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Sem amparo de políticas de proteção, animais de rua são sacrificados

Protetores creem que órgãos públicos são ausentes e poucos sensíveis à situação.

22/04/2019 07:10h

Na última semana, no bairro Lourival Parente, na Zona Sul da Capital, uma égua foi atropelada e aguardou mais de sete horas até que o Centro de Zoonoses de Teresina fosse ao local avaliar o estado de saúde do equino. Mesmo sem exames que determinassem a gravidade das lesões, o médico veterinário decretou pela eutanásia no animal.

Esse tende a ser o destino dos animais abandonados ou que vivem nas ruas de Teresina. Sem amparo de órgãos públicos, cães, gatos e outros bichos que não possuem tutores, são encaminhados para instituições que tem como finalidade o controle de zoonoses, sendo estes sacrificados por não terem um local adequado para serem direcionados.

Segundo a protetora de animais e estudante de Direito, Ingrid Resende, os órgãos são bastante ausentes em relação à causa animal e não desenvolvem políticas públicas de proteção aos bichos em situação de vulnerabilidade. Ainda de acordo com ela, em casos em que os órgãos deveriam realizar ações que salvassem a vida dos animais, ele tendem a recorrer ao sacrifício.


Égua atropelada foi sacrificada por falta de local para atendimento - Foto: Poliana Oliveira/O Dia

“Teresina é uma cidade carente de equipamentos, como vemos em outros estados. No caso dessa égua, esse animal deveria ter sido encaminhado para realizar exames. Lá no Hospital Veterinário Universitário eles têm um setor específico para equinos. Se não fosse possível movê-la, os equipamentos deveriam ter chegado até ela. Comparando com outras cidades, já existe Samu para cachorros e gatos de rua, hospitais totalmente públicos, coisa que aqui ainda não existe”, comenta.

Ingrid Resende lembra que na Capital há o Hospital Veterinário Universitário, da Universidade Federal do Piauí, contudo, todos os procedimentos realizados são cobrados e, por ser vinculado a uma instituição pública, alguns equipamentos estão danificados, comprometendo o atendimento, além da superlotação.

“Esse é o único hospital que atende à demanda da cidade e os protetores acabam ficando muito sobrecarregados, porque eles pegam para si alguns desses casos e precisam arcar com todo o custo. Os animais aqui em Teresina não têm nem chances de se salvarem porque o destino deles é sempre o sacrifício. Se for realmente a única opção, que seja de forma digna, mas no Centro de Zoonoses”, disse.


Foto: Poliana Oliveira/O Dia

Outro grande problema apontado por Ingrid Resende é com relação à castração dos animais de rua. Ela comenta que esse procedimento é de extrema importância para evitar o aumento populacional de cães e gatos.

“Um castramóvel seria uma ótima opção, porque atenderia a todos os bairros e percorreria toda a cidade, mas tudo que é relacionado aos animais é esquecido. A mesma delegacia que atende casos de maus-tratos contra animais é a mesma da Delegacia do Silêncio, que trata de tráfico de madeira, entre outros crimes ambientais. Como que é possível atender a todas essas demandas sendo que o pessoal que atua na delegacia é mínimo?”, questiona,

Para a protetora de animais, as instituições públicas deveriam ter maior integração entre si, inclusive com a criação de um órgão responsável pelo resgate de animais em vulnerabilidade. “Mas tudo isso também parte da conscientização das pessoas, de não verem os animais apenas como objetos e que podem ser descartados”, disse.

Por: Isabela Lopes - Jornal O Dia

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