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João Magalhães

Com a nova legislação, partidos pequenos devem deixar de existir no interior

Pela lógica, com exceção do Progressistas e do PT, que já possuem mais de 40 prefeitos, nenhuma das outras siglas chegará a tantas cidades.

11/06/2019 16:45h - Atualizado em 11/06/2019 19:45h

Há alguns dias, discutimos aqui no blog que a fragilidade ideológica dos partidos desconfigura a democracia representativa.  Com a nova legislação eleitoral, que acaba com coligações partidárias na busca por vagas para o legislativo, um novo desenho político deve se consolidar após as eleições. E ele beneficia diretamente os grandes partidos, podendo levar as pequenas siglas a desaparecem. Ao lado da cláusula de barreira, o fim das coligações é a principal mudança que deve contribuir para enxugar o sistema partidário.

Em 2020, estará em jogo o comando de prefeituras e as cadeiras nas câmaras municipais de vereadores. Para obterem maiores chances de alcançar mais cadeiras, todos os aliados de determinado candidato a prefeito devem estar no mesmo partido. Se uma cidade tiver dois candidatos a prefeito (o que acontece em mais de 80% das cidades do Piauí), é provável que apenas dois partidos disputem as vagas para vereador na cidade.

Naturalmente, os candidatos a prefeito estarão nos partidos de seus principais líderes políticos, que na grande maioria são os deputados estaduais ou federais.

Sendo assim, é provável que partidos que já estão sem acesso ao fundo partidário e não tem representação na Assembleia Legislativa do Piauí, não disputem prefeituras, não lancem candidatos a vereador e consequentemente deixem de existir na maioria das cidades.

Os próprios líderes partidários já trabalham com essa realidade. Em entrevista recente ao jornal O DIA, João Vicente Claudino comentou que não tem a ilusão de fazer o PTB voltar a ter 80 prefeitos. Ele pontuou que o partido vai focar nas cidades em que pode lançar candidato a prefeito, o que consequentemente vai atrair candidatos a vereadores.

Pela lógica, com exceção do Progressistas e do PT, que já possuem mais de 40 prefeitos, nenhuma das outras siglas chegará a tantas cidades.

A redução de partidos deve fazer bem ao sistema político, que atualmente encontra-se desconfigurado e sem solidez ideológica. No entanto, vale ressaltar que de nada adiantará a redução de partidos, se eles não investirem em consolidação de bandeiras políticas para atrair eleitores, militantes e despertem o interesse das pessoas pela política.

As eleições de 2020 serão as primeiras em que partidos não poderão se coligar para disputar vagas no legislativo. (Foto: Assis Fernandes).


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