Salário mínimo no Brasil deveria ser de R$ 5,4 mil para cobrir custos básicos

Esse valor deveria cobrir as necessidades básicas das famílias, como transporte, alimentação, educação, saúde e moradia.

01/09/2021 12:17h - Atualizado em 01/09/2021 12:58h

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O projeto da lei orçamentária de 2022, enviado nesta terça-feira (31) ao Congresso Nacional, prevê salário mínimo de R$1.169, um reajuste de R$69, se comparado ao valor atual, que é de R$1.100. Mas, uma pesquisa feita pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o salário mínimo necessário para manter os itens básicos seria de R$5.421,84, quase cinco vezes mais do que o valor pago em 2021.

O economista Fernando Galvão explica que esse valor leva em consideração a Constituição Federal e deveria suprir as necessidades mais básicas, como lazer, transporte, alimentação, saúde, educação, vestuário e moradia.

(Foto: Arquivo ODIA)

“Tudo está reajustado, menos o salário mínimo, que tem três funções básicas: combater a pobreza; combater a desigualdade social e fortalecer o mercado interno de consumo. Quando o salário mínimo se encontra muito defasado em relação aos preços, tudo isso piora. A pobreza aumenta, o mercado interno enfraquece, a desigualdade econômica aumenta”, diz.

Com a alta de itens básicos, como alimentos, combustíveis e energia, a previsão para o INPC em 2021 saltou de 4,3% para 6,2%. Caso a inflação supere a previsão até o fim do ano, o valor do salário mínimo pode ficar ainda maior. 

Com esses R$69 de aumento “se o gás acaba, não cobre nem o gás. A qualidade de vida das pessoas reduz, tem muita gente que vai deixar de usar gás e voltar para o fogareiro, muitas pessoas vão deixar de usar seu transporte devido ao combustível e vai buscar outras formas”, alerta.


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A baixa do salário mínimo também impacta na economia, especialmente agora em meio à pandemia do novo coronavírus. “Nossa capacidade de recuperação se reduz à medida que nosso mercado interno está fragilizando em meio a tanta alta e pouca renda do brasileiro”, comenta Fernando Galvão.

Aumentos pesam no bolso da população

Desde o início da pandemia, apenas por parte da Petrobras houve um aumento de 81% no valor do gás. Com isso, os brasileiros estão pagando cada vez mais para encher o tanque do carro. Em algumas cidades do País, o preço do litro da gasolina já passa dos R$7.

No acumulado deste ano até julho, o preço da gasolina já avançou 27,51%, enquanto o do diesel acumula alta de 25,78%, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).


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De abril de 2020 a abril de 2021, o preço das commodities agrícolas utilizadas na indústria de alimentos variou de 20% a 100%, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia). Insumos como milho, soja e arroz subiram 84%, 79% e 59%, respectivamente, ao longo deste período. O trigo e o leite tiveram alta de 37%, enquanto o café robusta subiu 36% e o açúcar ficou 40%.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação começou a registrar um aumento gradual com a distribuição do auxílio emergencial em 2020.  Desde então, o preço do óleo de soja subiu 87,89% e a batata passou a custar 47,84% a mais.

Medidas poderiam reduzir preços e elevados

De acordo com o economista Fernando Galvão, o Brasil poderia combater os altos preços através de políticas cambiais. “Se o núcleo da inflação é a taxa de câmbio, ou seja, o preço do Dólar em relação ao Real, por meio de políticas cambiais, mas o Banco Central, que hoje é independente, não está mais subordinado aos interesses brasileiros”, acrescenta.

O especialista comenta que o grande responsável por essa carestia que o brasileiro vem enfrentando é em decorrência do preço do Dólar. “Tudo que é importante no Brasil é comprado em Dólar, e como estamos operando a US$5,15, importamos tudo caro, e isso acaba se transferindo para a logística. No primeiro semestre de 2021, a gasolina já aumentou 51%, o diesel 40%, e isso encarece o preço das mercadorias e transportes. Quem é produtor rural, é mais interessante vender para o exterior do que para o Brasil”, pontua o economista. 

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