Sorte ou destino: qual a probabilidade de o amor acontecer?

Apesar de ser possível, calcular a probabilidade de encontrar a alma gêmea no mundo é uma questão muito maior que números: envolve afetividade e disposição.

11/06/2017 08:41h - Atualizado em 11/06/2017 08:57h

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Buenos Aires, 28 de dezembro de 2009. Ele paulistano e ela piauiense. Denise define o encontro como uma cena de filme e fala em destino. Já Luiz Felippe acredita que foi sorte. A despeito do que os levou até aquele baile de tango exatamente na mesma noite, uma coisa eles não podem negar: estavam no lugar certo, na hora certa. A prova: oito anos depois seguem juntos e mais unidos do que nunca.

Denise Moura e Luiz Felippe Rodrigues se conheceram em uma milonga de uma forma um tanto quanto inesperada. Nada foi planejado. Nem mesmo o adiamento da viagem feito ao mesmo tempo pelos dois, sem nem se conhecerem ainda. “A princípio eu iria viajar para Buenos Aires em julho de 2009, mas com o surto de gripe suína na Argentina o governo brasileiro pediu para que aqueles que tivessem viagem marcada, adiassem. E assim eu remarquei para o Natal. O Luiz Felippe também iria em julho, mas acabou adiando pelos mesmos motivos”, explica Denise.

Ela recorda que na noite em que conheceu Luiz Felippe, havia pedido ao taxista em Buenos Aires que a levasse, junto com umas amigas, a algum lugar para dançar. Ele as deixou em uma boate, mas a vontade mesmo era conhecer um baile de tango. Denise, então, embarcou em outro táxi e acabou indo parar na Milonga Parakultural, onde tudo começou.

“Nossas mesas eram uma ao lado da outra, mas não sabíamos, ainda, que os dois eram brasileiros. Eu fui até a mesa da Denise e a chamei para dançar e assim começou nossa história”, lembra Luiz Felippe. Eles, então, combinaram de se encontrar no dia seguinte. Uma amiga de Denise foi quem anotou o endereço em um guardanapo.

No local marcado, por pouco os dois não se desencontraram. Tanto Denise quanto as amigas saíram por alguns minutos justamente na hora em que Luiz Felippe chegou. “Parei para tomar um refrigerante e fiquei pensando no que faria, até que a Denise e as amigas chegaram todas ao mesmo tempo”, diz ele. E Denise completa: “parecia cena de filme”.

A partir de então, nunca mais se separaram. Com ele morando em São Paulo e ela em Teresina, os dois ficavam constantemente planejando como se encontrar. Foram três anos voando para se verem, incluindo ainda um ano em que ele esteve na Inglaterra a trabalho.


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Nessas horas a tecnologia se tornou uma boa aliada. O casal usava o Skype como meio para manter contato e se fazerem presentes na vida um do outro, como diz Luiz Felippe: “Chegamos a um ponto em que deixávamos o Skype ligado e ficávamos simplesmente trabalhando, cada um nas suas coisas, curtindo a companhia um do outro a milhares de quilômetros de distância”. Assim como ele, Denise encarava a distância pelo lado bom: “Cada vez que a gente ia se encontrar, era uma oportunidade de conhecer um lugar novo”.

Hoje, oito anos depois do primeiro encontro, o novo endereço do casal é a Inglaterra. Denise e Luiz Felippe são pesquisadores, ela na área da Comunicação e ele, astrofísico. Eles comentam que a vida acadêmica em comum acabou lhes dando a flexibilidade para que um acompanhasse o outro nas andanças pelo mundo.

Sorte ou destino, Luiz Felippe finaliza: “Ter encontrado minha metade nessas circunstâncias só me faz sentir mais afortunado e traz um senso de responsabilidade, de ter que aproveitar ao máximo o precioso e raro”.

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Estatística

"Será que é possível de repente, descobrir o tipo de que você gosta, mesmo quando se acha que nem tem um tipo?".  A frase é do livro A Probabilidade Estatística de Encontrar o Amor à Primeira Vista, de Jennifer E. Smith, que conta a história de Hadley e Oliver, dois jovens que se conhecem por acaso no aeroporto de Nova York, após ela perder seu voo por conta de um atraso de quatro minutos. Os dois acabam se apaixonando.

