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"Somos todos diferentes e temos de saber conviver com as diferenças"

Naise queria mudar o corpo, mas quem mudou, com a chegada da filha Afra há quatro anos, foi a sua forma de pensar.

15/11/2019 10:01h - Atualizado em 15/11/2019 11:45h

Há pouco mais de cinco anos, quando Naise Caldas ainda não era mãe, ela diz lembrar que a vontade de fazer uma cirurgia plástica no nariz passava com recorrência por seus pensamentos. A ideia era fruto de um incômodo que ela aprendeu a ter consigo, depois de tanto ouvir que tinha o nariz de batata e outras definições pejorativas. Naise queria mudar o corpo, mas quem mudou, com a chegada da filha Afra há quatro anos, foi a sua forma de pensar. Por saber que muito dos seus traços negróides seriam também os da filha, ela buscou superar as distorções que a sociedade a fazia ter com o próprio corpo. E deu certo. Tanto que Naise e Afra fazem existir, hoje em dia, uma conta no Instagram usada para exaltar aspectos da cultura negra com mais de 40 mil seguidores, o @maedaafra.

“Este argumento que todo mundo é igual não pode ser usado na nossa sociedade. Na verdade, somos todos diferentes e temos de saber conviver com as diferenças. O que eu faço com a Afra é fazer com que ela saia da bolha, que ela Negritude entenda que existem pessoas de todos os tipos de cores, que o cabelo dela é de um jeito e que ela é normal por isso. Ela se entender como uma pessoa normal já me tranquiliza”, explica Naise.

Entender-se negra, com características negras que a fazem completa, também foi importantíssimo para que a mãe passasse os mesmos conceitos para a filha. Não só a ideia da cirurgia no nariz ficou pra trás, mas também o processo de alisamento de cabelo.


Naise Caldas superou as distorções que a sociedade a fazia ter com o próprio corpo (Foto: Arquivo Pessoal)

Por tanto reforçar estes aspectos da educação da filha, Afra, de quatro anos, é uma menina cheia de orgulho de si. E Naise sabe a importância disso. “Eu não queria ver a Afra chegando em casa chorando, como eu fazia quando criança, porque as crianças me apelidavam”, lembra.


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Na rede social, ela compartilha dicas de cuidados com o cabelo da filha, que vão desde o tratamento e manutenção dos cachos a novos penteados. O feedback é quase sempre instantâneo e é por ele que Naise mantém a conta ativa. “Não ganho dinheiro algum com isso, o retorno é saber que estou contribuindo para a vida de muitas mães e filhas negras. Afinal, quando nasce uma criança, também nasce uma mãe. O cabelo negro é muito bonito, mas ele precisa de dedicação e amor. A Afra ama o cabelo dela. Dia desses, viu a Thais Araújo na televisão e soltou: olha, mãe, ela tem o cabelo bonito como o meu”, lembra.

A constante busca por afirmação fazem da mãe e da filha duas mulheres conscientes da força de sua negritude e de Naise uma voz forte quanto ao combate ao racismo na sociedade.

Por: Glenda Uchôa - Jornal O Dia

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