Safira Bengell comemora 40 anos de carreira com espetáculo Les Girls Forever

No elenco, o talento de Safira Bengell, Brenda Bacall, Ruby Nox, Barbara Finssking, Andrea de Valois dentre outros.

24/04/2019 07:13h

Compartilhar no

A atriz, produtora cultural e diretora artística Safira Bengell comemora nos próximos dias 27 e 28 de abril seus 40 anos de carreira. Vanguardista, foi a primeira artista transformista piauiense a ir para os palcos, projetando-se nacionalmente através de espetáculos e musicais. As quatro décadas dedicadas ao exercício da arte serão comemoradas com a apresentação do espetáculo “Les Girls Forever”, no Theatro 04 de Setembro, com sessões às 20h. 

“Le Girls Forever” é um espetáculo cômico musical em tributo as estrelas transformistas que fizeram história durante a Ditadura Civil Militar. A montagem revive, por meio de uma sequência de apresentações musicais, as memórias das primeiras artistas travestis surgiram na década de 1960. Na época, revolucionárias, questionaram a cena artista e propuseram novas referências musicais. 


Foto: Divulgação

Para Safira, comemorar sua carreira nos palcos homenageando atrizes transformistas é gratificante e, ao mesmo tempo, uma resistência. “É gratificante porque ainda estou trabalhando, lutando pela categoria artística. É muito difícil por conta dos incentivos, mas por outro lado me sinto feliz por ainda estar em cena. Nós, protagonismos que fomos na década de 1970 e 1980, hoje não temos mais espaços para trabalhar a nossa arte. Somos atrizes com qualidades iguais”, comenta.

O espetáculo “Le Girls Forever” já foi apresentado em outras cidades pelo Brasil. Em Teresina, a montagem tem no elenco Brenda Bacall, Ruby Nox, Barbara Finssking, Andrea Valois, Janele D Gonzales, a vedete Safira Bengell e os bailarinos Marcio Gomes e Kisuke Junior. 

Safira Bengell é uma das mais representativas ativistas da diversidade cultural piauiense. Recebeu como honraria a medalha do Mérito Renascença, concedida pelo Governo do Estado do Piauí, pelo ativismo cultural e ações humanitárias. Foi uma das articuladoras da criação do Comitê Técnico de Cultura LGBT do MinC, sendo a primeira artista travesti ter assento como sociedade civil neste comitê. 

Safira também foi pioneira ao criar jurisprudência na justiça do Piauí, sendo a primeira no Brasil a ter o direito de poder modificar o prenome e usar o artístico nos documentos. Atualmente, o direito estendeu-se a todos, gratuitamente. 

Compartilhar no
Por: Yuri Ribeiro - Jornal O Dia

É permitida a reprodução deste conteúdo (matéria) desde que um link seja apontado para a fonte!


Deixe seu comentário


Notícias Relacionadas