Moradores da Vila Apolônia temem que águas avancem para casas

Sempre que chove, o nível das lagoas da região sobe, invade as casas e a população precisa suspender seus móveis para não perdê-los.

29/03/2019 07:03h - Atualizado em 29/03/2019 07:07h

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As fortes chuvas que caíram em Teresina nos últimos dias têm deixado muitos moradores apreensivos, principalmente quem reside próximo às áreas com lagoas, a exemplo da população que vive na Vila Apolônia, zona Norte da Capital. O padeiro Israel Sousa Santos mora há quatro anos nessa região com a esposa e explica que as últimas chuvas têm causado prejuízo e trazido medo.

Ele mora perto de uma das lagoas que compõem o Lagoas do Norte e comenta que as águas já chegaram a invadir sua casa e dos vizinhos da vila. “Desde domingo, as águas estão elevadas e já chegou a invadir as casas. Há uns dois dias, o nível das águas tem baixado, mas quando volta a chover, o nível sobe e deixa todos apreensivos. A situação aqui é precária e algumas pessoas ainda jogam lixo nas lagoas, o que faz com que suba ainda mais o nível das águas”, cita.


Morador transita pelo trecho ainda encharcado e que o impede de entrar em casa normalmente - Foto: Assis Fernandes/O Dia

Israel Sousa disse ainda que, quando começa a chover o nível das lagoas sobe e transborda, passando por dentro das casas. Isso obrigada os moradores a suspenderem os móveis usando tijolos. Eles também chegam a faltar ao trabalho para ficarem atentos às águas, que podem invadir as residências a qualquer momento.

“Quando a gente vê que o céu começa a fechar e as nuvens a ficar pesadas, começamos a subir os móveis com tijolos e faltamos ao trabalho para ficar cuidando de casa. Eu tiro foto para mostrar ao patrão nossa situação, porque nem todos acreditam. Algumas pessoas já ficam vendo lugares para ir, como casas de parentes. Eu mesmo falei com meu irmão no dia da chuva de domingo para poder ir para lá, caso minha casa alagasse. Por sorte, não precisou, apesar de entrar água”, lembra.

De acordo com o padeiro, até o momento, os moradores não receberam nenhum apoio do poder público. Ele comenta que a Defesa Civil chegou a ir até o local e conversou com alguns moradores. Segundo Israel, eles foram informados de que o local não se tratava de uma área de risco e não tinha perigo de alagar se as bombas estiverem drenando a água das lagoas próximas. 


Foto: Assis Fernandes/O Dia

Mas, segundo o estudante Valdiney Almeida, as bombas permanecem grande parte do dia desligadas e somente são acionadas quando a população solicita. “Ficamos em saber o que fazer. A Defesa Civil veio aqui na terça-feira, olharam, mas não deram nenhuma justificativa para nós. Ninguém veio dar providência de nada. A bomba aqui fica desligada e por isso que enche. Nós que temos que ir lá na casa da bomba pedir para o funcionário ligar para que o nível da água baixe, senão entra nas nossas casas e não temos como sair”, explica.

O morador comenta que algumas pessoas estão ilhadas, como uma senhora que mora com três netos pequenos. Ainda de acordo com Valdiney Almeida, a Defesa Civil não sinalizou a área como sendo de risco. Com isso, os moradores continuam no local, mesmo com as casas alagadas. 

“Muitas casas já foram alagadas, então estamos preparados para ir para outo lugar e até casa de aluguel. Se só uma chuva já está assim, imagina com as próximas. Não podemos esperar a água invadir nossa casa. Tem uma casa que está toda ilhada, a mulher mora com as três netas e nós ajudamos ela todos os dias. Ela coloca as crianças na bicicleta e faz a travessia de uma por uma”, relata.

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Por: Isabela Lopes - Jornal O Dia

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