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Sem estoque suficiente, Banco de Leite controla doações a bebês prematuros

Devido à redução das doações, a unidade está funcionando com a triagem de oferta, priorizando os nenéns em condições mais críticas.

21/05/2019 08:33h

O leite materno é um alimento essencial para a sobrevivência e saúde do bebê. Para chamar a atenção das gestantes e lactantes que estão amamentando, foi lançada a campanha nacional “Doe leite materno, alimente a vida”, do Ministério da Saúde. Através de diversas ações de conscientização, a campanha visa sensibilizar essas mulheres para que doem leite materno ao Banco de Leite e possibilitem que os bebês, sobretudo os prematuros, tenham como se alimentar.

Somente na Maternidade Dona Evangelina Rosa, segundo Vanessa Paz, supervisora do Bando de Leite, há cerca de 80 bebês prematuros, divididos entre UTI, unidade intermediária e em alojamento canguru, e que fazem uso do leite materno que é doado.

“Aqueles que não estão em aleitamento exclusivo com suas mães ainda precisam de complementação, mesmo estando com a mãe no alojamento. Por dia, usamos cerca de 2,5 litros de leite, mas o ideal seria, pelo menos, 6 litros, mas infelizmente precisamos controlar o estoque”, fala.

Vanessa Paz pontua que os postos de coleta de Teresina tiveram uma queda significativa, como nas maternidades Wall Ferraz, do Buenos Aires e do Satélite. Ela lembra que é preciso conscientizar as mães que residem nessas regiões para que elas compareçam aos postos e façam suas doações. 


O ideal é que a média de doações fique entre 10 a 12 litros por dia - Foto: Poliana Oliveira/O Dia

“Temos um estoque seguro, mas que ainda não atende 100% dos bebês. Nosso estoque tem cerca de 72 litros e a nossa coleta diária é de 8 a 10 litros, mas não é algo permanente e, às vezes, oscila para 4 litros por dia. Por isso, precisamos aumentar o número de mães doadoras, para que tenhamos essa coleta contínua e que a nossa média fique entre 10 a 12 litros/dia”, comenta.

A supervisora destaca que, devido à redução de doações, o banco de leite está funcionando com a triagem de oferta. Vanessa Paz explica que, quando o bebê melhora seu quadro clínico, como ganho de peso, e já está recebendo em parte o leite da mãe e em parte outra dieta, esse leite é destinado para outros bebês que estão em condições mais críticas. 

“Desejamos muito a doação daquela mulher pós-parto, que é um leite colostro, de transição, que é a característica do leite que o bebê prematuro necessita”, frisa Vanessa Paz. 

Como ser doadora de leite materno

Para as mulheres que não conhecem o Banco de Leite, que funciona na Maternidade Dona Evangelina Rosa, ou que ainda não são doadoras, mas desejam participar desta ação, basta entrar em contato através do telefone 0800 280 2522 e tirar todas as dúvidas. 

A gestante ou lactante que está saudável pode ser uma potencial doadora, basta apresentar seu cartão de pré-natal e passar por uma avaliação da saúde da mulher por meio destas informações. A partir daí, ela é colocada no cadastro. A doação é livre, assim como o volume e o tempo de permanência. 

O banco de leite fornece um kit de coleta individual para que ela retire o leite após a mamada do seu filho ou ao longo do dia, em caso de excesso. “Se no local de trabalho tiver um local que ela possa congelar esse leite, ela pode fazer a retirada lá mesmo, tanto para o bebê dela como para doação”, fala Vanessa Paz, supervisora do Banco de Leite da Maternidade Dona Evangelina Rosa.


A gestante ou lactante que está saudável pode ser uma potencial doadora - Foto: Divulgação

Doações em números

Entre 2008 e 2018, o número de doadoras cresceu 45% e o volume de leite coletado 30% em todo país. No ano passado, mais de 185 mil crianças receberam leite humano doado de quase 183 mil mulheres. Foram 215 mil litros de leite humano coletados.

Com a maior e mais complexa rede de banco de leite do mundo, o Brasil é referência internacional por utilizar estratégias que aliam baixo custo e alta tecnologia. Desenvolvida há 34 anos, a estratégia brasileira tem como foco a promoção, a proteção e o apoio ao aleitamento materno até os dois anos de vida, sendo de forma exclusiva até os seis meses de idade.

Hoje, há no Brasil 225 bancos de leite humano, sendo que cada um dos 26 estados e o Distrito Federal possui pelo menos uma unidade. A média nacional é de 45 bancos de leite por macrorregião do país. Além disso, estão disponíveis 212 postos de coleta, além da coleta domiciliar disponível em alguns estados. Todo o leite humano coletado passa por um rigoroso controle de qualidade antes de ser distribuído e é fornecido de acordo com as necessidades de cada recém-nascido.

Por: Isabela Lopes - Jornal O Dia

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