Uma das vias mais movimentadas de Teresina, a Avenida Frei Seraim, no Centro da cidade, mais que um importante corredor de circulação faz parte da memória histórica da Capital. E se de alguma forma a história da cidade passa por ali e todas as vias desembocam nesse grande corredor, é por lá também que rappers de Teresina resolveram começar um movimento de airmação da cultura hip hop com a realização de batalhas freestyle.
O próprio nome já explica a dinâmica do movimento. As “batalhas de freestyle” são disputas de rimas entre dois rappers que, com temas livres, desafiam-se a fazer as melhores combinações e respostas em 30 segundos.
Dos enfrentamentos, saem disputas entre personalidades, frases de protesto e assuntos variados que chegam em tom de afirmação ritmada. Ritmo, aliás, é quase que um dom inerente à cada MC. As batidas, por vezes aceleradas, outras vezes lentas, guiam o tom das rimas que, agora, penetram não só as zonas periféricas da Capital, mas se espalham por espaços antes não ocupados.

Avenida Frei Seraim
se torna palco para
as disputas de rimas
entre rappers (Foto: Jailson Soares/O Dia)
Carlos Augusto, o Preto Fúria, é um dos precursores desse movimento de expansão do rap. Morador da periferia Sul da cidade, hoje com 33 anos, desde os nove ele lembra ser esse estilo musical o responsável por livrá-lo de “caminhos tortos”, como descreve.
“Com o rap, a gente sempre vem resgatando os jovens para que eles não caiam no mundo do crime. Há uns dois anos, decidimos levar isso para o Parque da Cidadania e foi aí que as batalhas se popularizaram mais na cidade”, explica.
O Parque da Cidadania é, hoje, um dos grandes atrativos de convivência, lazer e prática esportiva da Capital. Por estar localizado na parte central da Avenida Frei Seraim, atrai peris distintos de público e a convidativa localização torna o lugar quase sempre com luxo intenso de pessoas. Esta última característica, inclusive, foi crucial para a escolha do lugar em abrigar as batalhas de rap.
“Começaram a ter essas batalhas em Teresina, mas era difícil todas as pessoas se deslocarem para um lugar e outro, às vezes, o pessoal não tinha passagem, não tinha como ir. Lá no Parque, as pessoas até paravam e icavam vendo a gente. MCs que nunca tinham batalhado começaram a aparecer também”, explica Preto Fúria.
Do Parque, os rappers também resolveram se concentrar no passeio da Avenida, consolidando a “A Batalha da Frei Style”, que acontece aos sábados.
Foi nessa levada que Gilberto Junior, o MC Kadoshi, começou a virar frequentador assíduo das batalhas. O jovem de 25 anos vive em função do rap e sonha com o dia em que poderá sobreviver apenas das músicas que compõe. “Levo rap como carreira e trabalho. Hoje, não estou vivendo inanceiramente da música, ainda não dá. A gente tem buscado a valorização da cultura, porque atualmente só quem valoriza é o pessoal que participa”, considera.
É na busca pelo reconhecimento e valorização da cultura do rap que MCs, em todas as zonas da cidade, têm feito de Teresina um reduto de musicalidade e autoafirmação.
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Por: Glenda Uchôa - Jornal O Dia