Sem água há três meses, moradores do Monte Castelo pensam em se mudar

Depender de parentes, guardar água em garrafas e baldes se tornou parte da rotina de quem mora no bairro.

30/10/2017 10:07h

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Os moradores do bairro Monte Castelo, zona Sul, já contabilizam mais de noventa dias que enfrentam problemas com abastecimento de água na região. É preciso a contribuição de vizinhos e se deslocar a outros bairros para conseguir água. No trecho mais alto da Rua Arimateia Tito, a situação se agrava a ponto de moradores já cogitarem se mudar do bairro. 

Teresina de Jesus, que tem 68 anos, precisa carregar baldes de água e armazenar o líquido em garrafas (Foto: Jaílson Soares/ O Dia)

Os afazeres básicos ficam comprometidos: lavar roupa, louça, cozinhar e tomar banho. Há três meses precisando recorrer a vizinhos ou na casa da filha para conseguir o líquido, a aposentada Teresinha de Jesus relata as dificuldades de carregar dois baldes cheios da água todos os dias, especialmente pela região possuir muitos morros. 
Com 68 anos de idade, a situação terrível é o motivo pelo qual Teresinha quer se mudar do bairro, onde mora em uma casa alugada. Ela acrescenta que nove pessoas moram na sua residência, o que representa uma demanda grande da necessidade de água. Como solução emergencial, um carro pipa foi abastecer a rua há cerca de uma semana. 
“Todo dia a gente vai atrás nas casas alheias. Minha filha mora nessa mesma rua, só que muito distante e vou lá lavar roupa. Eu preciso subir um morro com os baldes, tenho 68 anos, falto não conseguir. Já disse para a dona da casa que vou sair daqui, sem água não tem condição, a gente está pra morrer”, lamenta. 
A proprietária da casa onde Teresinha de Jesus mora é a costureira Antônia de Araújo, que teme a saída da aposentada do imóvel devido aos problemas de água, uma vez que o valor arrecadado com o aluguel é usado para pagar contas. 
Além do medo de perder a inquilina, Antônia também reclama da falta de água. Ela relata que todos os dias liga para a empresa Águas de Teresina reclamando da situação, mas nada é feito. Ela ainda conta que, ao ligar para empresa, foi informada de que existe uma taxa de cobrança pela água enviada pelo carro pipa. 

Maria Roseli Brito ficava acordada durante a madrugada para garantir que teria um pouco de água. (Foto: Jaílson Soares/ O Dia)

Segundo Antônia, quando o problema começou, a água chegava de madrugada mas pela manhã já acabava. Mas há mais de uma semana os moradores sofrem com a falta definitiva do líquido. 
“Antes disseram pra gente pagar essa água que o carro pipa ia trazer. Ai eu disse para não mandar, porque já pago talão sem ter água. Eles mandavam o carro pipa e vinha no talão essa conta a mais, mas ninguém aceitou. A gente pressionou tanto que mandaram um carro semana passada”, conta a moradora. 
Quem também precisa se deslocar em busca de água é Maria Roseli Brito. Segundo a dona de casa, com a situação, ela fica acordada quase toda madrugada esperando o retorno da água. “Na minha casa somos apenas três e por isso evitamos o máximo possível sujar roupa e louça. Se for sujar muito e secar todas as vasilhas de água que a gente tem pra beber, vamos ter que ficar incomodando os vizinhos e eu não gosto”. 
Contraponto 
Por meio de nota, a empresa Águas de Teresina informa tem enviado equipes às ruas do Monte Castelo, onde os moradores apresentaram demanda sobre desabastecimento em determinados horários. A situação, que é histórica, ocorre especialmente em ruas localizadas em áreas extremamente altas. 
Nos próximos dias, a empresa fará a troca de um registro de grande diâmetro, que proporcionará a regularidade no fornecimento de água tratada. 
Sobre o abastecimento por meio de carros-pipa, a empresa informa que não tem cobrado nenhum valor dos moradores do Monte Castelo. 
Desde que assumiu os serviços de abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto, no dia 7 de julho, vem executando o plano emergencial que contempla cerca de 30 bairros da capital com histórico crítico de falta d'água. 
Qualquer reclamação sobre falta d’água e vazamento deve ser imediatamente comunicada através do 0800 223 2000, 115 ou ainda pelo Whatsapp (98124-3199), para a devida identificação e solução
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Edição: Biá Boakari
Por: Letícia Santos

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