Salve Rainha: “Continuamos resistindo e amadurecendo”, afirma Renata Reis

Coletivo Salve Rainha comemora aniversário com final de semana de homenagens e celebrações.

24/06/2017 08:33h

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Em um ano muito pode acontecer. Para o Coletivo Salve Rainha, tem sido 365 dias de trabalho, de luta, aprendizado e pode se dizer, de luto. Durante esse final de semana, dias 24 e 25 de junho, ações especiais marcarão um ano do quiosque do Salve Rainha e homenagens aos fundadores do Projeto, Francisco das Chagas Jr. e Bruno, que morreram em um acidente de carro. Para Renata Reis, atual presidente do Coletivo, a principal mudança que as mortes de Júnior Araújo, idealizador e coordenador do grupo, e de seu irmão Bruno Araújo, também um dos coordenadores, foi a saudade que eles deixaram. 

“Temos a consciência que precisamos ficar juntos e trabalhar sempre da melhor forma possível para que possamos ser reconhecidos e mostrar nosso trabalho”, destaca ela. “Não fazemos isso não apenas porque é preciso, mas porque gostamos. Queremos mostrar a cidade, mostrar a cultura, os artistas. O que mudou, além da falta que os meninos fazem, é que temos uma amplidão cada vez maior. Vemos a importância que as pessoas veem na gente”. 
Durante esse ano, o Salve Rainha focou em diversos projetos, mas certamente a maior mudança foi a manutenção de um espaço físico no Parque da Cidadania, no centro da cidade. Lá eles montaram o Café Sobrenatural, onde além de drinks e comidas, oferecem espaço e suporte para artistas locais. 
O quiosque, que funciona diariamente, é a oportunidade para quem quer mostrar seu trabalho e compartilhar conhecimento; é espaço de fôlego no meio da atividade diária e é o espaço que muitos buscam para relaxa. Mas acima disso, é a maior concretização do sonho de Francisco das Chagas Jr, e que hoje é levado adiante pelos integrantes do grupo. 
‘’O café é uma realização, um ponto físico, o nosso espaço de arte e cultura. É muito mais do que um quiosque, é muito mais do que servir comida e atender a pessoas, é um ponto de encontro de arte e cultura em que todos os dias recebemos um fluxo de pessoas e artistas que querem mostrar o seu trabalho”, explica a atual presidente do Coletivo. 
Com o amadurecimento veio também a certeza de que muito ainda precisa ser feito. “Não só amadurecemos como coletivo, mas também como associação, como entidade, como grupo responsável pela cultura, pela arte, por discussões de gênero e raça. São três anos de Salve Rainha, mais um de quiosque. Tivemos que nos capacitar com cursos de gestão, de produção cultural. Dentro do café também foi preciso capacitação para que ali se tornasse um negócio”, explica Renata. “Todo dia amadurecemos um pouco mais, porque diariamente é uma dificuldade que precisa ser vencida. Continuamos resistindo e amadurecendo sempre”. 
De tudo um pouco 
Com 34 membros, o Salve Rainha não acredita na definição rígida de papeis. Segundo Renata Reis, todo mundo acaba fazendo um pouco de tudo. Antes, Júnior Araújo era a cabeça pensante, que sempre resolvia as situações enfrentadas pelo grupo. “Ele (Júnior) fazia essa parte de relações públicas, de falar com artistas. Ninguém substitui ele ou o Bruno porque eles não são pessoas para serem substituídas. Tentamos fazer as tarefas que eles desempenhavam. A gente precisou andar, e por isso colocamos outras pessoas para fazer as funções deles, mas cada pessoa faz um pouco, ou nos juntamos para fazer”. 

“Dizer que somos só 34 pessoas é pouco. Sempre gostamos de dizer que o Salve Rainha não é nosso, ele é da cidade. Então se você quer participar ou construir junto com a gente, pode vir”, convida Renata. 
Mesmo com dificuldades, é evidente o trabalho positivo do Coletivo. Se antes as ações eram restritas a eventos mensais itinerantes, agora com o espaço físico garantido, as responsabilidade e destaque aumentaram. “O Salve Rainha tem agora uma responsabilidade bem maior. Primeiro temos um ponto físico agora, que é o café, que completou um ano. Chamamos ele de ponto de cultura porque todo dia conhecemos alguém diferente – não importa se é nosso público ou do Parque da Cidadania. Os artistas tem mais liberdade de chegar e combinar de fazer alguma coisa lá O principal creio que seja isso. Continuamos fazendo tudo de antes, mas abraçamos mais. Continuamos indo para as escolas, academias, levando nossas ideias para todos os lugares, para abrir a cabeça dos jovens da cidade sobre gênero, diversidade, arte, cultura. E mostrar nossas realidades que a gente já viu, que a gente vê, que a cidade passa. Gostamos de fazer esse tipo de ação, mostrando nosso trabalho e conversando com os jovens”, explica Renata. 
Para o restante do ano, os planos seguem ambiciosos: uma ação em parceria com um artista mexicano, um feira literária mensal com obras de piauienses e a continuação de brechós que incentivam a economia solidária e a abertura ainda maior de espaço para artistas locais. Segundo Renata, para que aconteça tudo isso é preciso superar trâmites burocráticos, como liberação de espeço, apoios, de recursos. “Então planejamos sempre, mas por causa nisso nem sempre acontece”.

Celebrações e homenagens marcam final de semana 

Dia 24 de junho o Quiosque do Salve Rainha, Café Sobrenatural completa um ano de funcionamento no Parque da Cidadania. Um ano que representa a luta pela realização do sonho de um dos idealizadores do Coletivo, Francisco das Chagas Jr. Para marcar a data, será realizado um fim de semana especial, intitulado Rainha da Vida. No sábado e domingo, dias 24 e 25 de junho, a partir das 16h, o Parque da Cidadania receberá homenagens, sarau, música, exposições, feira com a participação de artistas admirados pelo coletivo, dando destaque a um período tão importante e significativo para todos e ainda um cardápio especial do Café Sobrenatural com bolos e drinks comemorativos. 

"Escolhemos esse final de semana porque comemoramos o aniversário do Parque da Cidadania e do Café Sobrenatural e junto a isso, fazer uma festa para celebrar a vida juntamente com as memórias vivas dos nossos amigos”, explicou Renata. Entre as atrações estão a banda regional Brabos Cocais, o DJ Pedro Ulisses e a artista Eulália Pessoa com a sua série de quadros, ‘’Mulheres’’ – tudo no sábado. Já no domingo acontecerá um sarau, onde poetas irão declamar seus trabalhos de modo informal. Também convidamos algumas pessoas para expor, mas o Salve Rainha convida todos a se expressar se elas desejarem em um painel que estará ao lado do quiosque. “Teremos feira e após o sarau duas bandas bem regionais, e o palco será livre para homenagens. É um dia que queremos colorir, sentir saudade e ficar junto”, concluiu.
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Por: Biá Boakari

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