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Falta de investimento atrapalha escoamento de soja no Sul do PI

Produção esbarra em empecilhos que impedem maior crescimento da região e da agropecuária no Estado.

15/01/2020 08:00h - Atualizado em 15/01/2020 08:50h

A produção de soja no Sul do Piauí tem alavancado o Produto Interno Bruto (PIB) do Estado. Todavia, as cidades com maiores índices não recebem investimentos em estradas e energia elétrica, que são os principais recursos necessários para escoar a produção e fazer com que ela chegue às prateleiras dos mercados. É o que reclama o presidente da Associação dos Produtores de Soja do Estado do Piauí (Aprosoja), Alzir Neto


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“A todo momento a gente tem acionado as autoridades, os deputados. Estamos pedindo a eles que tenham sensibilidade com um setor que cresce de forma extraordinária. Se você pegar o PIB, demostra o que estou falando, mas estamos aguardando. O Sul do Estado deve ser encarado como investimento, não estamos falando em custo, pois cresce a arrecadação do Estado, cresce a quantidade de postos de trabalho, e isso é o que é importante”, destaca.


A safra de soja em 2019 foi boa para os agricultores do Piauí. (Foto: Jailson Soares/O Dia)

 Segundo Alzir Neto, o Piauí registrou crescimento do PIB superior à média nacional, fruto do agronegócio que cresceu 211% - dados da Fundação Centro Pesquisas Econômicas e Sociais do Piauí (Cepro) e do Índice Firjan de autonomia dos municípios de 2018. Mas esse número poderia ser maior, pois, segundo o presidente da Aprosoja, estradas como Transcerrados e PI-392 estão cheias de buracos. A situação tem causado acidentes e a troca frequente de peças de caminhões, um custo a mais para o produtor. 

“As nossas serras praticamente não têm estradas pavimentadas e, nesse período de chuva, complica ainda mais. É muito crítica a situação da Transcerrados e da PI-392, que são os dois principais gargalos para viabilizar o escoamento”, lamenta Alzir Neto, acrescentando que a Associação tem mostrado a realidade para as autoridades, inclusive do significativo crescimento do setor, que antes representava 5% e hoje é quase 10% da receita do Estado. 

O município de Baixa Grande do Ribeiro, por exemplo, foi a cidade que teve maior PIB per capita no Estado em 2017, com R$ 65.454,41 - valor 4,6 vezes maior do que o PIB per capita estadual, que é de R$ 14.089,78. Além disso, dos dez maiores PIBs per capita em 2017, oito tinham como principal atividade a agropecuária; foram eles: Baixa Grande do Ribeiro, Uruçuí, Guadalupe, Ribeiro Gonçalves, Bom Jesus, Santa Filomena, Currais e Sebastião Leal, todos localizados na região do cerrado. Essas cidades têm como principal cultura agrícola a soja e o milho, exceto Guadalupe, onde a exploração foi maior na fruticultura. 

Uruçuí, por exemplo, ficou em 5º lugar no PIB piauiense e é a única cidade, além da capital piauiense, que possui autonomia financeira. A Fundação Cepro divulgou ainda que quatro dos dez municípios da região Sul são responsáveis por 62,2% da riqueza gerada no Piauí, sendo eles Floriano, Uruçuí, Bom Jesus e Baixa Grande do Ribeiro. 

Produtores gastam até 40% a mais com transporte 

A falta de infraestrutura é um problema antigo do cerrado do Piauí. O agricultor piauiense tem um custo de produção maior que o de outras regiões por causa do transporte de insumos e grãos. Os custos podem variar de 20 a 40% a mais do que de outras regiões produtoras de milho e soja, pois esta despesa depende da localização da fazenda e da qualidade do acesso. Além das estradas, o presidente da Aprosoja, Alzir Neto, lembra que a energia elétrica também merece atenção do poder público. 


Presidente da Aprosoja, Alzir Neto. (Foto: Assis Fernandes/O Dia)

“Outra área que merece investimento é a energia, o setor primário, ele é o setor que é a base de tudo. Temos possibilidade de expansão para a agroindústria muito forte, mas só vem se tiver estrutura mínima, que é estrada e energia. Se a gente está falando em crescimento de 250%, a partir do momento que você vincular ao setor primário, nós falamos em mais crescimento significativo”, pondera Alzir Neto.

Sem chuvas em dezembro, plantio atrasa

Sobre a produção agrícola para 2020, o presidente da Aprosoja afirma que a falta de chuva em dezembro atrasou o plantio. Apesar disso, a previsão é de melhoras para os próximos dias. “Está chovendo bastante nas últimas semanas; mas o último mês não foi bom de chuvas. De uma maneira geral, a safra está um pouco atrasada, não concluímos o plantio da soja. Devemos concluir com mais de uma semana, e com mais 15 dias deve-se concluir o milho”, fala Alzir Neto. 

A safra de soja em 2019 foi boa para os agricultores do Piauí que, dentro da média histórica de 52 sacas por hectare, bateram mais um recorde de crescimento, que atingiu quase 7%. Para 2020, Alzir Neto aguarda números semelhantes. “Em 2020, esperamos um crescimento de 6%. Tivemos dificuldades climáticas, o que deve impactar nos resultados. Estamos na expectativa dos próximos meses, precisamos de chuvas regulares para ter um prognóstico mais certeiro”, conclui Alzir Neto. 

Edição: Adriana Magalhães
Por: Sandy Swamy

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