Theresina B.B.Rock é palco de encontro de gerações do rock piauiense

Banda Venus voltou aos palcos após 30 anos; Festival uniu cerveja, churrasco e rock'n roll em uma noite com tudo de Piauí.

08/07/2017 23:10h - Atualizado em 08/07/2017 23:26h

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O 1º festival Theresina B.B.Rock transformou Teresina na cidade do rock hoje (8). Com dez bandas autorais de rock genuinamente piauiense, o evento aconteceu no Theresina Hall e foi palco de um encontro entre várias gerações de bandas que compõe o cenário musical do rock no Estado. 

Em mais de dez horas de show com canções autorais e homenagens à clássicos do rock, uma das atrações mais aguardas é a banda de heavy metal Vênus, que fez a primeira reunião após trinta anos desde seu primeiro disco, lançado em 1986. Por outro lado, a banda Black Ties, formada há pouco mais de um ano e com três jovens rapazes em sua composição, faz sua primeira participação em um festival e divide palco com outras bandas com grande bagagem. Entre elas, estão Cojobas, Os Radiofônicos, Maverick 75, Anno Zero, Teófilo Lima, Megahertz, André de Sousa e Modstock mostram seu trabalho nos palcos “Marco Veloso” e “Kasbafy”. 

Carlos Pincel, Thyrso Marechal, Francisco “Kinha”, João Filho e Ico Almendra compõem a formação original da Banda Vênus, que deixaram um legado para o rock and roll piauiense mesmo com apenas um disco lançado em carreira, mas abrindo espaço para outras bandas. Para Thyrso Marechal, guitarrista do grupo e vocal no primeiro LP, é eletrizante reviver o grupo depois de tanto tempo. A expectativa é que as músicas “Elos de Nossa Utopia” e “Existência” mais agitem o público no Theresina B.B.Rock.

Thyrso Marechal (Foto: Andrê Nascimento/ O Dia)

“É difícil de descrever esse momento, porque para mim a Vênus já fazia parte do passado, já tinha até uma lápide e de repente a gente se vê no meio desse furacão voltando, tocando emocionalmente as pessoas. É muito emocionante. É maravilhoso perceber o legado passado 30 anos consegue provocar isso nas pessoas. Faz tempo que eu estou acostumado com os palcos, faz tempo que não me sinto nervoso e hoje eu estou um pouco”, comenta Thyrso. 

Além disso, Thyrso aponta a importância da renovação do cenário musical com o surgimento de novas bandas que apostem em rock autoral e o festival proporciona o estreitamento de laços entre grupos de diferentes épocas. “O rock precisa disso, de renovação. Nós jogamos uma semente ali para que eles estejam hoje aqui. E acho boa essa mistura de gente mais velha, de gente mais nova, porque aí você vai revigorando o rock n' roll, você só pode imaginar que o rock vai continuar e o nome do Vênus vai continuar com isso”, acrescenta. 

O guitarrista Ico Almendra destaca que a expectativa para o show é grande por conta do tempo parado e ele atribui o sucesso da reaproximação da Vênus aos fãs, que deixaram o legado da banda viva durante os trinta anos, construindo páginas na internet e compartilhando o trabalho do grupo ao longo das décadas. 

Ico Almendra (Foto: Andrê Nascimento/ O Dia)

Além disso, Ico revela: o festival Theresina B.B.Rock é onde será lançada nova música da banda de heavy metal, chamada “Medo Medonho”. Para Ico, a integração entre bandas antigas e novas fecha um ciclo. “Eu acho perfeito essa integração de colocar a gente no meio de gente mais nova. Fecha um ciclo, a gente começou e estamos aqui 30 anos depois e tudo o que tem aí é consequência de tudo que a gente fez, o pessoal que se viu atrás dos caminhos que a gente abriu e isso é fantástico”, fala. 

Em meio à grandes nomes consolidados no cenário piauiense, a banda Black Ties caminha a passos largos sua história, com videoclipe lançado e, recentemente, sendo o grupo piauiense mais acessado em plataformas de música na internet, com vinte mil ouvintes. No 1º B.B.Rock, é a primeira experiência da banda em um festival. 