"As pessoas que se encontram em aeroportos têm 73% mais chance de se apaixonarem que as pessoas que se encontram em outros lugares. E as pessoas que se encontram pelo menos três vezes de maneiras diferentes em menos de 24 horas tem 98% de chance de se encontrarem de novo”, diz uma outra passagem do livro. Mas será que esses cálculos e probabilidades realmente dão certo? Será que conhecer a pessoa certa é mesmo uma questão de números?

Para o estatístico Stênio Rodrigues, esta é uma situação bastante complexa e relativa. Pode até ser apreendida pelos números, mas exige outros fatores, como o grau de compatibilidade, a afetividade, a orientação sexual e o espaço amostral. “Temos que ter em vista que possuímos um universo de mais de sete bilhões de pessoas no mundo. Primeiro nós devemos estabelecer uma amostra, pois as chances de encontrar alguém compatível, em meio a esse número, se tornam muito pequenas. Depois, não podemos descartar que as relações são muito subjetivas e que as convivências diárias afetam profundamente num estudo desta natureza”, é o que explica Stênio.

Outro fator que segundo o estatístico poderia influenciar na probabilidade de encontrar alguém compatível, em um estudo hipotético, é o modo como as pessoas demonstram a afetividade. Pessoas que geralmente expõem aquilo que sentem de forma mais aberta e se mostram disponíveis, têm oportunidades maiores de poder ver seus anseios correspondidos, logo, aumentam as chances de um encontro com alguém que lhe seja ideal.

Alma gêmea: compatibilidade nas relações

Sob o olhar da Astrologia, encontrar a pessoa certa ou alguém que seja cem por cento compatível com nosso gostos e anseios não é algo muito possível no mundo concreto. Embora muitas pessoas busquem aquilo a que chamam de “alma gêmea”, somente uma pessoa pode nos compreender e nos completar totalmente: nós mesmos.

É isso que explica o astrólogo Marcos Roberto Kusnick, para quem a alma gêmea é uma pessoa da qual nós precisamos na nossa vida, e não exatamente aquela que nós idealizamos. “É claro que sempre procuramos pessoas que nos complementam, que possam nos ajudar a nos compreender tanto do ponto de vista sentimental, quanto emocional e sexual. Quando nós buscamos a alma gêmea, estamos buscando a compatibilidade, pessoas que atendam a nossas necessidades e aspirações. Mas há uma tendência à idealização que acaba colocando em segundo plano os desafios da construção do relacionamento”, diz o astrólogo.

E se engana quem pensa que essa compatibilidade não pode ser medida ou que ela acontece ao acaso. Na visão da Astrologia, tudo tem um propósito que vai além do simples romantismo. E é possível mostrar que existem fatores na nossa vida que nos permitem desenvolver nossa personalidade-alma, e um deles é o relacionamento amoroso. Ou seja, quando amamos, exercitamos nossa vontade de construir uma relação saudável e manter a compatibilidade de modo a nos tornarmos pessoas mais completas e felizes.

A Teoria Kardecista afirma que as relações entre as pessoas são definidas com base em dois fatores: o da atração e o da repulsão. Apesar de isto ser tido como uma lei universal, o que vai falar mais alto é o livre arbítrio, ou seja, vai depender da própria pessoa decidir se daquele momento em diante, quando acontece o encontro, vai querer levar a relação para o lado amor afetivo, se vai levá-la para a simples amizade ou se não vai ter relacionamento nenhum.

Marcos Kusnick explica que não existe uma fórmula que, ao ser aplicada, vai nos levar até a nossa alma gêmea ou trazê-la até nós. O que a Astrologia vai fazer, de acordo com ele, é fornecer uma perspectiva de como as pessoas podem desenvolver melhor seus relacionamentos a partir das características de sua personalidade-alma. O meio para isso é o Mapa Astrológico.

Na perspectiva do saber astrológico, o Mapa Astral mostra mais do que a posição do céu no momento no nascimento de cada pessoa. Ele funciona como uma espécie de diagrama que é único para cada um, como se fosse um DNA. “As pessoas tendem a acreditar que sabendo seu signo e o da outra pessoa, vão poder traçar todo o caminho para que no final fiquem juntos, mas não é bem assim que a Astrologia trabalha. A partir da comparação dos mapas, vai ser possível saber como aquele casal funciona, se eles podem ter uma relação boa, se teriam sucesso em uma parceria profissional, por exemplo”, diz Marcos.

O astrólogo acrescenta que nesse sentido é que o mapa astrológico acaba revelando diversos aspectos da personalidade e da afetividade das pessoas, ajudando a perceber se aquele casal tem um nível de compatibilidade alto ou tenso.

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Por: Maria Clara Estrela

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