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Rio São Francisco tem menos restrições para uso das águas

Com mais água, as hidrelétricas da região já estão gerando mais energia do que em meses anteriores.

30/04/2019 11:43h - Atualizado em 30/04/2019 11:49h

Apos cinco anos de seca severa, os reservatórios da Bacia do Rio São Francisco voltaram ao nível pré-crise e já começam a operar com menos restrições, o que permite o aumento da geração de energia e do uso por outras atividades econômicas.

O chamado reservatório equivalente (soma da capacidade de todos os lagos da bacia) está hoje em 57%, o maior nível desde o segundo semestre de 2012, quando se iniciava a seca que gerou dificuldades para o abastecimento de água, irrigação, turismo e hidrelétricas.

A expectativa do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) é que o nível atinja os 60% ainda ao fim do período úmido, nas próximas semanas -o percentual foi atingido pela última vez em janeiro de 2012. 

A melhora na situação levou a ANA (Agência Nacional de Águas) a permitir o aumento das vazões nas barragens. Em Sobradinho, por exemplo, são hoje 800 metros cúbicos por segundo, 250 a mais do que no período mais severo de restrições.

"É um grande alívio, sobretudo para outros usos e para a manutenção dos ecossistemas [na parte baixa da bacia]", diz Anivaldo Miranda, que preside o CBHSF (Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco). A região vinha sofrendo com problemas no abastecimento de água e salinização da foz do rio, por exemplo.

A ANA decidiu mudar o status da sala de crise do São Francisco -que passará a operar como uma sala de acompanhamento da situação- com reuniões menos frequentes, e publicará nesta terça (30) novas regras de operação dos reservatórios da bacia.

O superintendente de Operações e Eventos Críticos da agência, Joaquim Gondim, diz que as novas regras têm o objetivo de garantir maior estabilidade no nível dos reservatórios ao longo dos anos. A resolução elaborada pela ANA determina volumes máximos de vazão de acordo com faixas de níveis de reservatórios.

A bacia do São Francisco tem quatro reservatórios, sendo que os dois maiores são Três Marias, na cabeceira do rio em Minas Gerais; e Sobradinho, na divisa entre a Bahia e Pernambuco, importante para o abastecimento do polo de fruticultura irrigada de Juazeiro e Petrolina.

Segundo as novas regras, se o nível dos reservatórios estiver acima de 60%, não há limite de vazão e o setor elétrico pode gerar energia sem restrições. Abaixo dos 60%, há restrições de vazão nos principais reservatórios - embora superiores às do período agudo da crise.

Para Gondim, o modelo garante uma operação mais estável - ou "parciomoniosa" - dos reservatórios, com a geração de energia diluída ao longo do ano, em vez de picos para aproveitar a água no verão.

Atualmente, o reservatório de Três Marias está com 80,7% de sua capacidade de armazenar energia -chegou a ter 2,91% em outubro de 2014. Já Sobradinho, que chegou a ter 1,1% em novembro de 2015, hoje tem 47,8%. A recuperação é fruto das restrições impostas nos últimos anos, com apoio da proliferação de usinas eólicas que ajudaram a suprir a região.

De acordo com dados do ONS, com a ampliação dos limites nos últimos meses, as hidrelétricas do Nordeste geraram 2.011 megawatts (MW) médios em março - ainda cerca de 10% abaixo do mesmo mês em 2018, mas já mostrando recuperação em relação aos 1,5 mil a 1,7 mil do fim do ano.

Gondim espera que as novas regras mantenham o ritmo de recuperação dos reservatórios e não descarta que as hidrelétricas do Nordeste voltem a verter água -quando os reservatórios estão cheios e as comportas precisam ser abertas, o que não ocorre desde 2013.

A última vez que o reservatório equivalente do São Francisco atingiu 100% de sua capacidade foi no segundo semestre de 2009.

Fonte: Folhapress - Foto: Beto Barata/PR

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