Covid-19: FMS inicia vacinação de indígenas venezuelanos em Teresina

Ao total, foram vacinados 134 indígenas, que residem nos três abrigos localizados em Teresina.

05/04/2021 10:20h - Atualizado em 05/04/2021 10:37h

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A Secretaria Municipal de Cidadania, Assistência Social e Políticas Integradas (Semcaspi), em parceria com a Fundação Municipal de Saúde (FMS), iniciou na manhã deste domingo, (04), a vacinação contra a Covid-19 em indígenas de etnia Warao, refugiados da Venezuela. Ao total, foram vacinados 134 indígenas, que residem nos três abrigos localizados em Teresina.


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A ação é resultado da articulação entre o Governo do Piauí, por meio da Secretaria Estadual de Saúde do Piauí (Sesapi), e da Prefeitura de Teresina, pela FMS e pela Semcaspi.

Foto: Divulgação/Semcaspi

De acordo com a secretária da Semcaspi, Eliana Lago, a vacinação para este grupo prioritário era aguardada, por garantir a saúde e reduzir a transmissibilidade da Covid-19 entre as famílias indígenas.

“Estávamos aguardando por este momento e o grande dia chegou. Iniciamos a vacinação contra a Covid-19 na população indígena vinda da Venezuela. Na nossa gestão, temos buscado orientar e conscientizar estas famílias indígenas sobre os riscos desta doença, disponibilizando os equipamentos de proteção individual e informando sobre a importância da vacina. Com o acesso à fake news, alguns indígenas já chegaram a nos questionar sobre a eficácia da vacina e estamos buscando combater todas estas desinformações nos abrigos, o que tem garantido a aceitação ampla neste grupo”, esclareceu.


Foto: Divulgação/Semcaspi

Segundo Gilberto Albuquerque, presidente da FMS, as famílias refugiadas da Venezuela estão sendo imunizadas por fazerem parte de um grupo prioritário definido pelo Governo Federal, que são os indígenas.

“Como o Ministério da Saúde definiu os indígenas como grupo prioritário para serem vacinados contra a Covid19, os venezuelanos que residem nos abrigos de Teresina se enquadram neste grupo, por serem exatamente indígenas da etnia Warao, por isso que eles tiveram esta prioridade”, explicou Gilberto Albuquerque.

Em Teresina, há três abrigos que receberam os indígenas, refugiados da Venezuela e estão localizados nos bairros: Buenos Aires; Poti Velho; e na BR 343, no prédio do Emater.

Vacinação nos abrigos

Os três abrigos, que residem os indígenas refugiados da Venezuela, receberam a equipe da Fundação Municipal de Saúde para a aplicação da primeira dose da vacina contra a Covid-19. A vacinação teve início no abrigo do Bairro Buenos Aires, imunizando um total de 42 indígenas só na manhã desse domingo, (04).

Para o coordenador do abrigo do Buenos Aires, Santiago Oliveira, a imunização dos indígenas representa segurança não só entre as famílias que vivem nos abrigos, mas também aos trabalhadores que lidam com este grupo diariamente.

“Apesar da orientação sobre a proteção individual e coletiva contra a Covid-19 ser constante, a gente observa que dentro dos abrigos eles têm uma certa resistência em usar máscara e fazer a higienização adequada. Com a imunização deste grupo, nos tranquiliza bem mais por proporcionar maior segurança e menos riscos de contágio da doença”, pontuou.

Iolanda Costa, coordenadora do abrigo do Bairro Poti Velho, destaca que dentre os casos de Covid-19 registrados nos abrigos, nenhum dos adoentados tiveram agravamentos ou mesmo morte.

“Os indígenas da Venezuela que foram acometidos pela Covid-19 tiveram sintomas leves e se recuperaram bem. A vacinação nos abrigos é de fundamental importância, visto que um dos trabalhos realizados nos abrigos é a manutenção da saúde deste grupo e a imunização com a vacina, contra a Covid-19, vai fortalecer nosso trabalho neste processo”, finalizou.

A coordenadora do abrigo Emater, Lílian Gabriela, ressalta que a vacinação contra a Covid-19 para o grupo indígena vindo da Venezuela é necessária porque muitos já chegaram em Teresina doentes, por falta de atendimento de saúde no país de origem.

“Estamos bastante felizes com esse momento, que tanto aguardávamos, assim como eles também. A vacinação tem sido aceita como esperança na vida, como esperança na Ciência, no SUS. Se para nós, é um cenário desolador estar longe desse contato físico e toda a rotina que tínhamos antes da pandemia, para os Warao, é muito complicado, porque o coletivo é algo que faz parte da sua forma de ver o mundo. É algo que pertence ao sistema sociocultural, na concepção de doença, cura e morte”, relatou.

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