“É muito incrível, muito legal essa reunião que teve de todas as bandas. Vai ter a banda mais antiga do Piauí, de rock, que gravou e tudo, a Vênus, e ao mesmo tem a gente que é banda mais nova, que gravou em um ano e vai ter também Cojobas, que é banda que criou a gente. E essa confraternização é muito massa e é uma boa oportunidade de mostrar nossa música. Cada banda aqui é uma ramificação do que o Vênus começou.”, conta Ricardo Pinheiro, vocalista da Black Ties. 

Ricardo Pinheiro e a Black Ties em ação (Foto: Andrê Nascimento/ O Dia)

Na ocasião, a banda que nasceu com uma pegada de pop rock aproveitou para lançar uma nova música para o público do festival. Para Ricardo, o evento requisitar que as bandas tenham músicas autorais em seu repertório é um estímulo para mais produção no Piauí. 

Da mesma forma, um dos idealizadores do Theresina B.B.Rock, Marcelo Leonardo, produtor e guitarrista da banda Cojobas, destaca que o evento apoia a cultura local nos mais diversos âmbitos, das bandas autorais até as cervejarias artesanais que fabricam o próprio produto no estado. Para ele, há clima de confraternização entre as bandas e o festival preenche uma lacuna da falta de eventos voltados para o rock na cidade. 

Marcelo Leonardo, produtor e guitarrista da banda Cojobas (Foto: Andrê Nascimento/ O Dia)

“É um mix de produtos, de bandas, de hambúrguer e churrasco, a cidade abraçou, só se fala nisso em Teresina hoje. A expectativa é de três mil pessoas, a gente vê um clima de felicidade, tem muita criança prestigiando. A ideia é que as coisas são todas daqui, da nossa terra, e são todas ótimas”, frisa Marcelo. 

Homenagem 

“Só acaba quando eu morrer”, é o que destaca Kasbafy, guitarrista da banda Megahertz, ao ser perguntando sobre o fim do grupo de heavy metal piauiense. Um dos nomes que fez o rock piauiense crescer é o do guitarrista, que teve sua contribuição ao longo de 32 anos ao rock and roll homenageada no Theresina B.B.Rock, com um dos palcos do evento contendo seu nome. 

Kasbafy, da banda Megahertz (Foto: Andrê Nascimento/ O Dia)

Para Kasbafy, foi uma surpresa ter seu nome estampando um dos palcos do festival. Para ele, a palavra “revitalização” é o que instiga o novo som do rock piauiense que vem se formando. “Existe sempre bandas novas em Teresina e estava precisando exatamente essa exposição do material novo que está sendo produzido e gente tá vendo que tá tendo uma procura de bandas novas querendo mostrar seu material”, fala. 

Amor de fã 

Ao saber do reencontro da banda Vênus no Theresina B.B.Rock, um grupo com cerca de doze pessoas de Fortaleza, no Ceará, resolveu se juntar e vir à capital para prestigiar o grupo. Um deles é o técnico em informática Sidney Barros. O grupo até produziu camisetas para ir prestigiar a banda no festival. Ele conta que é fã da Vênus há mais de vinte anos e a expectativa do show é a melhor possível. A música mais esperada por Sidney é “Solta o Vírus”.  

Grupo veio de Fortaleza para assistir à volta da banda Venus (Foto: Andrê Nascimento/ O Dia)

Quando o grupo lançou o álbum, em 1986, Sidney tinha apenas quatro anos. Natural do Piauí, o técnico se mudou para o Ceará e lá conheceu a banda de heavy metal, que tinha mais fãs do que em sua própria terra natal.

“Quando eles começaram eu só tinha 4 anos, mas aí conheci quando comecei a ouvir heavy metal, e assim aumentou quando eu fui pra Fortaleza. O disco da Vênus eu já mandei para colecionador de discos, já mandei pro Japão, já mandei pra Portugal, mandei pra Espanha, é um disco que pegou, é uma raridade”, finaliza.


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Edição: Nayara Felizardo
Por: Letícia Santos

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