Namorada de lutador foi orientada a mentir sobre causa da morte no hospital

Caso Jonas Andrade: de acordo com o delegado, um enfermeiro e um radiologista tentaram reanimar a vítima, mas não acionaram o SAMU em nenhum momento.

12/05/2021 10:35h - Atualizado em 12/05/2021 11:19h

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O delegado Menandro Pedro, titular do 7º Distrito Policial de Teresina, ouviu nesta terça-feira (11) a namorada do lutador Jonas de Andrade Carvalho Filho, conhecido como Guerreiro da Luz, que morreu enquanto participava de um evento de luta clandestino em Teresina no último dia 24 de abril. Em seu depoimento, ela disse que os dois profissionais da saúde que assistiam ao evento e que prestaram socorro a Jonas antes de levá-lo ao hospital orientaram-na a dizer aos médicos que ele havia caído da moto e batido com a cabeça no chão, e não que participava de um evento de luta.


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Vale lembrar que o evento, que reunia cerca de 300 pessoas, acontecia em desobediência ao decreto estadual e municipal que proíbe aglomerações e realização de eventos esportivos e sociais em tempos de pandemia. Os participantes, afirmou o delegado, estavam cientes disso e mesmo assim descumpriram as determinações do poder público.

De acordo com Menandro, os dois profissionais da saúde que assistiam ao evento ainda passaram mais de meia hora tentando reanimar Jonas, mas sem sucesso. Eles mesmos levaram-no ao hospital sem acionar uma ambulância. "Eu procurei o SAMU e não tem nenhum registro de pedido de socorro ao local onde acontecia o evento no momento em que se deu o fato. Quer dizer, nem um socorro eles chamaram, porque sabiam que o que fazia lá era ilegal", disse o delegado.


O delegado Menandro Pedro preside o inquérito sobre a morte do lutador Jonas Andrade - Foto: O Dia

A polícia está de posse de imagens de Jonas chegando ao hospital desmaiado com os dois profissionais de saúde que o socorreram no evento. Segundo ele, tratam-se de um enfermeiro e um radiologista. Os dois já foram indiciados no inquérito. Além deles, a polícia também já indiciou esta semana o empresário que organizada o evento, o árbitro e o lutador adversário de Jonas.

Os crimes pelos quais eles devem responder são contra a saúde pública pela realização do evento em dissonância com as determinações legais do momento de pandemia. No entanto, eles também podem responder por homicídio culposo, quando não há intenção de matar, por conta da morte de Jonas. Mas para isso, a polícia precisa estar de posse do laudo cadavérico do lutador.


Jonas de Andrade Carvalho Filho morreu ao participar de evento de luta clandestino em Teresina - Foto: Arquivo Pessoal

Esse laudo foi solicitado pelo delegado Menandro Pedro assim que o inquérito foi aberto, ainda no dia 25 de abril. No entanto, até esta quarta-feira (12), ainda não havia sido encaminhado pelo Instituto de Criminalística. O delegado cobra do instituto celeridade na entrega do documento, porque, segundo ele, só falta isso para que o inquérito seja concluído e remetido à justiça.

"Eu preciso desse laudo para poder terminar o trabalho de investigação. Já ouvi quase todo mundo que tinha para ouvir, só falta colher mais quatro depoimentos e esse laudo é de suma importância para a comprovação do crime que estamos apurando", afirmou o delegado. A polícia tem até o dia 26 de maio para fechar o relatório de investigação e repassar ao Ministério Público, que vai se posicionar ou não pelo oferecimento de denúncia à Justiça.

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