Falta de ônibus prejudica vacinação contra Covid-19 em Teresina, alerta pesquisador

Um estudo aponta que as regiões mais periféricas de Teresina retornam menos para a segunda dose da vacina

11/11/2021 16:01h

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A crise do transporte público com o impasse entre a Prefeitura de Teresina, empresas e trabalhadores que operam o sistema e, por consequência, a redução da frota de ônibus para a população da Capital tem prejudico na vacinação contra a Covid-19. A conclusão é de um levantamento do professor doutor Emídio Matos, do núcleo de estudos em saúde pública da Universidade Federal do Piauí (UFPI).

O pesquisador desenvolveu um estudo que monitora a imunização contra o novo coronavírus por regiões e constatou que o acesso do teresinense à vacina acontece de forma diferente dependendo da classe social e do bairro onde reside. As zonas mais ricas da cidade, por exemplo, retornam mais para a segunda dose do imunizante. Por outro lado, os bairros periféricos são os representam as maiores taxas de faltosos. 

População à espera de transporte público em Teresina (Foto: Assis Fernandes / O Dia)

“O não retorno para segunda dose não acontece de maneira uniforme em toda a cidade, em todas as regiões. As populações mais periféricas têm retornado menos para a segunda dose. Isso é bastante preocupante. As condições de acesso não são as mesmas”, resume Emídio Matos. “A região da Pedra Mole, da grande Socopo, tem uma taxa de não retorno na ordem de 45%, quando na região do Jockey, do Bairro de Fátima, essa taxa cai para 17%”, revela.

Foto: Assis Fernandes / O Dia 

Para o professor, uma das causas é a baixa oferta de ônibus do transporte público para que os moradores compareçam aos postos de vacinação. “A gente precisa considerar que Teresina está vivendo um caos no transporte público, que a crise sanitária acontece ao mesmo tempo de uma profunda crise social; as pessoas voltando a passar fome”, comenta Emídio. 

Os dados trazem um alerta para os efeitos negativos que a vacinação desconforme na Capital pode causar no plano de contingência da pandemia. O pesquisador orienta que é necessária uma medida estratégica para garantir que o teresinense complete o ciclo de imunização com o retorno aos postos. 

“É preciso que os gestores pensem em uma estratégia para que a população mais vulnerável tenha condições de acesso à vacina, para que possamos de maneira uniforme vacinar as pessoas. Não se vence uma pandemia vacinando apenas uma parcela da população”, afirma Emídio. 

Pesquisador diz que é precipitada a liberação de máscara 

Questionado sobre a liberação do uso de máscaras por alguns estados, como o vizinho Maranhão, Emídio Matos afirmou que esse não é o momento de abandonar o uso do equipamento de proteção. Ele usou o exemplo da Europa para demostrar os riscos que margeiam essa medida. 

“É precipitado. A Europa começou a flexibilizar essas medidas (uso de máscara) muito cedo. O que a gente percebe é que a Europa volta a ser o epicentro da pandemia no mundo, voltou a ter um número de casos crescentes e um dos motivos é a flexibilização muito cedo (da máscara)”, comentou.

Por outro lado, o professor defendeu que máscaras cirúrgicas sejam distribuídas nas unidades de saúde para a população. Segundo ele, as máscaras de tecido foram importantes durante o período de desabastecimento do produto no mercado, mas que as produzidas pela industria especializada possuem mais efetividade na diminuição dos riscos de infecção.

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