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Deputada ameaçada após denunciar laranjal do PSL relata abandono na infância

Sua mãe biológica sofria de esquizofrenia e, nos primeiros anos de sua vida, Alê Silva não tinha residência fixa, alternando temporadas em casas de parentes.

24/04/2019 09:49h

A deputada federal Alê Silva (PSL-MG), que afirmou ter recebido informação de que o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, ameaçou-a de morte, viveu situação de abandono na infância.

Segundo conta a deputada, nascida em Petrópolis (RJ), sua primeira infância foi dura, em Meio da Serra, "um bairro muito pobre onde tínhamos uma vida bem favelizada, análoga à de menores de rua".

Sua mãe biológica sofria de esquizofrenia e, nos primeiros anos de sua vida, Alê não tinha residência fixa, alternando temporadas em casas de parentes.

A deputada federal Alê Silva (Foto: Najara Araujo / Câmara dos Deputados)

Aos sete anos, foi adotada por um casal com ascendência alemã e se mudou para a Colônia Olsen, em Rio Negrinho (a 93 km de Joinville), em Santa Catarina. Cresceu na roça e aos 17 anos seu pai a autorizou a estudar. Começou no quinto ano do ensino fundamental, mas aos 21 conseguiu entrar em uma faculdade de direito.

Batizada e casada pela Igreja Católica, hoje frequentadora da Igreja Batista, a deputada anda com um pingente de Estrela de David, símbolo usado também pela religião judaica como proteção.

"Eu gosto muito da cultura judaica, acho que tem grande princípio moral, ética, a gente tenta seguir nessa linha", afirmou, em conversa com a reportagem em fevereiro.

Alê nunca foi a uma sinagoga e teme não ser aceita se um dia tentar. "Eu tive um problema um pouco sério", contou. O pai, filho de alemães, que era militar e a educou com a disciplina dos quartéis, "tinha raiva dos judeus", disse.

"Ele pertencia a uma maioria da época que se deixou conduzir por movimentos políticos. Os judeus, nos anos de formação da juventude de meu pai, estavam tomando conta da economia nacional. Desculpa, tomando conta da economia mundial, e os alemães através de Hitler queriam descadeirar os judeus", conta Alê.

"Criaram aquela política que judeu é pessoa ruim, raça impura, aquelas histórias. Meu pai, uma pessoa muito simples, acabou acreditando nisso", disse a deputada.

"Na medida em que fui crescendo e estudando, tive algumas oportunidades de sentar com meu pai e tentar convencê-lo de que não era bem assim. Não deu muito certo."

Formada, especializou-se em direito tributário e trabalhou como advogada e perita contábil atuarial por mais de 20 anos até resolver se lançar candidata a deputada federal, sua primeira iniciativa na vida pública.

"Fiz a minha campanha com R$ 85 mil e alcancei 48 mil votos. Dinheiro meu, do meu marido e de um amigo do meu marido. Foi tudo estritamente contabilizado", afirmou, em fevereiro.

No último dia 13, o jornal Folha de S.Paulo revelou que a deputada federal havia prestado, quatro dias antes, depoimento espontâneo à Polícia Federal em Brasília, ocasião em que solicitou proteção policial.

À reportagem, ela relatou a existência de esquema de candidaturas de laranjas comandado por Álvaro Antônio em Minas Gerais e afirmou ter recebido a informação de que o ministro a ameaçou de morte em uma reunião com correligionários, no fim de março, em Belo Horizonte.

Sua vida na Câmara tem sido mais solitária que a de colegas de bancada do PSL. Ela disse não ter o hábito de acompanhar grupos de WhatsApp, tribuna na qual seu partido já viveu acalorados debates.

"Confesso que sou diferente", afirmou. "Não acompanho muito esses grupos. Se não gosto [de alguma coisa dita no aplicativo], não me manifesto no grupo, vou no gabinete da pessoa."

"O que eu tenho notado é que eles brigam e hoje mesmo está todo mundo de bem. Por isso não entro nas brigas, nas polêmicas."

Alê Silva disse que, em sua chegada na Câmara, em vez de apresentar projetos novos, sua prioridade seria "procurar textos bons, que já estejam em estágio avançado, para a gente poder dar sequência".

E, especialmente, focar a fiscalização. "Uma das atribuições do Poder Legislativo é fiscalizar o Poder Executivo."

Fonte: Folhapress
Por: Thais Bilenky

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