Após determinação de retorno às aulas, professores discutem sobre greve em Teresina

De acordo com o Sindserm, existem cerca de 320 unidades de ensino e a maior parte delas não está preparada para retorno presencial

28/09/2021 13:09h

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O Sindicato dos Servidores do Município de Teresina (Sindserm) irá se reunir virtualmente amanhã (29), às 16h, para discutir a respeito da volta às aulas presenciais e tratar sobre a continuidade da greve sanitária que vem ocorrendo desde o dia 16 de agosto, mantendo o ensino de forma remota.

A greve sanitária 'em defesa da vida' vem ocorrendo desde o mês de agosto. (Foto: Arquivo O Dia)

A decisão pela Assembleia Geral se deu após o Dr. Pessoa (MDB), prefeito de Teresina, publicar um decreto que determina o retorno imediato às aulas presenciais.  Além disso, o Ministério Público do Estado do Piauí também determinou que o Comitê de Operações Emergenciais do Piauí (COE), adote providências a fim de permitir o retorno de 100% do ensino presencial a partir do mês de outubro de 2021. 

De acordo com Sinésio Soares, presidente do Sindserm, existem cerca de 320 unidades de ensino e a maior parte delas não está preparada para retorno presencial, mesmo existindo as diretrizes e protocolos de seguranças contra a Covid-19 no decreto publicado pelo prefeito. 

Sinésio Soares, presidente do Sindicato dos Servidores do Município de Teresina. (Foto: Arquivo O Dia)

“Verificamos que não houve nenhuma adequação importante nas escolas para que tenha segurança sanitária. A prefeitura publica, mas não envia recursos para as escolas. Nós fizemos uma pesquisa e quando informamos a secretaria, em vez de eles tomarem providências, fazerem testagem e colocarem os equipamentos que pedimos, ficou pior. Tem locais que não têm absolutamente nada. Na prática, das 320 escolas, a imensa maioria não tem segurança sanitária”, explica Sinésio Soares.

O presidente do Sindicato afirma ainda que os servidores da educação realizaram uma denúncia no Ministério Público do Trabalho (MPT), onde eles argumentam a respeito da falta de segurança sanitária através de fotos e vídeos.

“Temos fotos e vídeos que mostram a falta de treinamento dos seguranças das escolas, além de crianças dentro da sala de aula sem máscara, as próprias mães e professores sem máscara também. Ontem nós entramos com uma denúncia no MPT, trazendo nossas  argumentações sobre a falta de segurança, pois o decreto autoriza, mas que seja dentro das medidas e diretrizes que eles mesmo publicaram”, comenta.

Escolas não têm equipamentos para seguir medidas de segurança sanitária, afirma Sindserm. (Foto: Arquivo O Dia)

Sinésio Soares ressalta ainda a importância das testagens para Covid-19 visto que muitas pessoas não sabem que estão contaminadas e podem disseminar o vírus no ambiente de trabalho. O mesmo afirma que a prefeitura de Teresina se negou a investir nas testagens dentro das escolas. “Os secretários afirmam que não irão realizar as testagens, para nós isso é um absurdo! Nós estamos correndo um risco muito grande”, destaca.

“Professores estão sendo massacrados pelas aulas remota”, diz Sindserm

Sinésio Soares conta que, de maneira remota, os servidores da educação trabalham além da sua carga horária e estão sobrecarregados. “Estamos ansiosos para a volta às aulas presenciais, os professores estão sendo massacrados pelas aulas remotas, perderam privacidade, trabalham além do horário e tudo mais”, esclarece.

Professores querem retorno seguro às salas de aula. (Foto: Arquivo O Dia)

Para o Sindicato dos Servidores do Município de Teresina, as aulas presenciais são mais eficientes, entretanto, a modalidade de ensino só deve retornar quando for realmente seguro para os professores e alunos. 

"Não existem dúvidas de que as aulas presenciais são mais eficientes, mas sem arriscar a vida das pessoas e da própria cidade. Nós já perdemos muita gente e não tem como perdemos mais ninguém, nem colocar as crianças e os pais em risco”, finaliza. 

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Edição: Ithyara Borges

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