Piauí tem o menor percentual de gente empregada dos últimos 8 anos

Menos da metade da população apta a trabalhar no Piauí em 2020 tinha alguma ocupação profissional. Quantidade de mão de obra também diminuiu.

10/03/2021 11:01h

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Pandemia, isolamento social, aumento do desemprego e diminuição das oportunidades de trabalho. É este o cenário que o Brasil como um todo vem vivendo ao longo do último ano e aqui no Piauí, a situação não é diferente. O Estado atingiu em 2020 o menor percentual de pessoas empregadas dos últimos 8 anos. É isto o que aponta a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua) do IBGE, divulgada hoje (10).

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Em 2020, menos da metade das pessoas em idade de trabalhar tinham alguma ocupação remunerada no Piauí. Apenas 43,6% da população piauiense apta a exercer alguma função profissional estava economicamente ativa no ano passado. Este é o menor patamar já alcançado pelo estado desde 2012.


Foto: O Dia

Para efeito de comparação, o maior nível de ocupação no Piauí na série história da pesquisa foi registrado em 2014, quando 55,9% das pessoas com 14 anos ou mais de idade tinham algum trabalho remunerado. Desde então, esse índice veio sofrendo quedas sucessivas até 2018, tendo subido em 2019 para 49,5%. Em 2020, ele voltou a reduzir em razão da crise sanitária que afetou a economia do país. 

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A redução nos últimos 8 anos da taxa de pessoas ocupadas no Piauí foi de 18,7%. A nível de Brasil, a situação não muda muito. O país também registrou o pior indicador em 2020, com apenas 25,9% das pessoas de 14 anos ou mais de idade ocupando algum posto de trabalho. A redução de 2012 a 2021 foi de 13,3% em todo o Brasil.

O estado de Alagoas responde pelos piores índices com apenas 35,9% de sua população apta a trabalhar exercendo alguma função empregatícia no ano passado. Na contramão está o Mato Grosso, onde 58,7% da população em idade de trabalhar possuía uma ocupação remunerada. 


Foto: O Dia

Quantidade de mão de obra disponível no mercado cai 13% no Piauí

Além de trazer dados preocupantes a respeito empregabilidade no Piauí, a Pnad Contínua do IBGE mostrou também que a força de trabalho no estado também vem caindo. No Piauí, a proporção de trabalhadores que disponibilizam mão de obra no mercado caiu de 57,6% em 2012 para 50% em 2020. A redução foi de 13,2% pontos percentuais. 

Este indicador se refere ao percentual de pessoas empregadas e desempregadas em relação ao total de pessoas em idade de trabalhar no estado. Na série histórica, observa-se que o maior índice de participação na força de trabalho foi registrado em 2014, quando a taxa da população em idade de trabalhar no Piauí chegou a 59,8%. De lá para cá, esse índice caiu 16,3%.

Apenas em 2019 é que houve um ligeiro aumento da força de trabalho disponível no mercado piauiense: a taxa subiu para 56,7% da população, mas em 2020, ela caiu 11,7%.

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“A gente fica sem oportunidade e sem perspectiva”

O estudante de Serviço Social José Daniel Costa é um dos que engrossam as estatísticas do desemprego no Piauí. O rapaz veio do interior para a capital para estudar, mas com a crise sanitária por conta do coronavírus, viu o prazo para sua graduação ser estendido e a necessidade de conseguir um meio próprio de sustento bateu à porta. 

No entanto a inserção no mercado, ele diz, não é fácil. “O vírus fechou tudo e as vagas diminuíram. É mais fácil ver gente ser demitida do que contratada e isso é frustrante, porque quem quer ter uma oportunidade, acaba ficando numa espera que parece que não tem fim. Vontade de trabalhar, a gente que é jovem tem muita, mas falta oportunidade. A gente fica sem perspectiva às vezes”, diz o estudante.

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