Após 15 mortes, PRF vai pedir restrição de veículos em trecho de BR

De acordo com a avaliação dos peritos, a rodovia apresenta falhas graves, que contribuem para ocorrências com vítimas fatais.

08/05/2017 10:55h - Atualizado em 08/05/2017 12:11h

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A Polícia Rodoviária Federal divulgou hoje (08) um relatório da perícia realizada na BR-135. No feriado de carnaval, oito pessoas morreram em dois acidentes na região de Cristalândia. Ontem, outro acidente deixou duas pessoas mortas, sendo uma delas um bebê de nove meses.

De acordo com a avaliação de uma equipe de peritos da PRF do Sergipe, que estiveram no Piauí em março para avaliar a via com um equipamento não encontrado no estado, a rodovia apresenta condição classificada como “Ruim”, e a geometria da via foi considerada “péssima”. Estas falhas graves contribuem para ocorrências com vítimas fatais.

Acidente ocorrido em fevereiro, quando duas mulheres e duas crianças morreram após carro bater em árvore (Foto: Reprodução)
O superintendente da PRF Wellendal Tenório informa que foram registrados 15 acidentes com mortes em um trecho de 400 km na BR-135. Desde 2015, são contabilizadas 65 vítimas fatais. “O número pode ser maior porque tem casos que não chegam ao conhecimento da PRF”, ressalta.

Uma das principais falhas é o desnível de até 30 cm entre o asfalto e a área lateral da pista. “Esse efeito degrau, agrava os acidentes com saídas de pista, porque o motorista perde o controle do veículo e sofre tombamento. Num trecho assim, se um pneu sai da pista, não consegue mais voltar, e o resultado é o acidente.”, explica o superintendente.

O inspetor usou o acidente ocorrido ontem (7), em que um ônibus tombou na lateral da BR 135, como exemplo. Segundo ele, o motorista do veículo alegou que teve de desviar de um carro que invadiu sua via, no sentido contrário. “Se não tenho acostamento, se não tenho área de escape, e se temos esse efeito degrau, certamente vai ter um acidente, um capotamento”, comenta. O acidente causou a morte de duas pessoas, entre elas um bebê de apenas dois anos, além de cinco pessoas que ficaram feridas, quatro delas em estado grave.

Uma das medidas anunciadas pela PRF é pedir a restrição do uso da via pelos veículos de grande porte durante o período noturno e em feriados prolongados. O relatório da PRF ainda listou os problemas que precisam ser resolvido na BR-135:

Alargamento da pista, que em alguns pontos tem apenas 5,2 metros, quando deveria ter 7 m;

Eliminação do efeito degrau, que chega a medir 35 cm;

Implantação do acostamento, inexistente em boa parte da via;

Sinalização vertical (placas) e horizontal (pintura da pista) é comprometida;

Drenagem da água (pista acumula água – precisa adequação);

Recuperação do asfalto;

Implantação de radares para reduzir velocidade;

Os inspetor Wellendal Tenório ainda comentou que houve uma redução de 25% no número de acidentes no trecho da BR 135, mas também um aumento de 116% no número de mortes, entre 2016 e 2017. “Fiscalizamos mais, e até evitamos o aumento de acidentes. Mas os poucos que ocorrem são fatais”, comenta. Segundo ele, o número de veículos que passa pelo trecho aumentou bastante nos últimos dois anos. A via é usada para o escoamento da safra agrícola, e a principal artéria da região sudeste do Piauí. 

DNIT

O superintendente regional do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), Paulo de Tarso, afirma que existe um projeto do departamento para o alargamento da BR-135, pronto e aprovado pelo DNIT. Mas a reestruturação está orçada em R$ 350 milhões.

“A execução desse projeto resolve todos os problemas. Mas você não consegue alavancar esse volume de recursos de maneira imediata, ou mesmo em curto prazo”, disse Paulo de Tarso. Ele disse que o trabalho agora é para sensibilizar a bancada piauiense, para que destine os recursos em 2018.

“Por enquanto estamos investindo na manutenção da pista. Só que o projeto elaborado agora não possibilita a construção do acostamento e o alargamento da BR. Está sendo feito agora, mas não deve resolver o problema, apenas melhorar”. Ele diz que duvida que a PRF consiga controlar os motoristas, já que dispõe apenas um posto policial na região, com sete policiais para fiscalizar cerca de 1400 km de estrada.

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Por: Nayara Felizardo e Andrê Nascimento

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