Auxílio emergencial: Senadores querem prorrogar benefício até julho de 2021

O senador Rogerio Carvalho (PT–SE) sugere que o valor seja elevado para R$ 600 durante o primeiro semestre de 2021.

29/12/2020 12:39h - Atualizado em 29/12/2020 12:55h

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O pagamento do auxílio emergencial termina nesta terça-feira (29) e o governo federal já anunciou que não vai propor a prorrogação do benefício criado para enfrentar a crise econômica causada pelas medidas de enfrentamento à covid-19. No Senado, estão em análise propostas que determinam a concessão de novas parcelas do benefício.

 O senador Alessandro Vieira (Cidadania–SE) propôs a extensão das parcelas de R$ 300 por mais três meses. Já o senador Rogerio Carvalho (PT–SE) sugere que o valor seja elevado para R$ 600 durante o primeiro semestre de 2021, equiparando-o ao das primeiras parcelas do auxílio instituído em 2020. 

Auxílio emergencial x economia 

O fim do auxílio emergencial,  aprovado no início da pandemia causada pelo novo coronavírus, impactará negativamente na economia do ano de 2021,como explica, Igor Lucena, economista, Doutorando em Relações Internacionais na Universidade de Lisboa, membro da Chatham House – The Royal Institute of International Affairs e da Associação Portuguesa de Ciência Política.

Auxílio emergencial: Senadores querem prorrogar benefício até julho de 2021. Foto: Agência Brasil. 

“Está claro que a economia ainda não deslanchou, pois o nível de desemprego continua a subir. Isso significa que mais estímulos financeiros serão necessários no ano de 2021. Vale ressaltar que na Europa e nos Estados Unidos, já há um consenso entre as autoridades monetárias e os governos federais que a economia não se recuperará no início o ano por si só, entretanto devido ao fato do dólar e do Euro serem reservas internacionais de valor, é mais fácil tomar esse tipo de decisão. Aqui no Brasil estamos em uma encruzilhada pois se não mantivermos o Auxílio Emergencial e o Programa de Emprego, poderemos ver a economia naufragar, pois vamos tirar as pernas de sustentação da retomada, por outro lado tudo isso é muito caro e a dívida bruta pública já está pressionada pelo “orçamento de guerra de 2020”. A questão que se impõe é como manter esses programas sem passar a impressão de descontrole fiscal?”, diz o economista Igor Lucena.

Sendo assim, o economista questiona que em meio a este cenário, criou-se um problema, pois se não continuarmos com os auxílios a economia deve afundar em 2021, porém se continuarmos o déficit público dispara. 

“Na minha opinião vamos ter dois parâmetros de análise. O primeiro é que com a continuidade das medidas fiscais e monetárias no exterior, isso de alguma maneira facilita que nós possamos ousar mais na mesma direção, porém o perigo a inflação e do descontrole fiscal aumentam. Com o aumento dos casos de COVID 19, acho que a prorrogação aos auxílios é inevitável, mas só conseguiremos manter a credibilidade fiscal se ao mesmo tempo já avançarmos nas reformas estruturais, demonstrando ao mercado que no longo prazo nossa razão dívida/pib deve cair e o crescimento com superávits deve voltar. Essa situação impõe ao mesmo tempo uma oportunidade para reformarmos o Estado, porém o tempo agora é curtíssimo”, declara o economista Igor Lucena.

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Edição: Da Redação

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