Projeto de integração sofre mudanças ao chegar à Avenida Frei Serafim

Via está prestes a passar por uma série de modificações para se adequar ao novo modelo de transporte público da Capital

04/05/2019 08:57h - Atualizado em 16/05/2019 11:03h

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O projeto é alvo de críticas, sobretudo pela interferência ambiental, já que no canteiro existem árvores histórica (Fotos: Jailson Soares/ODIA)

A forma como o teresinense conhece uma das mais tradicionais vias de acesso da cidade promete ser alterada de forma impactante. A Frei Serafim, localizada no Centro de Teresina, é uma das últimas vias que passará por intervenções para que se cumpra o plano de mobilidade urbana da Capital, estabelecido desde 2009. As mudanças previstas incluem a implantação de sete estações de passageiros no canteiro central da Avenida, local que, atualmente, funciona apenas como passeio público.

Para alguns, as mudanças são necessárias, para outros, permitirão uma agressão gigantesca ao patrimônio histórico da cidade. Entre críticas e celebrações, o certo é que a licitação para construção do novo corredor exclusivo de ônibus na Avenida Frei Serafim está em fase de finalização e, nos próximos dias, deve ser divulgada a empresa que executará o serviço.

De acordo com o projeto de licitação, as obras podem demorar mais de um ano até serem concluídas. Jhamille Almeida, secretária executiva de planejamento urbano de Teresina, explica que a Secretaria Municipal de Planejamento (Semplan) ficou responsável por fazer um processo diferenciado para as estações da via.

“O plano de mobilidade já previa a Frei Serafim como um corredor desde 2009, mas a gente entendeu que precisava de um projeto diferenciado, um projeto que atendesse e que reconhecesse aquela via como patrimônio histórico cultural, que deva ser minimamente impactado. A Semplan, dentro da Secretaria de Planejamento Urbano, ficou responsável de realizar o projeto. Um projeto que atendesse as expectativas do plano de mobilidade e preservasse o máximo possível da questão ambiental e histórica que tem a Frei Serafim”, destaca.

Instituições apontam falhas

A grande questão é que, apesar da Prefeitura destacar a necessidade do projeto especializado para via, instituições como o Ministério Público e Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Piauí (CAU-PI) questionam o que já foi apresentado. “Fizemos análises do projeto e indicamos uma série de sugestões para a Prefeitura, mas, até então, não tivemos nenhuma resposta. A Frei Serafim está em uma zona de preservação, tem toda questão ambiental, além da histórica e cultural. Conversamos com várias instituições e é uma unanimidade: falta muito para chamar aquilo de projeto”, destaca Anderson Mourão, presidente da Comissão de Política Urbana e Ambiental do CAU/PI.

Abrigos de passageiros da avenida terão menos concreto e mais contato com o verde (Foto: Divulgação)

Paradas no decorrer de todo o canteiro

As alterações previstas não alteram a largura do canteiro central da Avenida Frei Serafim, mas a disposição dos aparelhos urbanos e vegetação, sim. O abrigo, que é onde as pessoas irão esperar o ônibus, será climatizado e as plataformas de embarque cobertas. “A gente não consegue fazer nessa plataforma de embarque a climatização justamente para manter todas as arvores. Aquela sensação de boulevard será mantida”, explica Jhamille.

Segundo a arquiteta, também haverá adequação de material, os abrigos se apresentarão de forma transparente, envidraçados, sem aquelas estruturas grandes de concreto comuns nos outros terminais. É um equipamento flutuante, que funcionará como uma espécie de trailer no canteiro central. “A gente já vem discutindo esse projeto há muito tempo, atualmente, a obra encontra-se embargada, mas a gente fez várias propostas, apresentou três ou quatro projetos ao Ministério Público. Agora serão feitos novos estudos e, se eles apontarem alguma inflexão, alguma situação que a gente precisa fazer alguma alteração, faremos”, constata.

Ao todo, o canteiro terá sete estações de ônibus – atualmente, são oito paradas ao longo de toda a via. Serão quatro estações do Centro para a Zona Leste e três da zona Leste para o Centro. “Eles serão despareados. Dentro do canteiro central temos 12 metros, vai ficar confortável com três metros de abrigo, três metros de ciclovia, três metros passagem de pedestre, o canteiro central vai ter adequação de acessibilidade. Então vai ter ciclovia e local do pedestre. O projeto é uma coisa bastante leve, iluminação, jardins, toda uma questão de tratamento urbanístico onde a copa das árvores precisar, ela vai vazar”, finaliza.

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Por: Glenda Uchôa - Jornal O Dia

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