Vendas no Polo Cerâmico do Poti Velho caem durante período chuvoso

Artesãos explicam que tanto a matéria-prima aumenta de valor como o tempo de secagem mais longo atrapalham as vendas.

11/04/2019 06:58h

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O período chuvoso tem causado prejuízos para os artesãos do Polo Cerâmico do bairro Poti Velho, na zona Norte de Teresina, tanto pelo aumento do preço da matéria-prima como pela demora em secar as peças, devido ao tempo nublado e à umidade. 

Trabalhando há mais de 28 anos nesta profissão, José Carlos da Silva Oliveira explica que o preço da argila aumenta por conta da retirada do barro da área de extração. “A argila é tratada em outro lugar e, consequentemente, esse custo é repassado para nós. Às vezes, a gente se sacrifica um pouco para não passar o aumento para o consumidor, exatamente porque as vendas estão baixas neste período. Tentamos comprar a argila e lenha, fazemos negócios para adquirir por um preço mais em conta, principalmente nesse período chuvoso”, conta.

O artesão Antônio Raimundo da Silva, que há 17 anos trabalha no Polo Cerâmico do Poti Velho, comenta que suas peças são feitas em um barracão, devido à falta de espaço em sua loja. Por conta disso, o preço acaba saindo um pouco mais caro, devido ao deslocamento. Com relação à matéria-prima, Antônio Raimundo comenta que a argila é retirada por dois fornecedores e armazenada em um galpão durante o período chuvoso para que não falte aos artesãos.


Comércio também fica prejudicado durante o Carnaval, Semana Santa e festividades juninas - Foto: Assis Fernandes/O Dia

“Com o período chuvoso, o custo aumenta porque ele [fornecedor] vai ter que aumentar o preço da diária. Devido ao local de retirada da argila estar com água, ele precisa comprar gasolina para a bomba para puxar a água do barreiro. O tratamento da argila era feito lá mesmo, mas como as condições não são das melhores, eles acabam levando para o barracão e fazendo a limpeza lá, aí só depois que trazem para nós, por isso que aumenta o custo. Então, eles repassam para nós e, muitas vezes, temos que repassar para o consumidor”, destaca.

Outo motivo que faz as vendas caírem nesse período é o tempo de secagem das peças. O que levaria entre 10 a 15 dias para secar, chega a levar até 30 dias, dependendo do tamanho da peça. “Querendo ou não, isso é uma perda porque demoramos até 30 dias para colocar a peça para venda”, destaca Antônio Raimundo.

Prevendo a queda das vendas que chega a 25%, inclusive em outros períodos, como Carnaval, Semana Santa e festas juninas, os artesãos buscam estratégias para se manter. “Pensando nisso, eu me previno e vendo peças pequenas, que eu mesmo posso fazer aqui na loja. As vendas caem, mas dá para se manter”, enfatiza Antônio Raimundo.

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Por: Isabela Lopes - Jornal O Dia

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