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Transferência de venezuelanos gera conflito entre tribos rivais

Prefeitura alocou no mesmo alojamento grupos de diferentes origens o que gerou desentendimento entre eles.

04/07/2019 10:39h - Atualizado em 04/07/2019 13:16h

A transferência de venezuelanos refugiados para o Centro Social Urbano (CSU) do bairro Buenos Aires, na zona Norte de Teresina, parecia resolver o impasse gerado pela distribuição dos grupos entre os cinco abrigos que recebiam assistência do Poder Municipal. O que as autoridades governamentais não esperavam era que a chegada de pessoas pertencentes a uma mesma etnia indígena, a Warao, mas de regiões distintas, pudesse gerar conflitos entre os refugiados.

Indígenas da etnia Warao são transferidos para o Centro Social Urbano do bairro Buenos Aires. (Foto: Assis Fernandes/ODIA)

Na manhã desta quinta-feira (4), cerca de 110 pessoas chegaram ao novo local vindo de três abrigos distribuídos pela capital, localizados na zona Sul, Norte e Centro de Teresina. No entanto, por serem de regiões diferentes da Venezuela, com costumes diferentes e com rivalidades entre si, as tribos se recusaram a ficar no novo espaço, o que ocasionou uma discussão entre os indígenas e preocupou a equipe multiprofissional que acompanhou a transferência.

O cacique de uma das tribos, Guerrero Mendoza, explicou ao ODIA que, por serem de diferentes regiões, os grupos “não são amigos”. “Eu tenho meu grupo a parte. Eu tenho 90 pessoas aqui morando juntas. Eu já tenho um grupo meu, não quero outro. Se não colocar a gente em outro abrigo, eu vou embora”, enfatizou.

Indígenas da etnia Warao são transferidos para o Centro Social Urbano do bairro Buenos Aires. (Foto: Assis Fernandes/ODIA)

Segundo o secretário municipal de Assistência Social, Samuel Silveira, a solução precisa ser bilateral. O Estado está provendo os abrigos e a alimentação para os refugiados e cabe a eles conviverem em harmonia. “Existiam cinco abrigos de uma forma amadora na nossa cidade, e isso dificultava até mesmo o acompanhamento. Não é possível que, em cada divergência de quem quer que seja, a gente tenha que ficar constantemente disponibilizando abrigos. Isso sequer é razoável, porque é recurso público. Então, pedimos apenas que eles convivam”, destaca.

"Pedimos apenas que eles convivam", enfatiza o secretário municipal de Assistência Social, Samuel Silveira. (Foto: Assis Fernandes/ODIA)

Para acompanhar a adaptação dos refugiados ao novo abrigo, a Prefeitura de Teresina contou com o auxílio do especialista em povos indígenas Charles Oliveira. O professor esteve no local conversando com os representantes dos grupos de indígenas e tentou resolver o impasse entre as famílias. “Não temos informações sobre o porquê da rivalidade entre eles. O que estamos fazendo é aprendendo um pouco sobre a cultura e a história deles, porque é uma situação nova tanto para eles, quanto para a gente”, explica.



No CSU, os refugiados contarão com espaços comuns, banheiros e quartos que serão distribuídos entre as famílias que compõe cada grupo. A alimentação, limpeza do local e acompanhamento técnico serão disponibilizados pela Prefeitura de Teresina, por meio da Secretaria Municipal de Cidadania, Assistência Social e Políticas Integradas (Semcaspi). 

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Por: Nathalia Amaral

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