Maioria das vagas de emprego no Piauí foi ocupada por profissionais com ensino médio

Pessoas com ensino médio completo responderam por quase 60% das contratações no estado em agosto. Profissionais com ensino superior somam apenas 9% das admissões.

04/10/2021 11:50h

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A grande maioria dos profissionais que foram contratados para vagas formais de emprego no Piauí durante o último mês de agosto possuía somente o Ensino Médio Completo. A informação consta no painel do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego e foram divulgados no último dia 30 de setembro.


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Das 10.277 contratações que o Piauí registrou em agosto, 6.139 eram de profissionais sem um diploma de ensino superior e que possuíam apenas o ensino médio completo. O número equivale a 59,7% de todas as admissões no mercado de trabalho feitas no Estado no oitavo mês do ano. 

Em contrapartida, houve uma redução na quantidade de profissionais contratados com ensino superior completo e que possuem uma formação específica. De acordo com o Caged, o Piauí admitiu no mercado de trabalho somente 986 profissionais com curso superior em agosto de 2021. O número equivale a apenas 9% do total de admissões feitas naquele mês. Chama atenção também as contratações de pessoas com ensino fundamental incompleto, que somara 1.103 vagas formais de emprego preenchidas no Piauí. 


Foto: Assis Fernandes/O Dia

Para a coordenadora de Recursos Humanos, Maria Clara de Brito, as contratações de profissionais sem formação superior em detrimento daqueles com curso de graduação em alguma área retrata um pouco do perfil que muitas empresas vêm assumindo atualmente: o de valorizar mais a prática e não necessariamente a formação acadêmica.

“Muitas empresas estão preferindo treinar os seus próprios profissionais pra que eles assumam os cargos. A gente vê que as empresas estão tendo muito essa necessidade de traçar um plano de carreira para esses colaboradores que estão entrando ou pra esse perfil de contratação”, explica.

No entanto, isso não significa que as pessoas com Ensino Superior não possam se efetivar ou serem preferíveis dentro das empresas. O que acontece é que, por conta da demanda e de alguns vícios, os empregadores acabam optando por contratar pessoas que cresçam junto com as empresas e se alinhem aos valores dela.


Foto: Assis Fernandes/O Dia

“Não é exclusão. Hoje nós temos vagas que realmente precisam de Ensino Superior completo para poder ser assumidas, inclusive pós-graduação e tudo mais. Só que como hoje as empresas estão bem mais operacionais, o Ensino Médio completo muitas vezes atende a esta necessidade, podendo traçar-se um plano de carreira para este colaborador que está dentro da empresa com seu consequentemente crescimento”, acrescenta Maria Clara.

O que a coordenadora de RH frisa é que as empresas e o mercado de trabalho como um todo tem buscado mais experiência e prática nos profissionais que contrata do que respaldo teórico ou acadêmico. Maria Clara diz que chega a receber de 700 a até mil currículos por dia em sua consultora de Recursos Humanos por dia para um determinado cargo e que, neste universo, consegue selecionar uma média de três cujos candidatos preenchem os requisitos que as empresas procuram.


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Contratações de mulheres não chegam nem à metade das contratações de homens

Outro dado que chama atenção no Caged de agosto de 2021 diz respeito à contratação de acordo com o sexo dos candidatos. Os homens responderam pela grande maioria das admissões feitas no período somando um total de 6.932 contratações. Já as mulheres responderam por somente 3.345 contratações formais no mercado de trabalho no Piauí.

Os dados apontam que as contratações de profissionais do sexo feminino não chegam nem à metade das contratações de profissionais do sexo masculino. Isso, segundo especialistas, reflete o preconceito que ainda existe quanto à figura feminina ocupar um lugar no mercado de trabalho e ter uma renda própria. 


Foto: Jailson Soares/O Dia

A questão gestacional, nestes casos, entra como uma das principais barreiras à admissão delas no mercado. “Já vi relatos de muitos casos de mulheres que não foram contratadas por estarem grávidas ou estarem em período de licença maternidade. Vemos que as empresas não querem contratar porque veem que filho ainda é um empecilho para a mulher trabalhar de forma mais eficaz. As pessoas acreditam que as mulheres, por serem mães, não podem ocupar cargos maiores e nem mais elaborados”, explica Maria Clara.

Ela avalia que, apesar deste cenário vir dando sinais de mudança, ainda tem muito a ser percorrido para que haja equidade na hora de avaliar um homem e uma mulher para uma vaga de emprego. “A gente sabe que hoje a mulher pode estar onde ela quiser. Se ela se sentir preparada para trabalhar num estoque, não tem problema nenhum ela estar nesse ambiente. Ela pode ocupar todos os lugares que ela se julgar apta a ocupar”, finaliza.

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