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Rock piauiense: do sol ao lugar ao sol

Teresina sempre foi uma capital com vocação para o Rock, que o digam os roqueiros e seus seguidores.

15/07/2019 16:40h

"Em todo release ou histórico de grupo de rock, é comum a frase “o grupo iniciou com uma turma de amigos que gostava de música e resolveu se juntar para formar uma banda”. E partindo dessa oração, é possível entender um pouco da cena em toda cidade e que retrata a realidade de quem quer produzir aquelas canções cheias de acordes de guitarra. Em Teresina, grande parte começou assim, numa brincadeira que foi levada a sério até chegar aos palcos e movimentar a bilheteria dos espaços, consolidando uma cena atual repleta de grandes artistas", ressalta o roqueiro e jornalista Diego Iglesias, que também é produtor cultural e fotógrafo e que acompanhou muito da cena do rock na cidade nos últimos 20 anos - seja como expectador, redator de jornal ou como protagonista no palco em bandas de heavy metal.

Ele destaca que a maioria dos grupos tem algo em comum: o início de carreira sofrida que vai além da produção das músicas. “Não é só compor e botar um violão debaixo do braço. Tem que ralar, carregar caixa debaixo de sol, deixar de sair pra juntar grana pra comprar corda. Isso é unânime na história de todo artista”, lembrando que com a trajetória cansativa, muitos ficam pelo caminho. E os que se mantiveram, mostram que além da força de vontade, ainda existe talento de sobra. Como um dos produtores durante vários anos do Teresina é Pop, um grande festival de música autoral promovido pela Prefeitura de Teresina por meio da Fundação Monsenhor Chaves, Iglesias conta que sentiu a evolução dos grupos e a qualidade da produção local, seja no pop rock ou no heavy metal. “Temos muitos artistas com um trabalho incrível e a gente sentia a evolução das bandas, tanto nas suas composições como no amadurecimento como profissionais. Isso é algo que enriquece muito a nossa cena atual”, observa.

Hoje o cenário roqueiro de Teresina tem dois lados: os que vivem de covers e os que ainda apostam no autoral. E isso acaba se tornando uma gangorra para os artistas, pois a facilidade de se apresentar o trabalho de outra pessoa gera um lucro mais fácil e empobrece o artista, enquanto a elaboração de um trabalho autoral nem sempre atrai o público, mas reforça o potencial artístico dos músicos. “Tanto no metal como em outras áreas, temos bandas que conseguem ter um alcance muito grande com seu trabalho próprio. Lembro de uma entrevista que fiz para o Jornal O DIA com o vocalista André Matos (ex-vocalista do Angra e Shaman e que foi um dos indicados a entrar no Iron Maiden), falecido recentemente, que ao final me perguntou por onde andavam bandas daqui como Avalon e Megahertz. Isso mostra que talvez sem perceber, acabamos quebrando barreiras”, lembra Diego.

"De uns tempos pra cá, o cenário do Rock evolução significativa, analisando mais precisamente nestes últimos dez anos, como músico e produtor cultural, tenho acompanhado esta evolução de artistas e bandas. Hoje se tem mais oportunidades de tocar, produzir e divulgar os trabalhos; sabemos o quão difícil é fazer Rock autoral tanto aqui como fora até porque não se há tanta diferença quando se trata de buscar espaço tendo e vista a falta de oportunidades pra grande maioria, mas o Rock Made in Piauí vai muito bem obrigado", diz o produtor e músico André Russo, da Banda Elétron. Ele acrescenta que o nível dos trabalhos apresentados é de qualidade sensacional! "E o mais legal é ver o público comparecendo cada vez mais a eventos independentes, prestigiando, adquirindo material; isso ocorre principalmente no meio underground onde a juventude tem presença forte. Fazer rock e produção cultural, primeiramente é amor, paixão e claro também acreditar naquilo que você faz", argumenta André Russo.

O mega guitarrista Kasbafy, da Banda Megahertz, ícone da cena roqueira piauiense

Jornalista, músico e produtor cultural Diego Iglesias sob o foco de Luana Sene

André Russo, da Banda Elétron: "O Rock Made in Piauí vai muito bem, obrigado"


Por: Marco Vilarinho

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