Paciente Covid denuncia recusa em atendimento pelo IASPI/PLAMTA

As respostas são sempre as mesmas: ou não há vagas disponíveis, ou a unidade não atende pelo IASPI/PLAMTA

12/06/2020 14:17h - Atualizado em 12/06/2020 18:16h

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Há sete dias, a saga da família Dias da Silva tem sido percorrer Teresina em busca de tratamento para o patriarca, o senhor Elias Barroso da Silva, 65 anos. Ele começou a apresentar sintomas de covid-19 na última semana e, desde então, sua filha, a senhora Sandra Dias da Silva, tem ido com ele de hospital em hospital buscando atendimento, mas as respostas são sempre as mesmas: ou não há vagas disponíveis, ou a unidade não atende pelo IASPI/PLAMTA.


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A família é usuário do PLAMTA graças à mãe dela, que é funcionária do HGV. O PLAMTA é justamente o plano de saúde que atende ao funcionalismo público estadual do Piauí. Em conversa com o Portalodia.com, Sandra relatou o que tem ocorrido.

“Na terça-feira passada, ele já tinha sete dias de sintomas e a gente foi no posto do bairro Taquari, onde fizeram o teste rápido e deu positivo. No mesmo, começamos a saga: fomos no Hospital São Paulo e ele não foi recebido, nem no Hospital São Marcos, nem no Santa Maria, nem no Prontomed. Todos se recusaram. Uns falaram que não tinha mais vaga e outros que não aceitavam mais o PLAMTA”, conta.

Depois desse percurso todo, Sandra levou o pai até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Satélite, onde ele esperou seis horas para conseguir ser atendido devido ao contingente de pessoas aguardando para ser examinados. Na UPA, ele recebeu um diagnóstico de hiperglicemia e precisou ficar internado por uma noite. É que o senhor Elias, além de positivo para a covid-19, também é diabético.

No dia seguinte, a família conseguiu, através da Central de Regulação, transferí-lo para o Hospital do Monte Castelo, só que a unidade é apenas para os casos moderados de covid-19 e anteontem, o senhor Elias teve uma complicação da doença: a perna direita dele não está sendo devidamente oxigenada, o que tem lhe causado muita dor e incômodo.

O senhor Elias, conforme afirma a filha dele, precisa de uma transferência em caráter de urgência para alguma unidade médica que tenha a especialidade necessária para o seu tratamento, mas a situação recai em outro problema: a falta de vaga nos hospitais da rede municipal de atendimento ao covid-19. “Disseram que tem a regulação para o HU ou HUT, só que tem uma fila de espera enorme. Aí meu pai está lá no Monte Castelo, preso sem poder ir para lugar nenhum e ainda por cima com esse problema vascular que complica tudo. Ele tem 65 anos, é diabético e se não tiver essa regulação, ele vai morrer esperando”, desabafa Sandra.

O Portalodia.com procurou a Fundação Municipal de Saúde (FMS) que explicou que os pacientes são submetidos a uma fila única e regulada pela Central de Regulação de Teresina, através do Sistema Único de Saúde - SUS, que distribui da forma mais ágil possível as vagas do SUS em unidades de saúde  na capital. Se trata de uma central segura, para evitar fraudes e atender o maior número de pessoas no melhor espaço de tempo.

Procurado pela reportagem, o Hospital São Marcos afirmou que ampliou sua capacidade de atendimento para antecipar a demanda gerada pelos pacientes acometidos pelo novo coronavírus. Mesmo com esta medida, eventualmente o Pronto Atendimento fica completamente lotado, fazendo-se necessária interrupção temporária da prestação de serviços. O hospital esclarece ainda que atende normalmente os pacientes do IASPI/PLAMTA.

O Grupo Med Imagem afirmou que ontem (11/06) os hospitais estavam com recusa de pacientes em alguns momentos devido à alta demanda e da falta de vagas. Nesta sexta-feira (12), o atendimento no Hospital Santa Maria está normal para todos os convênios.  O grupo explicou que na quinta-feira (11) a ocupação de leitos do Hospital Prontomed chegou a 100%, mas está se estabilizado hoje, tendo em vista o dinâmico fluxo de liberação de leitos.

O que diz o IASPI/PLAMTA

De acordo com a diretora do IASPI/PLAMTA, a média Daniela Aita, o que houve foi uma divisão no fluxo dos atendimentos de pacientes por conta da pandemia do novo coronavírus, de forma que os hospital Santa Maria e HTI, por exemplo, atendem às urgências pelo plano, mas não recebem casos de urgência de suspeitas de covid-19.

“As síndromes gripais agudas devem se direcionar a outros hospitais da rede IASPI Saúde de Emergência, como São Marcos, São Paulo, Hospital Itacor e Prontomed Adulto e Infantil”, explicou Daniela.

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Por: Maria Clara Estrêla

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