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Aumento do custo de vida penaliza mais pobres

Noemia dos Anjos estava desempregada em 2018 e sem perspectivas de melhoras

31/12/2019 10:07h - Atualizado em 31/12/2019 13:09h

Seis realidades distintas se cruzaram no final do ano de 2018 para prospectar os próximos 365 dias. Eles foram a voz de grande parte da população que, assim como eles, esperava melhores oportunidades de emprego, transporte público de qualidade e recuperação da economia ao ponto de consolidar e ampliar negócios. Eles também sonhavam em deixar a zona de vulnerabilidade social, de concluir seus estudos sem percalços e de se aposentar de forma justa. Todavia, os sentimentos se misturavam. As palavras esperançosas se confundiam com o receio do que estava por vir; talvez um medo maior de que tudo continuasse como estava, ou quiçá pior. Então, um ano se passou. A reportagem de O DIA revisitou essas pessoas. Alguns personagens não são mais os mesmos, porém, mantivemos a essência daquilo que eles nos relataram. Nas páginas a seguir, você descobrirá como foi o ano de 2019 delas.


Relembre

Moradora da zona Norte de Teresina, Noemia dos Anjos Silva, de 54 anos, estava desempregada em 2018 e sem perspectivas de melhora. Mãe solteira, ela cuidava de uma filha deficiente e de outra que ainda não tinha conseguido se inserir no mercado de trabalho. Ela se queixava da alta dos preços dos alimentos e das dificuldades em conseguir emprego.


Passado um ano desde que a equipe de reportagem de O DIA visitou Noemia dos Anjos Silva, ela revela que sua renda não mudou. Mas os custos dos serviços básicos, sim. Desempregada por precisar cuidar da filha em tempo integral, ela continuou a ter como fonte de renda a quantia que recebe do programa Bolsa Família e a aposentadoria da filha. Porém, os custos de vida para manter serviços básicos, como saúde, alimentação, energia e abastecimento d’água, mudaram; e para pior. Nas palavras da dona de casa, “falta tudo” e, um ano, ela diz que não melhorou.

A sensação ruim que a dona de casa ressalta é também comprovada por números. A extrema pobreza subiu no Brasil e já soma 13,5 milhões de pessoas sobrevivendo com até R$ 145 mensais. O contingente é recorde em sete anos da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

(Foto: Elias Fontenele/ODIA)

A alta do desemprego, os programas sociais mais enxutos e a falta de reajuste de subvenções, como o Bolsa Família, aumentam o fosso dos mais pobres no país. O indicador de pobreza do Bolsa Família, por exemplo, é de R$ 89, abaixo do parâmetro de R$ 145 utilizado pelo Banco Mundial.

“A gente se vira como pode, a carne subiu, o frango subiu, peixe, tudo subiu. Como é que a gente vai passar com um salário com isso tudo? A alimentação tá difícil, mas falta tudo. Se eu disser que falta só alimentação, eu estou mentindo, porque falta roupa, calçado, remédio, falta tudo”, considera Noemia.


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Pobreza é fio condutor para violência, avalia cientista social

Para o cientista social da Universidade Federal do Piauí (UFPI), Arnaldo Eugênio, a pobreza não só impacta a população mais pobre, como também é o fio condutor para uma sociedade mais violenta, que penaliza a vida de todos.

“À medida que o Brasil entrou em crise, a partir de 2013 até 2016, também aumentou a violência. Isso porque a crise econômica faz com que a sociedade fique ainda mais dividida, faz com que o fosso das vulnerabilidades aumente ainda mais, então, você vai ver, em consequência, mais suicídios, mais crimes violentos, mais dificuldade”, considera.

(Foto: Arquivo/ODIA)

Para Noemia, em 2018, a perspectiva de um ano melhor estaria na garantia da continuidade dos auxílios que recebe, bem como na redução dos preços para o consumo de alimentos, além da possibilidade da filha conseguir uma ocupação.

Em 2019, apenas os benefícios continuaram sendo garantidos, as demais expectativas foram frustradas.

Por: Glenda Uchôa - Jornal O DIA

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