Enem tem apenas 28 candidatos com nota mil na redação em todo o Brasil

Medo do novo coronavírus, taxa recorde de abstenção e dificuldades no aprendizado pelo ensino online afetaram desempenho dos candidatos.

30/03/2021 12:00h

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Na noite desta segunda-feira (29), o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgou as notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem 2020) realizado em janeiro deste ano. Segundo dados do Inep, apenas 28 candidatos conseguiram atingir a nota máxima na redação em todo o Brasil. Esse é o menor número desde 2013. Até o momento, o instituto não divulgou em quais estados residem os candidatos com as notas mais altas.


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Entre os fatores que podem ter prejudicado o desempenho dos alunos na prova estão o medo da contaminação pelo novo coronavírus, a taxa recorde de abstenção (51,6%) e as dificuldades enfrentadas pelos estudantes para acompanhar os conteúdos preparatórios para a prova por meio do ensino remoto. É o que avalia a professora de linguagens, Mariana Veras.

Foto: Assis Fernandes/O Dia

“Muita gente preparada não foi fazer prova porque estava com medo, muitos alunos meus, inclusive. Foi um ano atípico, o fator emocional é muito forte. E é difícil aprender quando o aluno está com medo de morrer por conta de uma pandemia. O psicológico de muitos alunos ficou abalado. Houve suspensão da prova uma vez e, quando faltava uma semana para a segunda data da aplicação, houve uma manifestação da UNE pedindo adiamento da prova. Isso mexe com o psicológico dos alunos”, destaca a professora.

Segundo ela, o modelo de ensino remoto, adotado com a suspensão das aulas presenciais devido à pandemia do novo coronavírus, é vista como frutífero pelos profissionais da educação, desde que seja utilizado de forma correta. No entanto, muitos alunos se sentiram prejudicados por não conseguirem se adaptar ao novo modelo, além dos problemas de acesso à internet e a falta de espaços adequados para estudo dentro de casa.

“É sou a favor do ensino online. [No entanto], os alunos da rede pública foram afetados porque tiveram redução de carga horária ou simplesmente a suspensão das aulas. E os alunos da rede privada também, existem escolas particulares de bairro que não conseguiram migrar para o remoto. Os alunos não sabem como se portar no online e nem alguns professores. O método requer maior compromisso do aluno, uma internet boa, espaço para estudar em casa. Nem todo aluno tem um notebook para assistir aula e é inviável passar 6 ou 7 horas em frente a um celular estudando direto”, afirma.

Um ano após o início da pandemia, a professora acredita que seja possível evitar que o cenário se repita e garantir que mais candidatos possam ter um bom desempenho na próxima edição do exame. Para ela, estudantes e professores tiveram tempo para se adaptar à nova realidade.

“Esse ano tem tudo agora ser um pouco melhor que ano passado, pois os candidatos tiveram um ano se adaptar, não existe mais a desculpa que tudo é novidade. E ambos precisam cuidar da saúde mental. Precisamos todos reconhecer o momento histórico que estamos vivendo e compreender que ele está acima de nossa vontade. É um cenário muito injusto, mais do que sempre foi. A falta de acesso à internet vai criar um abismo ainda maior esse ano”, finaliza a professora Mariana Veras.

Para os candidatos que já estão se preparando para a próxima edição do Enem, a professora dá as seguintes dicas:

- Estabelecer horários: para acordar e dormir, estudar, fazer a higiene, se vestir adequadamente;

- Criar um espaço para estudar em casa: pode ser um quarto de estudos ou até mesmo na mesa da cozinha.

- Ter compromisso: se a pessoa estabeleceu uma regra de 5h de estudos diárias, elas devem ser mantidas.

- Grupos de estudos: o whatsapp é uma ótima ferramenta para isso, quem não sabe, tira a foto da pergunta e tira dúvida, quem sabe ajuda.

- Para quem não tem acesso a muitos recursos tecnológicos, a saída é usar o que tem, fazer e refazer as questões do livro didático da escola.

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