não foram aplicadas 


Ao todo, 25 lotes foram interditados com a publicação deste primeiro documento. Essas vacinas seriam aplicadas naquele final de semana na capital, mas ficaram retidas na rede de frios após a notificação do Ministério da Saúde. No dia seguinte, 05 de setembro, o Ministério encaminhou nova nota técnica informando novos lotes da Coronavac que deveriam ser retidos caso ainda não tivessem sido distribuídos. Neste novo documento constava um lote que já havia sido aplicado em Teresina, segundo o que informou a FMS à reportagem do Portalodia.com nesta segunda-feira (13). 

Confira abaixo os lotes interditados da Coronavac pelo Ministério da Saúde.


Lotes da Coronavac com interdição cautelar determinada pelo Ministério da Saúde - Foto: Reprodução/Diário Oficial da União

Na semana passada, circulou nas redes sociais em Teresina a imagem de um cartão de vacinação pertencente a uma pessoa que se vacinou aqui na capital com a segunda dose de um dos lotes da Coronavac que constam como interditados pelo Ministério da Saúde. Na ocasião, a FMS informou que estava investigando a suposta aplicação e reiterou que nenhuma das doses suspensas haviam sido aplicadas. Ao confirmar hoje (13) que houve aplicação de doses de um lote suspenso, a FMS não informou se se trata da remessa L202106038, que consta na imagem compartilhada, mas disse apenas que se trata de um lote que foi aplicado anteriormente na capital.


Imagem de vacina com lote suspenso circulou pelas redes sociais em Teresina - Foto: Reprodução/Instagram

A Fundação Municipal de Saúde acrescenta ainda que está identificando e monitorando todas as pessoas que receberam as doses do lote retido para avaliar durante 30 dias a ocorrência de possíveis eventos adversos. A Fundação está seguindo todas as orientações do Ministério da Saúde, que diz que os lotes já distribuídos e/ou aplicados estão sendo rastreados pelas equipes técnicas responsáveis e serão monitorados e controlados até a definição da Anvisa.

A FMS informou que, até o momento, o Ministério da Saúde não encaminhou nenhuma nota recomendando o que deverá ser feito: se a dose terá que ser aplicada novamente em quem recebeu vacina do lote suspenso ou se o paciente pode permanecer com a vacina recebida e concluir seu esquema vacinal sem maiores problemas.

Por meio de nota, a Fundação Municipal de Saúde disse que apenas aplica as doses recebidas que são enviadas pelo Ministério da Saúde, que é quem compra e fiscaliza a qualidade e validade do imunizante. "Quando as doses foram aplicadas não existia nenhuma orientação de suspensão da aplicação de nenhum lote recebido.  Assim que a FMS recebeu notificação de suspensão de aplicação ela imediatamente cumpriu a determinação", diz a nota.


Foto: Jailson Soares/O Dia

Entenda porque os lotes foram retidos

De acordo com a nota técnica do Ministério da Saúde às Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde, os lotes da Coronavac foram retidos e impedidos de serem aplicados porque foram produzidos em um local não autorizado pela Anvisa, o que está em desacordo com todas as normais federais vigentes no Plano Nacional de Imunização. 

A medida nada tem a ver com a eficácia da vacina contra a covid-19, e sim com problemas técnicos do momento de sua fabricação e envase. O local onde as vacinas foram produzidas é que não tinham ainda o selo da Anvisa.

A interdição dura até que o Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária vistoriem o laboratório e, caso não seja encontrada nenhuma irregularidade, ele recebe o selo da Anvisa e os imunizantes são liberados.

A FMS reforçou que está monitorando todos os teresinenses que receberam vacina do lote suspenso pelo Ministério e que aguarda uma nova orientação do órgão sobre como proceder. Essa orientação dependerá do resultado da vistoria junto ao laboratório que produziu esta leva dos imunizantes.

Compartilhar no

É permitida a reprodução deste conteúdo (matéria) desde que um link seja apontado para a fonte!


Deixe seu comentário