Mesmo sendo considerada de alta periculosidade pela polícia, o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM) revogou a prisão preventiva e concedeu liberdade provisória a Luciana Pereira da Silva, de 35 anos, neste domingo (22). “Loira”, como ficou conhecida pela polícia, é suspeita de integrar um grupo criminoso especializado em assaltos e latrocínios. Em julho do ano passado, ela aparece em um vídeo executando um dos comparsas da quadrilha na Zona Rural de Manaus. Apesar da decisão, a Secretaria de Justiça do Amazonas (Sejus-AM) informou que a acusada permanece presa.
No domingo (22), a juíza titular da 5ª Vara Criminal, Andrea Jane Silva de Medeiros, que estava no plantão criminal, analisou um dos processos de homicídio simples que Luciana Pereira responde no judiciário. A ação trata também dos crimes de associação para a produção e tráfico de drogas, além de condutas afins.
Na decisão, a magistrada disse que consta nos autos prova da existência do crime e indícios suficientes de autoria com base forte no relato das testemunhas. Entretanto, de acordo com a juíza não haveria evidências de periculum libertatis - termo jurídico que indica quando a liberdade do acusado oferece perigo.
"Ante a ausência de fato concreto nesse sentido e de periculosidade das agentes, o que resta corroborado pela primariedade das flagranteadas e pela baixa quantidade de droga apreendida", justificou Andrea Jane da Silva ao conceder liberdade provisória sem fiança.
A magistrada determinou que Luciana deve comparecer mensalmente no último dia de cada mês em juízo e não poderia deixar Manaus. Segundo a Sejus-AM, apesar da decisão, até a tarde desta terça-feira (24), “Loira” continuava presa. Desde julho do ano passado, ela estava detida no Centro de Detenção Provisória Feminina (CDPF) localizado na BR 174 (Manaus-Boa Vista). Luciana chegou a provocar um tumulto na unidade prisional e tentar matar uma agente penitenciária.

Para a Polícia Civil, a vítima e os envolvidos no homicídio integravam o mesmo grupo criminoso, especializado em assaltos e latrocínios. As investigações da DEHS apontaram que Luciana teria atraído a vítima para um suposto assalto que o grupo iria realizar. No entanto, o homem seguiu para uma emboscada. No local do crime, Luciana, acompanhada de outras três pessoas, renderam a vítima e efetuaram a execução.
As cenas gravadas por meio de um celular dos suspeitos mostram a vítima de joelhos sob a ameaça de várias armas. No vídeo, possível ver o momento em que a pistola segurada pela mulher falha duas vezes, mas em uma terceira tentativa, ela acaba atingindo o homem com um tiro na cabeça.
Outro comparsa dela, que também aparece no vídeo, dispara pelo menos mais duas vezes contra a cabeça da vítima. Logo depois da descoberta das imagens, a polícia chegou afirmar que o vídeo seria uma espécie de troféu para ser exibido a membros de uma facção criminosa do Amazonas.
Em depoimento à polícia, Luciana afirmou que havia emprestado cerca de R$ 3 mil à vítima, que se recusava a pagar o valor. Ela relatou ainda que os dois chegaram a discutir e que foi agredida pelo homem.
"Ele passou a perna várias vezes em mim. Deu uma coronhada na minha cara", disse Luciana à reportagem na época da prisão. Embora tenha assumido a autoria do crime, a suspeita negou que tenha praticado o assassinato a mando de um traficante, contrariando as suspeitas da polícia.
Fonte: G1