Amazônia e Cerrado são os biomas mais devastados em 18 anos, aponta IBGE

No Cerrado, a perda foi de 152,7 mil km² e na Caatinga foi de 1.604 km

28/09/2020 10:22h

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Segundo dados das Contas de Ecossistemas: Uso da Terra nos Biomas Brasileiros (2000-2018), divulgados pelos Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os biomas brasileiros perderam 500 mil km² de sua cobertura natural, passando de 5,9 milhões de km², em 2000, para 5,4 km² em 2018. Todos os biomas tiveram saldo negativo, mas a perda foi diminuindo de magnitude ao longo dos anos. Os maiores quantitativos de redução de áreas naturais estiveram concentrados nos Biomas Amazônia e Cerrado.

A maior redução de área nativa aconteceu na Amazônia, que encolheu 269,8 mil km², e no Cerrado, com menos 152,7 mil km² de cobertura natural. Somadas, as perdas dos dois biomas representam 86,2% do total. Já a redução mais intensa de cobertura natural em termos percentuais foi no Pampa, de -16,8%. O Pantanal foi o bioma que apresentou os menores decréscimos de áreas naturais, tanto em termos absolutos (2.109 km²) quanto percentuais (1,6%). A maior perda percentual ocorreu no Bioma Pampa, onde 16,8% de sua área natural, em 2000, foi convertida em usos antrópicos. 

O Estado do Piauí tem cobertura dos biomas Cerrado e Caatinga, sendo que este também teve uma perda. Neste mesmo recorte, a Caatinga teve perdas de 17.165 km² (2016) e de 1.604 km² (2018). Apesar disso, esse foi o terceiro bioma mais preservado do país, e tem 36,2% de seu território sob influência antrópica.

De acordo com os dados, a característica mais marcante das transformações de uso da terra do Bioma Cerrado é a expansão contínua e acelerada da agricultura, com o acréscimo de 102.603 km² entre 2000 e 2018. Nota-se que as áreas de vegetação campestre e florestal se reduziram, também, progressivamente, dando lugar a pastagem com manejo e área agrícola.

(Foto: Fernando Peres Dias, 2018)

A pastagem é a segunda classe de uso da terra mais representativa nesse bioma, e sua relevância se deve às características históricas de ocupação. Em 2018, 44,61% das áreas agrícolas e 42,73% das áreas de silvicultura do Brasil encontravam-se no Bioma Cerrado.

De 2000 a 2018, no Cerrado, houve alta de 52,92% para as áreas agrícolas e de 104,32% para as áreas de silvicultura. A expansão da agricultura está relacionada as commodities agrícolas, com duas grandes concentrações. A primeira, na região Centro-Sul – englobando os Estados do Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso do Sul, que possui alta capacidade de investimento dos atores envolvidos, bem como aptidão agrícola do solo.

A outra concentração, no MATOPIBA (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), vem sendo ocupada por plantações de soja, algodão e outras monoculturas de grãos e cereais, o que representa uma expansão contínua de padrão, de Sul para Norte, na agricultura brasileira.

A expansão da silvicultura, por sua vez, está associada, em termos de valor da produção, às atividades da indústria de papel e celulose, em crescimento no período citado, seguidas do uso tradicional para produção de lenha e carvão vegetal.

Caatinga: cobertura natural diminui

Em 2018, predominava na Caatinga a vegetação campestre (46,8%), sendo apenas 5,6% de seu território com usos antrópicos estritos sob a forma de pastagem com manejo. Contudo, o bioma apresenta uma diminuição contínua de suas coberturas naturais, e a vegetação campestre teve sua área reduzida em 26.768 km². De 2000 a 2018, cerca de 47,3% das mudanças de uso e cobertura da terra nesse bioma foram relativas à conversão de vegetação campestre em mosaico de ocupações em área campestre.

As classes de mosaicos são bastante representativas na região, devido a um número elevado de estabelecimentos rurais de pequeno porte, caracterizados por cultivos de subsistência, pequenas pastagens ou sistemas agroflorestais.

A área agrícola teve um aumento de 74,9%, expandindo sobre áreas naturais, apenas 2,5% convertida da pastagem com manejo

Caracterizado pelo predomínio de campos nativos; em 2018, 37,4% de vegetação campestre, seguida pela classe de área agrícola (36,3%), além de 19,3% da área natural descoberta do Brasil

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Por: Isabela Lopes, com informações do IBGE

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