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Poesia transgressora inspira livro do poeta piauiense Dário P. Castro

O livro de sonetos faz parte da Coleção Século XXI, editada pela APL.

16/09/2019 17:58h

Nos dicionários, transgredir é definido como “não cumprir, não observar (ordem, lei, regulamento etc.), infringir, violar”. Nas artes, a transgressão é oxigênio. E foi nessa “contramão” que o escritor, poeta e compositor teresinense Dário P. Castro seguiu para criar “Sonetos Infames”, obra que lançará no dia 28 de setembro, às 10h, na Academia Piauiense de Letras. 

O livro de sonetos faz parte da Coleção Século XXI, editada pela APL. Com essa coleção de obras, a Academia abre um espaço para novos autores e livros inéditos, de temas diversos, buscando, assim, oferecer ao público o que está sendo produzido de mais novo no mundo literário piauiense.

“’Transgressor’ , em si, não é uma palavra com juízo de valor bem definido. Por exemplo, se você vive num país onde é proibido tomar banho de mar, sorrir, ser amável com as pessoas e você fizer essas coisas, você será um transgressor. Eu digo isso pra que a gente não pule para certas conclusões. E também para fazer o argumento que ser puritano não é o mesmo que ser puro, que ser moralista não é o mesmo que ter uma moral boa”, adianta o autor. 

Em “Sonetos Infames”, o Dário reúne sonetos alexandrinos e decassílabos heroicos em uma proposta que questiona a estética romântica, ovaciona o papel da arte na transformação do homem e do mundo e aborda temas sociais atuais, como questões de gênero, preconceito e intolerância religiosa.

O soneto, segundo o autor, é sua forma poética preferida. “O soneto foi abandonado, tratado como coisa estática, sem sentimento. Muitos literatos abraçam a poesia moderna como conceito de liberdade plena, já que vêem no soneto um freio para a liberdade dos versos. Eu não vejo assim”, opina.

Dário adiciona elementos estranhos ao soneto sem que desvirtue a sua forma, métrica e rimas. “Há um soneto de cabeça para baixo, outro que você precisa de um espelho para ler por completo, alguns com rimas internas que podem rearranjar toda a forma do poema e também uma fábula escrita em dez sonetos. Tem um soneto em que todas as palavras começam com a letra ‘P’”, ressalta. Engenhosamente, o poeta tenta desafiar a norma estética tanto na forma como no conteúdo e mostrar como entortar todas regras sem precisar quebrar nenhuma.

Na obra, o artista utiliza ainda imagens cruas e tortas, algumas viscerais ou escatológicas. “Eu uso o corpo nu, os instintos, a rebeldia. Eu falo do papel da arte e do artista. Eu faço filosofia, humor, poesia e provocação com os meus sonetos. Eu me divirto”, conclui.

O autor

Dário P. Castro é jornalista com mestrado em Mídia, Cultura e Sociedade pelo departamento de Sociologia da Universidade de Essex, no Reino Unido. A paixão por filosofia e a formação em sociologia são influências claras na sua mais recente obra, assim como Augusto dos Anjos, seu poeta preferido.

“Tenho o mesmo pessimismo dele (Augusto dos Anjos) na minha poesia, mas eu vejo na ruína a chance de reconstrução. Augusto dos Anjos inspirou todos que vieram depois dele, mesmo aqueles que o rejeitaram. Minha poesia tem muito de simbolismo e parnasianismo, muita influência de sociologia, da filosofia de Nietzsche e do meu interesse por temas atuais como gênero, identidade, preconceito”, conclui.

Por: Glenda Uchôa

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