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Receio de cortes atormentaram universitários

No primeiro semestre, o presidente Jair Bolsonaro anunciou cortes nos orçamentos das universidades federais

31/12/2019 12:45h

No primeiro semestre de 2019, após quatro meses de vigência do novo governo federal, a equipe do presidente Jair Bolsonaro anunciou cortes nos orçamentos das universidades federais. As instituições, corpo docente e discente permaneceram em alerta, sob o risco de verem comprometidos seus serviços, suas atividades e produções acadêmicas.


Relembre

Luziário Silva, o Luze, estava na expectativa de chegar ao patamar de 60% de seu curso superior concluído em 2019. Vindo de uma família de baixa renda do interior do Maranhão, o jovem necessitava de auxílio estudantil para manter os estudos e suas demandas básicas na capital do Piauí, sobretudo porque os pais estavam desempregados.


O estudante Luze Silva, para quem as bolsas universitárias significam a sua permanência na graduação, foi um dos que ficou sobressaltado durante o ano. No entanto, a manutenção dos benefícios o fez ter mais tranquilidade e esperança para o próximo ano.

“Eu basicamente vivia das bolsas que a universidade me oferecia, seja participando de bolsas de pesquisa ou da Praec (Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis e Comunitários). E eu tinha muito receio por conta do contexto político que a gente está vivendo, em imaginar como isso ia garantir ou prejudicar minha permanência dentro da universidade. A verdade é que esse receio me acompanhou durante boa parte do ano e, em virtude desse medo, fui buscando outras possibilidades de permanência. Busquei estágios fora e consegui me integrar à empresa, então visualizo que, daquilo que tinha projetado para o ano, apesar do atropelo e do medo, foi um ano muito produtivo”, descreve o universitário.

(Foto: Elias Fontinele)

Para Luze, as bolsas são tão importantes porque ele é um dos milhares de universitários que adentram à universidade sem ter nenhum aporte financeiro da família. Oriundo do Maranhão, sua dependência em Teresina é custeada por si mesmo.

Na Ufpi, ele recebe uma bolsa de auxílio residência, que o acompanhará até o final da graduação, e também possibilita acesso ao restaurante universitário. “Hoje eu até faço parte, voluntariamente, de um grupo de pesquisa dentro da universidade, a gente tenta continuar produzindo artigos, eventos, porque basicamente não nos vimos tendo aporte financeiro, esse ano foi muito disso”, relembra.


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As universidades públicas, entretanto, são responsáveis por 95% da produção científica brasileira, segundo o relatório “Research in Brazil”, realizado pela empresa americana de análise de dados Clarivate Analytics, divulgado em 2017.

De acordo com dados da Web of Science, plataforma internacional de indexação de citações científicas da Clarivate Analytics, em 2019, das 50 instituições que mais publicaram pesquisas científicas no Brasil, 44 são universidades (36 federais, 7 estaduais e 1 particular), 5 são institutos de pesquisa e um é instituto federal de ensino técnico.

Por: Glenda Uchôa - Jornal O DIA

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