Em cena, Maracatu e música eletrônica em crítica social

A montagem "Caranguejo Overdrive" tem inspiração no movimento Manguebeat e faz sérias denúncias

26/04/2019 07:37h

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Nesta sexta e sábado, dias 26 e 27 de abril, a Aquela Cia. de Teatro apresenta em Teresina o espetáculo “Caranguejo Overdrive”. A montagem é inspirada no movimento Manguebeat e marcada por uma forte denúncia social. O coletivo também vai promover a oficina “Narrar em tempos (ins)urgente” e um encontro com grupos de teatro locais. A apresentação da peça e as demais atividades acontecem no CAMPO Arte Contemporânea.

Com direção de Marco André Nunes e texto de Pedro Kosovski, ao ritmo de maracatu mesclado a música eletrônica, Caranguejo Overdrive retrata a cidade em movimento e o impacto sobre seus habitantes. Apesar de se ser ambientada no século XIX, o espetáculo se torna atual pelo seu enredo. A trama apresenta a história de Cosme, um ex-catador de caranguejos no mangue carioca, que é convocado a lutar ao lado do Exército Brasileiro na Guerra do Paraguai.

Cosme sofre um colapso mental no campo de batalha e é dispensado. Ao retornar a sua terra, encontra um Rio de Janeiro caótico e em transformação. Cosme procura novamente o mangue e, ao não encontrar, consegue um emprego na construção do canal que representou a primeira grande obra de saneamento na capital carioca. A partir disso, Cosme já não sabe mais se é homem, caranguejo, soldado ou operário. Sua crise o obriga a abandonar tudo.


Foto: Divulgação

O elenco é composto Alex Nader, Carol Virguez, Eduardo Speroni, Matheus Macena e Fellipe Marques.  A performance deles dialoga com uma banda, conduzida por Felipe Storino, e que toca canções originalmente compostas para a peça, além de clássicos do movimento Manguebeat, responsável por imortalizara Chico Science e Nação Zumbi. O estáculo é completado pelo power trio (guitarra, baixo e bateria) formado por Maurício Chiari, Pedro Leal e Felipe Storino.

Depois de ter sido apresentada em Goiânia (GO) e Belém (PA), “Caranguejo Overdrive”segue em turnê nacional através do Programa Petrobras Distribuidora de Cultura que, em parceria com o Ministério da Cultura, que contempla projetos de espetáculos teatrais não inéditos. O espetáculo foi um dos 57 projetos aprovados no último edital, inscritos de todas as regiões do país. 


Eduardo Speroni, Matheus Macena, Fellipi Marques e Alex Nader - Foto: Divulgação

A companhia 

A companhia Aquela Cia. foi criada em 2005, a partir da reunião de artistas de várias escolas de teatro do Rio de Janeiro. Ancorada inicialmente nas relações entre teatro e literatura, sua primeira montagem foi o “Projeto K.”, uma peça sobre a vida e a obra de Franz Kafka.  Vieram em seguida “Sub: Werther” (interpretação do romance Os Sofrimentos do Jovem Werther, de Goethe, a partir dos intertextos do livro Fragmentos de um Discurso Amoroso, de Roland Barthes); “Lobo nº1 [A Estepe]” (baseado no romance de Herman Hesse); e “Do Artista Quando Jovem” (em torno do universo literário de James Joyce). 

Em 2015, Aquela Cia. celebrou seus 10 anos com as montagens de “Caranguejo Overdrive” e “Laio & Crísipo”, esta última, uma atualização de um dos mitos fundamentais da cultura ocidental, narrado por Sófocles em Édipo Rei, que relata a relação homoafetiva entre Laio, um exilado, e Crísipo, o filho do rei.   

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Por: Yuri Ribeiro - Jornal O Dia

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