• Banner Cultura Governo do PI
  • Obras no Litoral Cultura
  • SOS Unimed
  • Novo app Jornal O Dia

Após tuíte de Salles, Greenpeace diz que tomará medidas legais

O ministro publicou nesta quinta (24) uma foto do navio Esperanza, da ONG, sugerindo que a embarcação poderia estar relacionada ao derramamento do óleo.

25/10/2019 08:45h

Após usar um vídeo editado para criticar o Greenpeace na última segunda-feira (21), o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, publicou nesta quinta (24) uma foto do navio Esperanza, da ONG, sugerindo que a embarcação poderia estar relacionada ao derramamento do óleo que atinge o litoral do Nordeste de 30 de agosto.

"Tem umas coincidências na vida né... Parece que o navio do #greenpixe estava justamente navegando em águas internacionais, em frente ao litoral brasileiro bem na época do derramamento de óleo venezuelano"¦(sic)", Salles escreveu no Twitter.


Após tuíte de Salles, Greenpeace diz que tomará medidas legais contra ministro. Twitter

A publicação do ministro dá a entender que a foto é atual. Entretanto, o primeiro registro de publicação da imagem é de 2016, ocasião em que o navio Esperanza estava no oceano Índico protestando contra o que a ONG classificava como pesca destrutiva por meio do uso de dispositivos que atraem peixes, tirando-os da sua rota.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), cobrou explicações de Salles por meio do seu Twitter. "Estamos esperando uma posição oficial do Ministério do Meio Ambiente."

De acordo com o Greenpeace, durante o período em que o governo estima que ocorreu o derramamento, o navio Esperanza estava na Guiana em expedição para "expor as ameaças das petrolíferas" aos corais da Amazônia.

Atualmente, o navio está em Montevidéu, no Uruguai, promovendo a campanha "Proteja os Oceanos".

Questionado, o Greenpeace disse à Folha que o navio Esperanza é uma embarcação híbrida, de classe Yacht, e habilitada para transporte de carga e de passageiros, mas que não dispõe de estrutura para armazenamento e transporte de petróleo, atividade que requer autorização de órgãos do governo.

A ONG afirma, em nota, que entrará na Justiça contra Salles. "Tomaremos todas as medidas legais cabíveis contra todas as declarações do Ministro Ricardo Salles. As autoridades têm que assumir responsabilidade e respondem pelo Estado de Direito pelos seus atos."


Greenpeace disse que vai tomar as providências em relação ao ministro do meio ambiente. Twitter

Desde o início da semana a ONG vem sendo alvo de críticas do ministro. Na segunda-feira, Salles ironizou um vídeo do Greenpeace em que um porta-voz da organização responde à pergunta "Por que o Greenpeace não está nos locais atingidos ajudando na limpeza?".

"O Greenpeace 'explicou' porque não pode ajudar a limpar as praias do Nordeste... ahh tá"¦(sic)", escreveu o ministro em rede social.

O vídeo utilizado pelo ministro para criticar a suposta ausência de voluntários da ONG em grupos de limpeza de praias do Nordeste foi editado e parte foi retirada.

A gravação completa tem cerca de três minutos, dos quais mais da metade não aparece na montagem compartilhada pelo ministro.

Na versão original, publicada na última sexta-feira (18), o porta-voz do Greenpeace explica que há voluntários trabalhando junto com instituições governamentais para limpar as praias afetadas. Além disso, a ONG também cita voluntários no Maranhão e Ceará que estariam colhendo depoimentos de moradores e registrando em foto e vídeo os locais afetados.

Na quarta-feira (23), integrantes do Greenpeace fizeram um protesto em frente ao Palácio do Planalto, em Brasília, contra as manchas de óleo que já chegaram a pelo menos 229 locais de 86 municípios nos nove estados do Nordeste, segundo o Ibama.

Os manifestantes simularam um derramamento de petróleo no calçadão do palácio, onde o presidente Jair Bolsonaro (PSL) despacha. Ainda que o protesto tenha sido pacífico, 19 ativistas foram detidos no gramado em frente ao Congresso Nacional e levados ao 5º DP da capital federal para averiguação.

Após algumas horas, eles foram liberados. Segundo a ONG, a polícia não divulgou por que o grupo foi detido.

Para formar as poças de petróleo, os ativistas despejaram no chão um líquido feito com uma mistura de amido de milho, farinha de tapioca, óleo de amêndoas, água e corante. Segundo a ONG, a substância pode ser facilmente retirada com água.

Salles, por meio de postagem em rede social, chamou os ativistas do Greenpeace de ecoterroristas. "Não bastasse não ajudar na limpeza do petróleo venezuelano nas praias do Nordeste, os ecoterroristas ainda depredam patrimônio público", escreveu o ministro.

Fonte: Folhapress

Deixe seu comentário