Para trabalhadores informais, persistência é o segredo do negócio

Mesmo com adversidades, ambulantes optam pela autonomia e insistem em investir no negócio próprio para somar renda.

22/06/2017 09:11h - Atualizado em 22/06/2017 10:08h

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Continuando a série de matérias sobre trabalho informal, o Jornal O DIA traz hoje (22) a história de vendedores ambulantes que conseguiram se estabilizar em um ponto comercial, mas nunca deixaram de exercer suas atividades comerciárias. É o caso das pessoas que atuavam no Centro de Teresina e hoje possuem uma loja fixa no Shopping da Cidade. 

É o caso do comerciante Sebastião Gomes da Silva (42), que trabalha no ramo informal há mais de 20 anos. Ajudante de pedreiro por uma década e com apenas o 2º Ano do Ensino Fundamental, ele precisou largar os estudos para ajudar no sustento da família e chegou a viajar para outros Estados em busca de melhores condições de trabalho. 

Sebastião começou como ambulante e hoje tem negócio próprio (Foto: Assis Fernandes/ O Dia)
Sem sucesso, o comerciante retornou para Teresina, recebendo um convite para trabalhar com vendedor ambulante. Suas atividades iniciaram nas ruas do centro da cidade, onde trabalhou por mais de 15 anos, até ser deslocado para o Shopping da Cidade. 

“Quando eu trabalhava na rua tudo era mais difícil e depois que viemos para cá, conseguimos melhorar. Alguns comerciantes fizeram empréstimo, como eu, para ampliar o negócio. Hoje, se fosse para trabalhar como empregado eu não queria, porque já gero emprego”, fala. 

Sebastião Gomes pontua que, mesmo a proposta salarial sendo de dois ou três salários mínimos, ainda assim não compensaria para ele abrir mão de seu negócio, que atualmente é a fonte de renda de sua família e é de onde ele arca os custos de três funcionários contratados. Além disso, o comerciante destaca que possui sua independência financeira e, por ser seu próprio padrão, faz seus horários. 

“Não foi fácil chegar aonde eu cheguei. Nos primeiros quatro anos eu procurei melhorar dentro do Shopping para ter um retorno e agora eu tenho. E aqui eu tenho minha liberdade, e depois que você conquista isso é difícil conseguir se adaptar e ter um patrão, porque nosso comportamento e maneira de ser muda. O que eu busco é melhorar meu negócio, atender bem meus clientes e fazer meu empreendimento crescer”, diz. 

Para ele, o segredo do sucesso é insistir no seu empreendimento e não desistir mesmo diante das adversidades, e graças à sua dedicação, Sebastião Gomes tornou-se um empresário. “Se quiser ter uma evolução no negócio, é preciso investir. Muitas vezes eu pagava uma pessoa abaixo de um salário, mas quando ele recebia uma proposta melhor ia embora. Então eu tive que me adequar e regularizar todos eles, pois além de ter uma mão de obra garantida, eu ainda tenho pessoas de confiança trabalhando perto de mim”, conclui.

“Eu não conseguiria algo que pagasse melhor”, diz comerciante 

Há quase três décadas, Francisco Viana Sousa (54) trabalha vendendo bolsas e mochilas. Inicialmente nas ruas do centro de Teresina, onde tinha uma barraca e dividia espaço com outros vendedores. Foram 18 anos como ambulante até ser deslocado para o Shopping da Cidade. Apesar de ter um lugar fixo, o comerciante enfrenta desafios diários para manter o negócio. 

Ele conta que nunca trabalhou de maneira formal e que ser vendedor ambulante não estava nos seus planos. Porém, o negócio foi dando certo e hoje ele e sua família se sustentam com o que ganham na venda das mercadorias. Apesar de ser um trabalho puxado, ele garante que não abriria mão para exercer outra atividade. 

“Não abriria mão do meu emprego atual para trabalhar em uma empresa privada, porque com a minha idade e escolaridade eu não conseguiria nada que pagasse além de um salário mínimo. Aqui eu tiro mais que isso no final do mês e foi com esse dinheiro que comprei minha casa própria. Só em ser um local fixo já é melhor que trabalhar na rua, exposto a tudo”, fala. 

De vendedora de fruta à empreendedora 

Há 37 anos, Maria da Conceição Aguiar Silva (49) trabalha como vendedora ambulante. Inicialmente começou com bananas que comprava na central de abastecimento e revendia no centro de Teresina. Ela conta que no início foi muito complicado e chegou a ser humilhada por usar o transporte público para transportar as frutas, foi quando decidiu investir em um veículo próprio. 

Maria da Conceição: de feirante a empresária (Foto: Assis Fernandes/ O Dia)

A partir daí, sua vida começou a mudar. Com o carro, além das frutas, Maria da Conceição passou a vender bolsas, conseguindo assim aumentar sua renda e montar uma barraca nas ruas da cidade. “Foi quando eu comecei a investir e ampliar meu negócio. Hoje eu trabalho de domingo a domingo, no shopping de segunda a sexta e aos finais de semana eu pego meu carro e trabalho ambulante, em feiras”, fala. 

Segundo ela, o trabalho informal lhe dá a garantia de estabilidade financeira e independência profissional. 

“É com esse dinheiro que sustento minha família. Eu não abriria mão do meu emprego para trabalhar em empresa privada, até porque complicado crescer lá dentro. Quando você luta pelo seu negócio, investe e se dedica, conseguimos ter um bom retorno”, finaliza

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Por: Isabela Lopes

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