Greve dos ônibus: PMT pede aumento do valor de multa contra motoristas e cobradores

A ampliação do valor das multas contra a categoria variam de R$ 50 mil a R$ 500 mil.

28/10/2021 15:19h - Atualizado em 28/10/2021 18:09h

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Diante do movimento de paralisação dos motoristas e cobradores do transporte público, iniciado na manhã desta quinta-feira (28), a Prefeitura Municipal de Teresina (PMT) fez novo requerimento pedindo a ampliação do valor das multas contra a motoristas e cobradores, que variam de R$ 50 mil a R$ 500 mil. O pedido de ampliação da multa também foi direcionado para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Rodoviários no Estado do Piauí (SINTETRO), Ajuri Dias.

O requerimento também pede a investigação de eventuais responsabilidades criminais durante o período de greve. A Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (STRANS) alega que o SINTETRO não está cumprindo a determinação judicial que determina a circulação de 30% da frota de ônibus durante a paralisação. 


Leia mais: Sintetro diz que não recebeu ordem de serviço da Strans para frota mínima circular 



Presidente do SINTETRO, Ajuri Dias. Foto: Assis Fernandes / O Dia 

O presidente do SINTETRO, Ajuri Dias, afirma que, além de não ter sido notificação em relação a ampliação da multa, também não recebeu da Strans a ordem de serviço que determina o número de veículos que devem circular na capital durante a greve. 

“Na realidade nós notificamos a greve e estamos aguardando a planilha da Strans informando o número de carros que devem circular. Até agora, não recebemos nada da Strans em relação a ordem de serviço. Eles foram enviados aos empresário, mas não para gente”, explica Ajuri Dias. 

O primeiro secretário do Sintetro, Miguel Arcanjo, esclarece que a greve não tem data para acabar e que deve seguir por tempo indeterminado, até que a categoria tenha um acordo com os empresários. Para o sindicalista, a ampliação da multa para os motoristas e cobradores é equivocada e não deveria estar acontecendo.

“Qual é o crime que a gente está cometendo? Não é com ameaça que a gente resolve as coisas, principalmente em uma negociação trabalhista. Então, vamos sentar, conversar e tentar resolver sem ameaças. Por que com ameaça a gente já está acostumado. Tem que ter uma proposta viável para os trabalhadores para que a greve possa terminar. Ameaça não acaba greve”, afirma o sindicalista. 

De acordo com o Sintetro, a greve continuará por tempo indeterminado em Teresina até que o Sindicato Patronal (Setut) se reúna com a categoria e apresente uma proposta a ser negociada. O que os motoristas e cobradores de ônibus de reivindicam é a assinatura do acordo de convenção coletiva que restabeleça o pagamento conforme o piso salarial e garantias de benefícios como tíquete alimentação e plano de saúde. No momento, os trabalhadores do setor estão trabalhando por diárias, recebendo até R$ 200 por mês conforme as horas trabalhadas.


Foto: Assis Fernandes / O Dia 

“Nossa greve é por conta do não acordo da renovação coletiva referente aos anos 2020 e 2021. Enviamos ao Setut uma minuta em que pedimos os mesmos salários de 2019. Não estamos pedindo reajuste. Estamos colocando para o Setut as mesmas condições de antes”, pontua o presidente do SINTETRO. 

Impasses 

O Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Teresina (Setut) emitiu nota nesta manhã (28) em que comenta a intenção do prefeito Dr. Pessoa (MDB) de decretar estado de calamidade no sistema de transporte público da capital e contratar uma empresa baiana para gerir o setor e dar um fim à crise. O Setut subiu o tom e afirmou que a situação de caos foi ocasionada pela própria gestão pública municipal e que isso não é fundamento jurídico para um decreto de calamidade.

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