"Permitiria ao eleitor ver seu voto", lamenta Iracema Portella sobre PEC do voto impresso

Dentre os deputados federais favoráveis ao projeto estão, Iracema Portella (Progressistas), Júlio César (PSD) e Marina Santos (Solidariedade).

11/08/2021 12:06h

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Dos 10 deputados federais que compõem a bancada piauiense, somente três votaram a favor do projeto de voto impresso , votado e rejeitado pela Câmara Federal na noite deste terça-feira (10).  A PEC do Voto Impresso foi arquivada após receber 229 votos e não atingir o limite de votos favoráveis (308). Dentre os deputados federais favoráveis ao projeto estão, Iracema Portella (Progressistas), Júlio César (PSD) e Marina Santos (Solidariedade). 

A parlamentar do Progressistas justificou seu voto em apoio à PEC como sendo um sistema favorável para que a população possa ver seu voto impresso, o que daria mais segurança ao processo. Além disso, Iracema Portella acrescentou que não vê problemas nessa prática, mas que a democracia deve prevalecer. 

“Nosso sistema eleitoral já é muito bom e seguro, mas votei a favor porque considero que não haveria problema em oferecer mais uma segurança. Durante este período em que a questão foi levada a debate, vimos que muitas pessoas gostariam que houvesse o voto impresso. É importante que se diga que não seria a volta da cédula eleitoral, mas sim um novo sistema que permitiria ao eleitor ver o seu voto após concluir a votação. Não vejo problema. Na votação de ontem em plenário prevaleceu a vontade da maioria, a democracia é isso”, disse.

(Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados)

O deputado Júlio César (PSD), também favorável ao projeto, destacou que vê uma ação como uma de transparência dos votos nas eleições. Contudo, o parlamentar reforçou que há outros projetos com maior importância econômica que devem ser priorizados.

“Vejo a questão do voto auditado como mais uma forma de transparência nas eleições. É um direito do eleitor que votou. Também não acredito em manipulação das nossas urnas eletrônicas. Só não vejo a necessidade de todo esse movimento para a votação dessa PEC sendo que pautas de reformas e de importância econômica ficam travadas”, Júlio César.

A deputada Marina Santos (Solidariedade) ressaltou que o voto auditável traria mais segurança para a democracia e que o processo de votação poderia ser melhorado através do voto impresso.

“Nada é tão bom que não possa ser melhorado. Com o sistema eleitoral não é diferente. A questão do voto auditável iria trazer uma segurança a mais para nossa democracia. O voto eletrônico continuaria acontecendo, mas teria uma comprovação em caso de necessidade. Entendo como um aperfeiçoamento do processo de votação, por isso votei a favor”, acrescentou.

Maioria da bancada piauiense comemora arquivamento da PEC do Voto Impresso

Os sete deputados que votaram contra a medida foram: Átila Lira (Progressistas); Fábio Abreu (PL); Flávio Nogueira (Sem partido); Marcos Aurélio Sampaio (MDB); Margarete Coelho (Progressistas); Merlong Solano (PT) e Rejane Dias (PT).

A deputada federal e primeira-dama do Piauí, Rejane Dias, usou suas redes sociais para comemorar o arquivamento do projeto. A parlamentar destacou que o resultado foi uma resposta do Brasil à democracia. 

“Com nossa luta e nosso voto, a Câmara acaba de derrubar a proposta de voto impresso, alvo de intensa ofensiva do presidente Jair Bolsonaro contra o Congresso e contra o Supremo. O Brasil deu uma resposta à altura pela democracia! O Brasil real tem outras prioridades. A gente precisa de mais vacinas, mais empregos, mais projetos sociais, mais auxílios às camadas mais vulneráveis e, acima de tudo, mais liberdade. A nossa luta pela democracia é constante, diária e inegociável!”, disse.

Para o deputado federal do PTD, Flávio Nogueira, a votação impressa seria um retrocesso para o sistema político eleitoral. “Querer o voto impresso é optar pelo anacronismo. Podemos até aprimorar, ainda mais, o modo de votação. Nunca retroceder", 

PEC do Voto Impresso

A PEC do voto impresso já havia sido rejeitada na comissão especial da Câmara no último dia 05 de agosto, por 23 votos a 11. Ainda assim, foi levada para votação em plenário. Agora, com a rejeição em plenário, a PEC será arquivada. Com isso, o formato atual de votação e apuração, utilizando as urnas eletrônicas, deverá ser mantido nas eleições do próximo ano.

A obrigatoriedade da impressão de cédulas físicas nas eleições, plebiscitos e referendos consta na PEC 135 de autoria da deputada Bia Kicis (PSL-DF). A proposta teve apoio de 229 deputados, mas precisava de, pelo menos, 308 votos para ser aprovada. Ao todo, foram 448 votos computados, um parlamentar se absteve da votação e 218 rejeitaram a proposta.

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