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Casa de Custódia tem 2º assassinato na semana e Sinpoljuspi faz alerta

Isaías Gonçalves Rodrigues, 25 anos, foi encontrado com marcas de enfocamento no pescoço.

03/05/2019 16:59h

Um detento identificado como Isaías Gonçalves Rodrigues, 25 anos, foi encontrado morto na Casa de Custódia, na manhã desta sexta-feira (3). Segundo os agentes penitenciários que encontraram o corpo, a vítima tinha marcas de enforcamento no pescoço.

O crime ocorreu na cela 19 do pavilhão C. Segundo Kleiton Holanda, presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Piauí (Sinpoljuspi), o espaço tem capacidade para receber apenas dois detentos, no entanto, havia 12 presos na cela. Com o assassinato de um, ficaram 11.

Isaías Rodrigues estava preso desde agosto de 2017, tendo sido condenado pelos crimes de homicídio e roubo.

Só esta semana este já é o segundo homicídio que ocorre no presídio. Na última terça-feira, o corpo de Clemilton Alves Pereira, de 20 anos, foi encontrado dentro de uma lixeira do pavilhão B da Casa de Custódia Professor José Ribamar Leite.

Só este ano, já ocorreram quatro assassinatos no sistema prisional piauiense, três deles na Casa de Custódia. 

É o segundo homicídio que ocorre na Casa de Custódia em três dias (Foto: Elias Fontinele / Arquivo O DIA)

O Sinpoljuspi denuncia que os problemas de superlotação, escassez de servidores e precariedade estrutural dos presídios formam um tripé que torna o sistema prisional piauienses um dos mais caóticos do Brasil.

A Casa de Custódia tem capacidade para 330 presos, mas possui hoje 1.150 internos. Só no pavilhão C, onde ocorreu o homicídio desta sexta-feira, a capacidade é para 66 presos, abrigando atualmente 184 detentos. 

"Enquanto isso, há um corpo funcional de apenas 12 agentes por plantão. É humanamente impossível que esse efetivo de servidores consiga fiscalizar um presídio do tamanho da Casa de Custódia, com essa quantidade de presos", denuncia o presidente do sindicato.

Kleiton afirma que o governo precisa nomear imediatamente os 50 classificados que já fizeram o curso de formação, além de convocar outros 166 aprovados para iniciar o curso.

"Essas nomeações devem ocorrer para, pelo menos, minimizar essa crise no sistema prisional do estado, onde ocorrem fugas, assassinatos e outros crimes com frequência", argumenta Kleiton Holanda.

O Sinpoljuspi ressalta que o orçamento da Secretaria de Justiça aumentou quatro vezes na comparação entre 2018 e 2015. No entanto, segundo Kleiton Holanda, esse salto não refletiu no aumento dos investimentos realizados no sistema. 

"Não é falta de recursos financeiros. Está faltando mesmo é vontade por parte do estado para resolver essa crise, que coloca o Piauí sempre na lanterna das políticas públicas deste setor no país", opina o dirigente sindical.

Superlotação seria causa de homicídios

O Sinpoljuspi acredita que alguns dos assassinatos que têm ocorrido em penitenciárias do estado não têm como motivação um acerto de contas ou brigas entre os detentos, mas sim o fato de as unidades estarem superlotadas. Os presos que estão há mais tempo nas unidades estariam assassinando os que entraram mais recentemente, como forma de reduzir a superlotação. 

Kleiton Holanda também critica a impunidade nos casos de homicídios que ocorrem dentro dos presídios do Piauí. "É preciso que a Polícia Civil investigue esses crimes, os culpados sejam identificados, denunciados pelo Ministério Público, julgados pela Justiça e devidamente punidos. Mas isso nunca acontece", denuncia o presidente do Sinpoljuspi. 

Por: Cícero Portela

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