Permissionários do Troca-troca passam semanas sem vender por conta da pandemia

Ganhos que chegavam a R$ 800 no mês agora não podem nem ser contabilizados de tão poucos que são. Vendedores falam em medo do vírus e preconceito das pessoas com as mercadorias vendidas.

02/09/2021 09:58h - Atualizado em 02/09/2021 10:19h

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Que a crise sanitária decorrente da pandemia de covid-19 impactou negativamente o comércio não é mais novidade. E entre aqueles que viram sua vida financeira abalada por conta do vírus e da necessidade de isolamento social, estão os vendedores do Troca-troca de Teresina. Atuando na comercialização de produtos seminovos, eles dizem que chegam a passar até um mês inteiro sem fazer uma venda devido à falta de clientes. 

Alguns culpam o medo do vírus e outros atribuem a queda nos negócios ao preconceito que as pessoas têm com os produtos que são vendidos no local. O senhor José Ribamar dos Santos, por exemplo, que trabalha no Troca-troca há 38 anos, teve que fazer malabarismos para conseguir manter o sustento da família só com a sua aposentadoria sem o adicional que conseguia arrecadar com as vendas no cais de Teresina.


Foto: Assis Fernandes/O Dia

“Lá em casa ficou dependendo só do meu salário e do trabalho da minha filha, que é vendedora de loja e ficou trabalhando de casa. As vendas aqui, elas são muito poucas, tem que a gente passa de três a quatro dias sem conseguir vender nada, tem vez que passa semana sem fazer nenhum negócio. Tem os fregueses que a gente já conhece e que aparecem sempre, mas também tem muita gente que não vem porque tem medo do vírus”, afirma.

Para José Ribamar, também há um certo preconceito nas pessoas em adquirir os produtos vendidos no Troca-troca. Ele conta que tem gente que desconfia da qualidade e da procedência da mercadoria comercializada, mas garante que são produtos de qualidade. "A gente procura fazer procura fazer um negócio direitinho, damos garantia de três meses em qualquer eletrodoméstico e tem os fregueses que conhecem e dão valor à mercadoria da gente, mas tem muita gente que não", completa.


Foto: Assis Fernandes/O Dia

Outro que também tem sofrido para conseguir manter sua renda individual com as vendas no Troca-troca é o senhor Francisco Paulo. Permissionário no local desde 1972, ele diz que nunca pensou que um dia passaria por uma situação semelhante e é claro ao afirmar que o que o coronavírus tirou de ganhos comerciais durante este período não tem como ser recuperado. 

“Antes da pandemia eu tirava de R$ 600 a R$ 800 por mês aqui, mas tinha mês que dava para fechar bem, mas depois da pandemia ninguém tem nem noção de quanto é que ganha de tão pouco que é. Eu passei três meses sem vir por causa do vírus e durante esse tempo minha esposa e meus dois filhos é que mantinham a casa”, explicou Francisco.


O senhor Francisco de Paula atua desde 1972 no Troca-Troca - Foto: Assis Fernandes/O Dia

No atual momento, o Troca-troca de Teresina conta com total de 200 vendedores diretamente vinculados e com pelo menos 300 pessoas atuando na feirinha instalado ao lado à margem do Rio Parnaíba.  Entre os produtos que são vendidos no local estão eletroeletrônicos de menor porte como ventiladores, videogames e máquinas de costura até eletros da linha branca como fogões, geladeiras e máquinas de lavar.

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