77,8% da pobreza são de famílias com pessoa preta ou parda, diz IBGE

Para pessoas brancas, a despesa total per capita é de R$ 2.279,19, enquanto quando são pretos ou partos cai para R$ 1.207,11

26/11/2020 10:32h

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A Pesquisa de Orçamentos Familiares 201-2018, divulgados nesta quarta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra uma grande diferença na despesa total per capita entre famílias com pessoas pretas ou pardas e brancas. Para os casos de pessoa branca, a despesa total per capita é de R$ 2.279,19, enquanto quando são pretos ou partos cai para R$ 1.207,11, isto é, uma diferença de 47,0%.

Dada a natureza essencial deste tipo de despesa, ressalta-se o contraste dos valores das despesas per capita nos grupos de habitação (R$ 330,72 para pretos ou pardos e R$ 644,31 para brancos), assistência à saúde (R$ 94,99 para famílias chefiadas por pretos ou pardos e R$ 183,94 para quando a pessoa é branca) e alimentação (R$ 181,60 em casos de pessoas pretas ou pardas e R$ 269,44 quando brancas).

(Foto: Arquivo ODIA)

A pesquisa também traz uma análise da pobreza no Brasil, com base nas linhas de R$ 1,90/dia e R$ 5,50/dia, convertidas pela paridade do poder de compra de 2011 e deflacionadas para 15 janeiro de 2018. No Brasil, 1,4% da população viviam abaixo da linha de R$ 1,90 e 12,1%, abaixo da linha de R$ 5,50.

A área rural tem apenas 14,7% da população, mas contribui com 34,6% de toda a pobreza observada. Quando a estratificação é feita por região, o Norte abriga 8,6% da população brasileira e contribui com 26,1% de toda a pobreza. A região Nordeste abriga 27,3% da população brasileira e contribui com 47,9% de toda a pobreza.

Quando a análise é feita por cor ou raça, 77,8% de toda a pobreza está na população cuja pessoa de referência da família se declarou preta ou parda. Por nível de instrução, 66,5% de toda a pobreza está na população em que a pessoa de referência da família tinha o ensino fundamental incompleto ou era sem instrução. Por ocupação, 81,7% da pobreza estava concentrada nas pessoas que compunham as famílias cuja pessoa de referência era um empregado sem carteira, um trabalhador por conta própria ou um não ocupado.

No Brasil, a despesa total per capita foi de R$ 1.667,90, deste total R$ 1.554,06 correspondem às despesas correntes, R$ 63,61 ao aumento do ativo e R$ 50,22 à redução do passivo. No tocante às despesas de consumo (R$ 1.370,53), a habitação é a responsável pela maior parcela (R$ 466,34), seguida das despesas com transporte (R$ 234,08) e alimentação (R$ 219,44). Importante destacar que o componente de educação ganha 2,7 pontos percentuais em relação à despesa total quando os valores não monetários são inseridos

Falta de dinheiro é o principal motivo para restrição de acesso à saúde

Cerca de 26,2% das pessoas pertenciam a famílias que tiveram alguma restrição a serviços de saúde e 16,4% a medicamentos. A falta de dinheiro foi o principal motivo alegado para acesso aos serviços de saúde (16,9%) e para a aquisição de medicamentos (11,0%). Outro motivo foi a falta do produto ou serviço.

Famílias com crianças tiveram maiores restrições em serviço de saúde (12,9% e medicamentos (8,4%) do que famílias com idosos (5,7% e 3,7%, respectivamente).

As pessoas nos quatro menores décimos de renda tiveram maiores graus de restrição à saúde quando comparadas a famílias com o maior rendimento. Na restrição a medicamentos, 9,0% das pessoas estavam nos 40% com as menores rendas, enquanto 0,6% nos 10% com maior rendimento. Na restrição de acesso a serviços, essa distância ainda foi maior, pois 12,8% estavam nos 40% com os menores rendimentos e 1,2% dos 10% com maior renda.

18,1% da população vivem em famílias em que todos têm plano de saúde

Apenas 18,1% das pessoas viviam em famílias em que todos possuíam plano saúde e 17,4% em que ao menos uma pessoa tinha o serviço. A maioria, contudo, vivia em famílias em que ninguém tinha plano de saúde (64,4%).

Das pessoas que viviam em famílias com plano de saúde para todos os integrantes, 10,3% residiam no Sudeste e 0,6% no Norte. Por outro lado, 23,5% das pessoas de famílias em que ninguém tinha plano de saúde viviam no Sudeste e 4,7% no Centro-Oeste.

Em 13,2% das famílias com idosos, ninguém possuía plano de saúde

Entre as famílias com planos de saúde para todos os membros, 10,5% encontravam-se no grupo dos 20% com os maiores rendimentos e apenas 1% delas estavam na outra ponta, isto é, entre os 20% com os menores rendimentos.

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Por: Isabela Lopes

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