Juíza nega pedido de liberdade provisória de acusados de matar major Mayron

Segundo a juíza, há considerável probabilidade de que, se postos em liberdade, os acusados voltem a praticar novos crimes.

15/07/2017 09:11h - Atualizado em 15/07/2017 10:32h

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A juíza Junia Maria Feitosa Bezerra Fialho, da 4ª Vara Criminal da Comarca de Teresina, negou nesta sexta-feira (14) o pedido de liberdade provisória requerido por Iranilson Pereira dos Santos e Wallison Jhonatan Rodrigues de Sousa, ambos acusados de assassinar o então comandante do 1º Batalhão de Polícia Militar de Teresina, o major Mayron Moura. 

Wallison Jhonatan Rodrigues de Sousa é acusado de ser autor do disparo que matou major Mayron. (Foto: Divulgação/Polícia Militar)

De acordo com a decisão, os motivos da decretação da prisão preventiva permanecem vigentes, não tendo havido nenhuma alteração na situação fático-jurídica que justifique a concessão de liberdade provisória em favor dos acusados. O documenta destaca ainda que os atos praticados pelos acusados, encontram penalidade superior a quatro anos de reclusão, sendo este um dos requisitos que ostentam a permanência da segregação cautelar. 

Comandante do 1º BPM foi assassinado na noite do dia 21 de maio, na região da Usina Santana. (Foto: Arquivo O Dia)

Além disso, a magistrada destacou que ambos os acusados respondem a outros processos criminais. Iranilson Pereira dos Santos, um dos acusados, possui processo criminal transitando também na 4ª Vara Criminal. Já Wallison Jhonatan Rodrigues de Sousa, além de procedimentos ocorridos no Juizado da Infância e Juventude, possui processos criminais tramitando perante a 3ª Vara Criminal e a 1ª Vara do Tribunal do Júri, demonstrando assim "considerável possibilidade de, postos em liberdade novamente, retornarem a delinquir, visto que, uma vez em liberdade, reiteraram na prática delituosa, subsistindo elevados indícios de serem sujeitos de alta periculosidade", defende a magistrada. 

Iranilson Pereira usava tornozeleira eletrônica e foi preso dentro de casa com a motocicleta utilizada no roubo. (Foto: Divulgação/Polícia Militar)

Outro ponto levado em consideração pela juíza na decisão, foi o modus operandi dos denunciados no momento do crime, tendo em vista que mesmo após terem subtraídos os bens do major, o alvejaram.

Audiência

O juiz Kelson Carvalho Lopes da Silva,  4ª Vara Criminal da Comarca de Teresina, marcou para a próxima terça-feira (18) às 9h, a audiência de depoimento dos acusados de participarem do assassinato do major Mayron Moura. 

Entenda

O comandante do 1º BPM, Major Mayron Moura, foi assassinado na noite do dia 21 de maio na região da Usina Santana, enquanto esperava a filha em uma parada de ônibus. O major foi abordado por dois homens em uma motocicleta, e mesmo após entregar os objetos foi alvejado e morreu no hospital. Ainda na noite do crime, a Polícia Militar conseguiu prender o primeiro acusado de participar do latrocínio, identificado como Iranilson Pereira. O acusado usava tornozeleira eletrônica e foi preso dentro de casa com a motocicleta utilizada no roubo.

Motocicleta usada no latrocínio que vitimou major da Polícia Militar do Piauí (Foto: Divulgação/Polícia Militar)

Em um vídeo divulgado pela polícia, o acusado confessou a participação no crime. Iranilson era quem pilotava a moto no momento do assalto, mas na ocasião afirmou que quem atirou contra o major foi o seu comparsa, identificando como Wallison Jhonatan Rodrigues de Sousa. 

Na tarde do dia seguinte ao latrocínio, Wallison se entregou na Delegacia de Homicídios. O acusado já era procurado pela Polícia Civil por ter matado uma outra pessoa no dia 19 de janeiro na Taboca do Pau Ferrado. A informação foi dada pelo coordenador da Delegacia de Homicídios, delegado Francisco Baretta.

Em seu depoimento, Wallison confessou a autoria do disparo que tirou a vida do major Mayron e disse que só atirou porque ficou nervoso ao ver o PM esboçar uma reação e ameaçar sacar a própria arma. “Ele disse que não sabia que a vítima era policial. Na realidade, eles já vinham fazendo uma série de roubos naquela região e quando iam passando pela Avenida Professor José Camilo da Silveira, avistaram o PM, fizeram a volta na motocicleta e foram até o encontro dele, anunciando o assalto”, relatou o delegado Baretta.

Wallison se apresentou na Homicídios acompanhado de seu advogado. Em diligências na sua casa, a polícia encontrou uma arma calibre 12 de fabricação caseira, um simulacro e um revólver calibre 38 utilizado no latrocínio do major Mayron. Também foram apreendidas munições, R$ 106,00 e o celular funcional do major. O celular funcional do major e arma usada no crime estavam enterrados no quintal da residência de Walisson. Segundo o delegado Baretta, ele pediu que sua mulher desse um fim nos objetos, e ela os enterrou naquele local.

A namorada de Wallison, identificada como Odania de Lima, também foi autuada por ter dado apoio ao acusado no crime, escondendo a arma dele e o celular roubado do major Mayron.

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Por: Nathalia Amaral

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