“Para mim é uma data comercial”, diz publicitário sobre Dia dos Namorados

Psicóloga também reforça que a data foi criada para gerar lucro ao comércio e fazer a economia se movimentar

12/06/2020 10:38h

Compartilhar no

Enquanto muitos casais estão planejando algo para o Dia dos Namorados, os solteiros estão aproveitando a data como podem. E se para alguns é triste triste passar esse dia sem estar acompanhado, para outros o Dia dos Namorados não passa de uma data comercial e que não interesse no seus dia a dia.

Leia também: Dia dos Namorados: casais usam a criatividade para comemorar o amor 

O publicitário Jeferson Viveiros (25) explica que por ter muitos trabalhos para realizar, em alusão ao Dia dos Namorados, faz com que ele veja a cada como algo comercial, já que está focado em desenvolver campanhas publicitárias para uma data que é comercialmente importante. O Jeferson ainda comenta que, ainda que estivesse namorando, preferiria que a pessoa não estivesse com ele, já que poderiam ficar expostos ao coronavírus.

“Passar essa data com alguém deve ser interessante, mas não é algo tão importante na minha vida. E estar sozinho no dia dos namorados, em meio ao isolamento, não interfere tanto, porque a pessoa não estaria aqui de qualquer forma. Se eu estivesse namorando, seria melhor para essa pessoa não ela estivesse comigo, por questões de saúde. E se eu não tenho alguém, essa falta de ter alguém por perto pode ser suprida pelos amigos”, conta Jeferson Viveiros.

É o que reforça a psicóloga Ianny Luizy, enfatizando que a data foi criada pelo comércio para render dinheiro. A especialista também lembra que é importante as pessoas não darem tanto importâncias para essas que estão voltadas mais para o comércio e nem para as crenças impostas pela sociedade.


“Uma forma que o mercado tem para fazer a economia girar é criar datas e essa é uma delas. Creio que as pessoas têm que parar dar tanta importância para datas comerciais e a estar em relacionamento só para mostrar que está em relacionamento. As pessoas sofrem tanto com essa data muito mais por querer mostrar para os outros que vai passar a data com alguém”, conta (Foto: ODIA)


Melhor sozinho do que mal acompanhado

Jeferson Viveiros enfatiza que a frase “melhor junto do que mal acompanhado” tem sido uma realidade cada vez mais comum nos dias de hoje. Segundo ele, muitas pessoas namoram apenas por status ou por pressão social. Isso faz com que os relacionamentos sejam frágeis e líquidos, com traições e sem carinho com o outro.

“Vemos muitos casais que namoram dois, três anos e contaram inúmeras traições, fora os relacionamentos abusivos, estresse, falta de companheirismo. Então, às vezes, é melhor você ficar sozinha e viver bem do que ter alguém que te sufoca e te limita. Além disso, muitas pessoas são egoístas e só estão ali quando elas precisam, mas quando você precisa elas não estão, por isso, ante só do que mal acompanhado”, reforça.


A psicóloga Ianny Luizy enfatiza que é melhor estar sem companhia, mas bem psicologicamente, do que estar acompanhado, mas em um relacionamento ruim, abusivo, entre outros fatores negativos. Se a pessoa que é solteira não desejar passar o Dia dos Namorados sozinha, ela pode reunir diversos amigos por meio de uma vídeo chamada e conversar sobre diversos assuntos e bater papo (Foto: Assis Fernandes/ODIA)


“Ou a pessoa pode até fazer um jantar especial para ela mesma. Porque, antes de namorar outra pessoa, a gente tem que se namorar primeiro. Assim como você compra uma coisa boa para o outro, quer levar no melhor restaurante e oferecer a melhor comida, você tem que fazer isso primeiro por você. E já que não podemos nos levar para passear, que façamos esse passeio dentro de casa, que a gente se arrume para nós mesmos, que tenha esse momento especial conosco, ao invés de ficar pensando no que o outro pode estar fazendo porque é dia dos namorados, porque ficar triste não vai resolver nada”, frisa a psicóloga.

Ianny Luizy pontua que devemos nos colocar em primeiro lugar e, mesmo em meio à pandemia, se priorizar, se cuidar, se agradar e se amar. E mais do que isso, levar na esportiva o fato de estar solteiro. “Tem muitos solteiros brincando com o fato de estarem sozinhos dizendo que ‘se no dia das mães eu não sou mãe, porque no dia dos namorados a gente tem que passar namorando?’. O dia dos namorados é só uma data e você pode fazer uma data especial só para você, não necessariamente essa”, disse.

Se priorizar é a palavra-chave

Ianny Luizy reforça que as pessoas costumam ser cruéis com elas mesmas e isso é em decorrência da criação que tivemos ao longo da nossa vida. Ela explica que sempre aprendemos que devemos ser bons com os outros, mas que, quando não agimos como o outro espera, somos criticados.

“Quando a gente se coloca em primeiro lugar, as pessoas tendem a chamar a gente de egoísta, ou seja,  as pessoas não tendem a elogiar a gente, pois é mais fácil criticar do que elogiar. Felizmente isso vem mudando ao longo dos anos. Isso é uma crescente nessa geração e elogiar e enaltecer as qualidades dos outros tem sido algo cada vez mais comum, mas ainda existem muitas pessoas de gerações antigas que entendem que se a pessoa agir de tal forma ela não tem valor. Isso faz com que tenhamos uma autoestima baixa e foi criado um estereótipo de como devemos ser”, finaliza a psicóloga.

Compartilhar no
Por: Isabela Lopes - Jornal O Dia

É permitida a reprodução deste conteúdo (matéria) desde que um link seja apontado para a fonte!


Deixe seu comentário


Notícias Relacionadas